Archive for the ‘Vidinha moroless’ Category

cumprimento

Olá. O que eu estou a fazer por aqui, não é mesmo? Este blog não acabou, ora?

Às vezes exigir de uma frase que ela seja um título é querer demais

 

Esses dias um amigo me disse que não era cult falar mal de ‘300’, só porque eu demonstrei a minha impaciência para com essa gente que não sabe falar d’outra coisa que não sobre mais uma adaptação dum quadrinho do Frank Miller para o cinema. O último, Sin City, eu vi e – com o perdão da palavra – achei uma droga. Eu não estava querendo parecer cult, que idéia! “Já é, né?”, disse a segunda pessoa do diálogo. “Você é quem diz”, eu disse para acabar com o papo. Por exemplo, estreou Scoop, do Woody Allen, e vocês não me viram aqui falando nem bem nem mal do filme, embora saibam que gosto de Woody Allen. Esse pessoal de blog gosta muito de opinar, e ainda que eu admire isso, há momentos em que é melhor ficar calado.

Sim, eu sou muito conservador. E disperso em relação a algumas coisas. Esqueci, por exemplo, que dia é a páscoa. Nunca me lembro desse negócio de segundo domingo de abril e toda essa lenga lenga. Perguntei para a menina do setor de frente e ela me disse “domingo”. E uau, porque eu não comprei lhufas para mon chou. Ainda.

Ontem saí aqui da OAB ao meio dia. Trabalho de radiojornalismo, entrevistas para serem feitas com algumas fontes na Polícia Federal e etc. Tema: crimes no orkut. E eu nunca falei de orkut aqui também, imagino. Mas, quê dizer? Sim, eu tenho, o link está aí ao lado e tudo, mas não sou nenhum orkutaholic. Tenho preguiça.

E essa semana dizem que é santa. Então ‘tá. Fato é que não trabalho amanhã, e isso sim é de uma santidade sem tamanho. Não gente, eu sou católico. Batizado e tudo. Com a água, é. Mas sou bastante avesso a religiões – inclusive com a minha -, mas ainda acho algumas igrejas bem bonitas, a arquitetura, o barroco, etc. E me lembrei de dizer uma coisa: quanto à notícia de que o papa vai impor que as igrejas católicas voltem a rezar as missas em latim, ela só vale para as igrejas de verdade. Pobres que mal entendem o português não têm que se preocupar, de jeito nenhum.

E eu não falei também do novo hábito que desenvolvi nos últimos meses: ler blogs impressos. Quer dizer, eu imprimo alguns textos de alguns blogs e levo para ler no ônibus ou durante uma aula chata na faculdade. Alguns blogs que recomendo a vocês, ótimos para serem lidos quando impressos: esse, esse outro, esse aqui, esse e esse. Não dá para comentar, é verdade, mas vá por mim, é legal.

That’s all, folks.

Notas

Então passei todo o sábado com a minha pequena. Sorvete, partidas de xadrez e algo mais que não me é permitido aqui dizer, sob risco de retaliação.

Ontem, domingo, calor infernal à tardezinha, pus-me novamente a jogar xadrez com um amigo. No media player tocava Is This It?, Strokes, enquanto eu fumava o bispo tombado do adversário. Na Last Night dei-lhe xeque.

À noite, shopping para buscar minha pequena – ela trabalha aos domingos, para a minha estupefação. Passei na Leitura e fiquei na dúvida entre o novo do Paul Auster, Viagens do Scriptorium, e o Nine Stories, do Salinger. Comprei o Salinger e, terminando o primeiro conto – “Feito isso, foi sentar-se na cama desocupada, olhou para a moça, apontou a pistola e deu um tiro em sua própria têmpora direita” – juro que fiquei bastante chocado.

À la mode

Eu e ela numa mesa de restaurante de forro xadrez discutindo Woody Allen me parece mais coisa de filme do Woody Allen, vocês não acham?

Ela:

__Amor, eu até hoje não entendi aquela piada, saco sô!

Eu:

__Meu bem, não é para entender.

Epístola aos pósteros

É mesmo essa a minha filosofia de vida.

En passant

O ano de 2005 existiu? O que eu fiz em 2005? O que você fez?

*

Bom filme esse.

Vertigens

Juro que vou vomitar.

*

Minha noiva é tão boazinha e zen e tudo o mais. Parece o Dalai Lama.

