Archive for the ‘Pela blogosfera’ Category

A que ponto

Durante toda a semana tenho participado de palestras e debates sobre literatura na universidade Estácio de Sá, aqui em Belo Horizonte. O tema de ontem foi blogs e literatura on line; em virtude disso as autoras do Mothern estiveram lá, dando umas aulinhas sobre blogs e falando do trabalho que realizam. Mas o que me espantou mesmo, no fim das contas, foi a quantidade de estudante de comunicação que não sabe o que é um blog. As perguntas idiotas iam surgindo e eu ia diminuindo na minha cadeira. Que vergonha, que vergonha. Foram assuntos: blogs que viram livros, livros que viram blogs, o caso Meg, etc.

Dou palestras sobre cinismo, canalhice e dissimulação. Convidem-me.

nota

Sei que devo estar me mostrando bastante desligado deste blog nos últimos dias – situação que decorre do fato de eu estar realmente atarefado; digo, muito atarefado. Mas eu volto. Deixo, por ora, uma boa nova: muito provavelmente o SemiÓtica será transferido para um coletivo. Sem mais detalhes, puxa; tenham paciência, curiosos.

Às vezes exigir de uma frase que ela seja um título é querer demais

 

Esses dias um amigo me disse que não era cult falar mal de ‘300’, só porque eu demonstrei a minha impaciência para com essa gente que não sabe falar d’outra coisa que não sobre mais uma adaptação dum quadrinho do Frank Miller para o cinema. O último, Sin City, eu vi e – com o perdão da palavra – achei uma droga. Eu não estava querendo parecer cult, que idéia! “Já é, né?”, disse a segunda pessoa do diálogo. “Você é quem diz”, eu disse para acabar com o papo. Por exemplo, estreou Scoop, do Woody Allen, e vocês não me viram aqui falando nem bem nem mal do filme, embora saibam que gosto de Woody Allen. Esse pessoal de blog gosta muito de opinar, e ainda que eu admire isso, há momentos em que é melhor ficar calado.

Sim, eu sou muito conservador. E disperso em relação a algumas coisas. Esqueci, por exemplo, que dia é a páscoa. Nunca me lembro desse negócio de segundo domingo de abril e toda essa lenga lenga. Perguntei para a menina do setor de frente e ela me disse “domingo”. E uau, porque eu não comprei lhufas para mon chou. Ainda.

Ontem saí aqui da OAB ao meio dia. Trabalho de radiojornalismo, entrevistas para serem feitas com algumas fontes na Polícia Federal e etc. Tema: crimes no orkut. E eu nunca falei de orkut aqui também, imagino. Mas, quê dizer? Sim, eu tenho, o link está aí ao lado e tudo, mas não sou nenhum orkutaholic. Tenho preguiça.

E essa semana dizem que é santa. Então ‘tá. Fato é que não trabalho amanhã, e isso sim é de uma santidade sem tamanho. Não gente, eu sou católico. Batizado e tudo. Com a água, é. Mas sou bastante avesso a religiões – inclusive com a minha -, mas ainda acho algumas igrejas bem bonitas, a arquitetura, o barroco, etc. E me lembrei de dizer uma coisa: quanto à notícia de que o papa vai impor que as igrejas católicas voltem a rezar as missas em latim, ela só vale para as igrejas de verdade. Pobres que mal entendem o português não têm que se preocupar, de jeito nenhum.

E eu não falei também do novo hábito que desenvolvi nos últimos meses: ler blogs impressos. Quer dizer, eu imprimo alguns textos de alguns blogs e levo para ler no ônibus ou durante uma aula chata na faculdade. Alguns blogs que recomendo a vocês, ótimos para serem lidos quando impressos: esse, esse outro, esse aqui, esse e esse. Não dá para comentar, é verdade, mas vá por mim, é legal.

That’s all, folks.

Particularmente – permitam-me a redundância – , acho um charme um post inacabado.