*

E o Machado falava com propriedade quando disse ser o homem uma contradição. É engraçado (não tem nada de engraçado) que, com o tempo, a gente adquira uns hábitos estranhos. Devo estar mesmo ficando velho, sei lá. Pois ontem cheguei em casa com vontade de ouvir Jethro Tull enquanto lia umas matérias da piauí deste mês e, concomitantemente, o livro do Luiz Biajoni. Pensei em ligar o pc mas logo desisti: só consigo ouvir Jethro Tull, Pink Floyd e a maioria das bandas anos 70 se for em LP. E eu tenho um daqueles sons velhos da Sharp, preto, que não mais grava, não mais sintoniza perfeitamente as minhas rádios diletas mas, sim, ainda toca os meus discos antigos. E assim foi. Liguei a velharia e voilà: senti aquela agulha limpando a poeira do vinil, tão barulhenta quanto um trem descarrilhado.

I’ll lay me down in a bunker

Outro dia, escrevi uma crítica a um livro que julguei ser auto-ajuda. O autor, em sua total razão, comentou o meu post, dizendo que eu estava errado, defendendo o seu trabalho. Certo, certíssimo. Eu faria o mesmo. Mas – quanta digressão! -, eis o que eu queria dizer: meu blog foi encontrado n’algum sistema de busca pela frase – pasmem: “livro de auto-ajuda para feio”. E como isso me deprime, Deus. Eu gostaria de demonstrar aqui as minhas condolências ao autor desta busca – quase espiritual, diga-se -, dessa odisséia por uma vida melhor, mais confortável e – por que não? – cheia de beleza.

It’s too late, baby

Havia hoje no ônibus, ao meu lado, uma senhora – uns 50, 55 anos – lendo “O Porquê do Hímem”. Não entendi, juro que não. Esta vida é um mistério.

Picardia

Então que eu estava lendo Hesse e ela, minha noiva, o tomou de mim ontem. Vou voltar ao Proust.

I just don’t know what to do w/ myself

Edward Bloom me alertou. Comecei a ler Proust, mas há dois dias não pego no livro. Mas vá lá, é final de ano. A gente fica com essa sensação estranha de que tudo vai recomeçar a partir de 01 de janeiro. Nunca ví besteira maior.

Vou comprar um espelho

Que é para passar o final de ano refletindo.

Então

De volta ao mundo real.

Passeio

Nada melhor que um pé depois do outro.

Ócio, man. Ócio

Estou oficialmente de férias (Segundo o Fernando, eu já estava de férias há muito; mas não é verdade). Não é nenhum tratado de Russel, mas vou tentar viver um ócio criativo até fevereiro. Comecei por Proust, e a leitura já está avançada.

Além disso, vou jogar vídeo-game e dormir até babar.

E hoje eu estou aqui, homenageado por um grande amigo. O sujeito cabisbaixo no canto inferior esquerdo sou eu.

Woody Allen tinha razão

Sabem, é engraçado. Quando chego em casa tarde da noite, fico pensando no que é a vida. E sei, ela não passa de uma historinha que o Wood contou em 1977:

“É uma antiga piada: duas velhinhas em um hotel fazenda. Uma diz: ‘a comida aqui é um horror’. A outra diz: ‘eu sei, porções minúsculas’. É assim que eu vejo a vida: cheia de solidão, miséria, sofrimento e tristeza, e acaba rápido demais”.

É, não passa disso.

(Sei que serei repreendido por ser pessimista. Mas, a essa hora, quem liga?)

Xmas time

Eu não sei mais o que é o natal. Quando criança, talvez soubesse. Lembro-me da minha época de neurônios atrofiados. Época feliz. Acho mesmo que a única felicidade consiste em ser ignorante. Além disso, o que há são momentos, hiatos de fugaz alegria. Lembro-me de seguir procissões católicas pelas ruas do meu bairro – uma fila de senhorinhas fiéis e netos curiosos, todos segurando uma vela acesa na mão queimada pela cera. Época em que eu levava para casa ramos abençoados pela santa água do padre da paróquia. Havia também um pão. Não sei se o chamavam d’outra coisa. Mas era um pão, duro, que devíamos colocar no armário da cozinha a fim de não faltar alimento. Esses e outros rituais. Época feliz. O natal tinha o maior significado. As mínimas coisas tinham valor. Volto, por exemplo, a um desses natais de minha infância. Recordo-me que minha mãe, não tendo suficientes condições para presentear-me com um vídeo-game de última geração ou coisa que o valha, deu-me um daqueles quebra-cabeças numéricos, de mão. Aqueles em que você deve mexer os números na vertical e na horizontal até que consiga colocá-los na ordem, de 1 a 9. lembro-me e quase escorre uma lágrima – sou muito sentimental por esses dias. Vocês não podem imaginar a felicidade que tal presente me deu. Vocês não fazem idéia de como tal acontecimento permanece em minha memória, fixo, como se houvesse ocorrido ontem. Isso faz uns 18 anos. Coisa que hoje já não existe mais. As crianças de hoje são umas esnobes. Os jovens, uns cretinos. Dá-me asco, só de imaginar. E eu tenho pena. Muita pena. Faz alguns anos que não piso numa igreja, mas o período em que o fiz foi importante para mim. Igualmente, há anos não celebro o natal como o fazia antes, mas minha infância ignóbil foi peça fundamental para o meu crescimento. O natal hoje é ainda mais piegas que no meu tempo. Mais feito de out-doors e garrafas pet recicladas que com o que chamam coração.