Do que não pode ser feito um blog

Chamaram-me “cínico simpático” alí ao mesmo tempo que me deram mais, herr, trabalho. Não vou escrever que é um meme. Não gosto da palavra. Meme. Não, não é um meme. É só mais uma variação do Questionário de Proust, que respondi há uns dias. E como responder a dois desses em menos de 15 dias demonstra uma imensurável falta de criatividade e uma vergonhosa incapacidade bloguística, vou adiar o negócio. Raquel, obrigado e tenha paciência, sim?

O questionário de Proust

Bem, eu queria de volta o Iluminismo, como já escrevi, mas não seria nada mal que pelo menos, pelo menos, o século dezenove voltasse. E já que uma modinha dos idos de 1890 está de volta à baila, para o meu prazer, deixe que eu a adira. O Questionário de Proust é uma lista de 29 perguntas que (…), e tem esse nome por ter se tornado famoso após as respostas do francês que nasceu no mesmo dia que eu, etc., etc. Ei-lo por mim respondido:

1. Qual é a sua maior qualidade?

Eu tenho bom gosto e me orgulho muito disso. Desde muito jovem lia muito e me envolvia com pessoas mais velhas e mais inteligentes que eu, e creio que tenha sido esse o meu impulso primeiro às artes, à filosofia, à literatura e ao jornalismo. E ainda que sejamos obrigados a conviver com todo tipo de pessoa durante o nosso amadurecimento, não me deixei influenciar. De modo que sou hoje um homem incorruptível – exceto por Nabokov, Orwell, Waugh, Wilde, Dostoiévski, Joyce, Shakespeare, o próprio Proust, etc.

2. E seu maior defeito?

E esse deve ser um defeito bruto, pois de modo algum eu consigo considerá-lo defeito. mas o senso comum, você sabe. Eu sou completamente intolerante. Por exemplo: certa vez precisei ir a uma festa com a minha noiva – quando ainda éramos namorados – e fiquei meio contrariado, pois não gosto muito de festa por causa do aglomerado de gente, essas coisas. Mas, bom, era uma festa infantil e eu fui. Tudo ia bem até meia noite, quando as crianças presentes começaram a ir embora e os adultos mais jovens e os adolescentes idiotas começaram a ficar animadinhos. A música, que já era ruim, ficou pior. A Xuxa deu lugar ao funk e o resto vocês imaginam. Eu fiquei fora de mim, completamente exasperado; o que gerou briga, desconforto e pressa de ir embora.

3. A característica mais importante em um homem?

A Paixão. Não no sentido romântico, mas total. Paixão pelas parcas coisas boas no mundo: a mulher, a literatura, o conhecimento, o cinema, a música e o chocolate.

4. E em uma mulher?

Reconhecer os poucos homens com as características que citei acima. E, claro, a fidelidade – ou você está pensando que há algum comunista aqui?

5. O que você mais aprecia nos seus amigos?

A busca pela verdade! Brincadeira. Aprecio a inteligência, e procuro somente ser amigo de pessoas intelectualmente privilegiadas. Por que? Ora, para que eu mantenha o velho hábito infantil de aprender mais e mais com os sabidinhos – c’est la vie.

6. Sua atividade favorita é…

Uma discussãozinha. Mas que seja inteligente, pois do contrário eu tenho preguiça. Além de cinema, teatro, a leitura, enfim. Um adendo: eu sempre estou acompanhado em tais atividades, nunca só, jamais.

7. Qual a sua idéia de felicidade?

Eu e minha intelectual favorita, mais velhos, vivendo bem, confortáveis e afastados das coisas mundanas (leia-se música ruim, gente ruim, clima ruim).

8. E o que seria a maior das tragédias?

Ficar sem dinheiro num país tropical.

9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?

Lord Henry Wotton.

10. E onde gostaria de viver?

Se no Brasil, no sul. Porto Alegre, talvez. Se noutro país, Irlanda. Aprendi a gostar da Irlanda com o Garth Ennis.

11. Qual sua cor favorita?

Preto.

12. Uma flor?

A papoula.

13. Um pássaro?

A cotovia (eu não sei que diabo de pássaro é esse, mas é com certeza o nome de pássaro mais legal que eu conheço).

14. Seus autores preferidos?

Dickens, Shelley, Shakespeare, Nabokov, Orwell, Waugh, Wilde, Dostoiévski, Joyce, Proust, Machado de Assis, Shopenhauer, Hobbes, Kafka, Salinger, Francis, Mencken, Eco, Baudrillard, etc.