Happiness is a warm gun

So… meet me in Montauk.

Eu sou tão empertigado

Os vizinhos ouvem uma música ruim. E claro, óbvio, eu tenho um gosto excelente. Mal cheguei e já estou reclamando, é verdade. Um aniversário, me parece. Na casa dos vizinhos. Vocês já ouviram falar em boa vizinhança? Eu já, mas só em teoria. As pessoas das casas ao lado são sempre muito enjoadas. Suas músicas são sempre muito ruins. E altas, são sempre muito altas também. Okay, eu não tenho que fazer sentido. É madrugada agora. Arredo a cama para perto do computador para escrever deitado. Um luxo. Ao lado, um Aurélio e um exemplar de Lolita, edição de 1968 – estou dando mais uma chance. Numa xícara, coca. Ouço Is It Wicked Not To Care?, Belle & Sebastian. É uma boa música para se ouvir enquanto se escreve de madrugada. Sinto-me bem. Como têm mal-gosto os vizinhos. Olhos ardendo. Há pouco me olhei no espelho do banheiro. Olheiras. Acho que elas já não desaparecem mais, por mais que eu durma. Faz tempo desde que dormi bem pela última vez. Digo, muito bem. Tenho um probleminha. Quando trabalho e estudo a semana toda, tudo o que quero é chegar em casa para poder dormir. Deitar no travesseiro os problemas e as preocupações, desligar os holofotes que iluminam as desgraças do mundo. E, quando tenho tempo para tal, não o faço. Não há graça em dormir quando se pode dormir. Estou escrevendo pausadamente, vês? Sinto-me melancólico à essa hora. Além da música. Mas não, não. Ela é perfeita. Escrevo pausadamente pois é como me surgem os pensamentos, agora. Neste instante fugaz. Oscar in Reading. Mas o que estou dizendo? Que diabo, qüiproquó. Minha cabeça pende entre uma palavra e outra. Não consigo colocar uma idéia em cada frase. Idéias divididas em várias frases. Indo e voltando. Digressões saudéveis. A coca que já perdeu o gás. E escrever deitado dá torcicolo, acreditem-me. Mas querem saber? Vale a pena. Hoje eu já dancei (desengonçado) The Delgados até quase cair, morri algumas vezes ouvindo Mogwai – se é que me entendem – e dormi com a minha noiva ao som de The Smiths. Nada como uma boa trilha sonora. Nada como ter um tempinho para fazer o que eu quiser no próximo segundo. Mesmo que seja nada. Já não ouço os vizinhos. Mas, ora, o que eu estou dizendo?

*

Aqui, minha homenagem ao tão querido natal.

Peixe Grande

Фотограф Олег Трэшер

Férias. Eu quero férias.