15. O os poetas que mais gosta?

Keats e Manuel Bandeira. E alguma coisa do Pessoa.

16. Quem são seus heróis de ficção?

Jesse Custer (Preacher), por ser um pastor protestante que perdeu a fé e quer ter uma boa conversinha com Deus. E o Spider Jerusalém (Transmetropolitan) que é um jornalista muito, muito corrupto.

17. E as heroínas?

Humn. Lolita, se se pode assim considerá-la.

18. Seu compositor favorito é…

Dylan.

19. E os pintores que você mais curte?

Bosh e Van Gogh.

20. Quem são suas heroínas na vida real?

Minha mãe, que é divorciada há uns 12 anos e tem uma força de vontade incrível, perto da qual eu sou um gurí, um preguiçoso. E Natália, que está comigo em tudo e para tudo.

21. E quem são seus heróis?

São os poucos pelos quais me deixo influenciar, como disse mais acima. Escritores, artistas, músicos, amigos. São aqueles cujos conselhos eu seguiria, se pelo menos a maioria estivesse viva.

22. Qual sua palavra favorita?

Isso varia. No momento é “asco”.

23. O que você mais detesta?

Não gosto de gente que fica por aí falando coisas como “nossa, como fulano é pobre de espírito”, então não me confunda, pois o que vou dizer é absolutamente distinto: não gosto de gente pobre de vontade, de desejo, de ânsia por conhecimento. Não gosto de estagnação. Não gosto do modo como a maioria das pessoas aceita tudo o que há de ruim como se fossem coisas boas. Não gosto da falta de senso crítico. Não gosto do moralismo exacerbado.

24. Quais são os personagens históricos que você mais despreza?

Goebbels, o ministro da propaganda nazista.

25. Quais dons naturais você gostaria de possuir?

Bom humor, otimismo.

26. Como você gostaria de morrer?

Sentado num banco de madeira, sob frondosa árvore, no meio de uma leitura – mas tanto melhor se der para esperar eu terminar o livro.

27. Qual seu atual estado de espírito?

Ansioso.

28. Que defeito é mais fácil perdoar?

Um  corte de cabelo ruim. O resto é mais difícil.

29. Qual é o lema da sua vida?

A palavra é de prata, o silêncio é de ouro.

(este sou eu, sem filtro.)

Se tiverem coragem e paciência, respondam Tina, Carol, Edward, Elisabeth, Cleber, Rosângela e quem mais estiver, digamos, disposto.

Lógica desvairada

É de uma graça lamentável a quantidade de blogues com a pretensão de fazer jornalismo. E, além disso, um desperdício em se tratando de bons blogueiros, pessoas com algum potencial criativo. Uma pergunta corrente em entrevistas a leitores de blogues é: “O que você busca quando entra num diário virtual?” Ora, o hipertexto não funciona assim. Quando vasculho a internet, o que busco são idéias novas, ousadas, de cunho opinativo, mesmo. E isso significa que eu não tenho um tema pré determinado; muito pelo contrário, o que me agrada é a diversidade de pensamentos que se cruzam, os debates, o blá blá blá. Se eu quisesse saber de notícia, francamente, eu entraria nos portais especializados ou comprava um jornal. É tão triste entrar num blogue e ler uma notícia copiada do Uol ou, sei lá, do Diário do Nordeste. Notícia precisa ter credibilidade, coisa que em terra de blogueiro é conto da carochinha. Claro, claro que há exceções e não tenho que citá-las – mas, ainda sim, os que a possuem a tem dentro de certos limites. Mas, sinceramente, quem se importa com credibilidade no que tange a blogues? Eu me esbaldo lendo as críticas de cinema de não-críticos; me divirto imensamente lendo as impressões que um livro causa nos não-literatos; e o mesmo com a política, com a música. E opinião é algo bonito. O cinema não é produzido para cineastas, tampouco a literatura para literatos; de modo que ler num blogue as reverberações do autor sobre Schopenhauer, por exemplo, é uma chance única de acesso a um tipo de opinião crua, sem gatekeepers editoriais. A crítica sem critério é valiosíssima. É como uma pesquisa de opinião voluntária.