***

Indico: O Hermenauta

Amigo Oculto

Eu poderia falar da chateação de se ter de andar pelos corredores lotados das Lojas Americanas, tendo os pés pisoteados e o olfato nocauteado pelo cheiro do povo – essa espécie tão difundida –; poderia discorrer sobre o dinheiro mal investido em presentes descartáveis – porque hoje todo presente é descartável –; poderia ainda detalhar o quão enjoativos são aqueles abraços das tias do interior que você nunca, nunca vê, mas que no dia 25 aparecem só para lhe dar uns tapinhas no rosto e dizer “como você cresceu, querido”; ou dizer sobre quando estamos cansados, precisando dormir – e daí que é natal? – e não conseguimos, tantos são os fogos de artifício estourando sobre as nossas cabeças, de todas as cores e formas. Há também os vinhos ruins, a farofa – há algo pior que farofa? –, o peru que esfriou, o churrasco inoportuno, a fumaça, os bêbados, a música ruim de madrugada, a nostalgia, as promessas, os vestidos bregas, os penteados e toda essa coisa natalina. Mas vou me ater ao amigo-oculto. Você sabe: é aquele ritual besta de fim de ano em que você escreve seu nome num papelzinho, mistura noutros papeizinhos com nomes d’outras pessoas e põe tudo num saco ou caixa de sapato e agita. Aqui começa a avacalhação: o nome que você tirar é o seu amigo-oculto. Descrevo: geralmente essa pessoa misteriosa – o mistério é o principal detalhe – é oculta mesmo, até para você. Você lê a letra torta, pensa, e não consegue descobrir quem é – afinal, há na casa: primos de segundo, terceiro graus; o namorado da irmã da sua cunhada que levou a família e amigos; vizinhos; a irmã e o namorado da empregada; tios e tias distantes; avós; a comadre da sua mãe; o amigo de infância que há anos não aparecia; aquele garoto carente que mora na sua rua e sempre vai lhe desejar boas-festas; os colegas de faculdade que só querem a sua cerveja e as menininhas ingênuas que querem realmente ganhar um lindo presente do amigo-oculto bonzinho. Isso pra mim é o fim da festa, se é que houve alguma. Podem chamar-me ranzinza ou do que for, eu não vou ligar. Fato é que dar presente pra quem não se conhece é detestável, e tenho certeza de que essa é a opinião de muitos – opinião não declarada, claro. Não há nada pior que você tirar o maldito papelzinho e descobrir que tem que comprar um presente para o irmão da tia da sua namorada que você não faz idéia se vai com a sua cara. Aliás, você também não vai com a cara dele. Mas pior que presentear, é ser presenteado. Imagine você: ter que abraçar aquela madrinha que você nem sabia que tinha, sentindo de perto o perfume importado do país vizinho, e ainda ter de dizer “nossa, adorei!”. Isso, sorrindo. Sorrindo sempre. E há o inimigo-oculto, equivalente inverso da brincadeira. Ou seja, você pode ser presenteado com um sapo, uma lagartixa, uma lagarta, um cd de uma banda que você odeia ou um abraço – o que eu acho mais pavoroso – daquela pessoa de cuja cara você tem asco. Mas apesar disso, eu prefiro os inimigos – que são essenciais. Eles são mais sinceros, mais transparentes. Apesar de oculto, não há nada mais explícito que um inimigo.

Coisas, non sense coisas

Aí vem a Lispector dizer que a vida é um soco no estômago. Já Salinger me diz, com seu ar blasé, que não há grandes aspirações na vida, a não ser ser, no máximo, um apanhador num campo de centeio (…). E penso: tenho mesmo é que me preparar para o futuro. Penso e paro, porque me lembro do Orwell dizendo “Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”. São personas experientes que me dizem tais coisas. E eu confio. O que vou fazer? Confio. E sorrio, sarcástico, quando penso nas frases de efeito que por aí há para refutar o pessimismo, tipo aquela do mago Paulo que já não suporto mais: “O universo conspira a nosso favor”. Francamente, eu fico com o pessimismo. Obrigado.

***

Ontem eu dormi cedo. Como um anjo, dizem. Há tempos não fazia isso e, hoje, acordei tonto, com ressaca de sono. E foi bom. Um prazer quase, eu diria.

Come on die young

Porque o domingo é uma janela para o muro do vizinho é que aqui estou entregue à letargia dominical, quase um legume morto ouvindo mogwai e escrevendo em espasmos e convulsões num fluxo não pontuado como um Kerouac à morfina nossa de cada dia. E chove lá fora.

Amour

Ora, meu amor, acessar minha caixa de e-mail logo de manhã, hoje, dia 14, e ter me aguardando um texto tão lindo e inspirado é mais que um presente. É uma dádiva. Sou o homem mais feliz quando você me demonstra esse amor maravilhoso, esse sentimento tão puro e, cada vez mais, crescente. Há em mim uma alma pulsante, ansiosa demais pelo futuro, pela vida que é nossa e que temos de viver, juntos. Olho para o meu passado, de solslaio, e não vejo mais que sombras, névoas espessas, brumas. Você representa demais para mim. Você é símbolo, é ícone e é índice. Você é ciência exata. É um coeficiente perfeito. É a minha prova particular e irrefutável de que existe o amor, ainda que a ele possamos dar nomes diversos e ainda que sua conotação esteja, nesses dias tão estranhos, corrompida. Você é maior porque se difere do meio.Você é minha Lótus que nasce em meio à lama. Você é meu budismo. Meu politeísmo e meu monoteísmo.