Acho que as pessoas devem além de ler, escrever mais. Eu mesmo, aqui, acostumado a postar nada mais que opinião, já fui muitas vezes mal compreendido por leitores que ainda enxergam tudo com um olhar meio ditador; e não as culpo, é herança cultural esse negócio de que opinar é perigoso.

Termino com Marco Aurélio, vesgo, dizendo que ou você é você ou vai acabar sendo confundido com seres indiferentes; um parvo, no mínimo:

“De certo modo, o homem é um ser que nos está intimamente ligado, na medida em que lhe devemos fazer bem e suportá-lo. Mas desde que alguns deles me impeçam de praticar os actos que estão em relação íntima comigo mesmo, o homem passa à categoria dos seres que me são indiferentes, exactamente como o sol, o vento, o animal feroz. É certo que podem entravar alguma coisa da minha actividade; mas o meu querer espontâneo, as minhas disposições interiores não conhecem entraves, graças ao poder de agir sob condição e de derrubar os obstáculos. Com efeito, a inteligência derruba e põe de banda, para atingir o fim que a orienta, todo o obstáculo à sua actividade. O que lhe embaraçava a acção favorece-a; o que lhe barrava o caminho ajuda-a a progredir. ”

Oh, os portugueses

Ainda que eu não acredite que eles tenham “descoberto” este país, há uns bons escritores portugueses que vêm chamando a atenção. O Cleber me apresentou na última semana o Pif-Paf, blog de Tiago Galvão, um gajo que tem muito a dizer – e o diz muito bem. Leiam por si mesmos, criaturinhas:

Sacaninha: J. D. Salinger é um sacaninha. Descobri The Catcher in the Rye, por mero acaso, enquanto procurava bom Jazz. Depois de uma dezena de páginas de uma biografia inútil de John Coltrane, seguido do morfanço glutão de dois hambúrgueres caseiros com meio quilo de queijo da serra cada, começo a leitura do Salinger. A verdade é que não sou um leitor muito sofisticado. Devoto da Experiência de Ler de C. S. Lewis, sou um excomungado. Ponho os senhores do Jazz como barulho de fundo, deito-me na cama, sobre uma almofada gigante comprada de propósito para o acto e, enquanto arroto batatas fritas, abato em pacotes aquilo que aumento em peso. No fundo, sou um porco, desde bolachas a tripas à moda do Minho ressequidas vai tudo para o bandulho. Digamos que a minha Experiência de Ler é todo um programa de engorda (Não contem: na adolescência, enquanto lia Eça, chegava a tocar uma nas descrições).

Mas vamos ao que interessa: Salinger é um filho da puta. A gente começa a ler, a gente começa a gostar, nos três primeiros capítulos, o gajo dá-nos uma boa piada por página como se de heroína se tratasse e, quando damos por nós, o livro acaba e estamos completamente viciados. Solução? Esquecer Salinger rapidamente, rezar para que os autores seguintes não saiam muito afectados e ler um livro de merda pelo meio para atenuar a comparação. Mas vamos ao fundo da questão, ao cerne da minha tese, ao busílis da minha dúvida metafísica (sempre desejei ter a eloquência de Cícero e dizer coisas à Prado Coelho), ou seja, a filha da putice de J. D. Salinger. Recuperado do choque e da falta de mais Salinger´s para digerir, contei sobre o senhor a amiga de confiança. A senhora, curiosa, faz pergunta central: «sobre que era o livro?». «O quê?», estranho eu. «A história, qual era a história?». Não há. A verdade é que não há história, não há enredo, não há nada. Só boa escrita. Só o bom do Salinger a passar duzentas páginas à frente da nossa cara a dizer: «olha como eu sou bom, olha como eu sou bom, olha como eu sou mesmo mesmo bom». E era. E é. Salinger limita-se a escrever bem. É preguiçoso e filho da puta, e escreve bem.

De resto, cada livro do senhor é um ponto a favor da saúde mental de qualquer indivíduo. Mark Chapman, inspirado por The Catcher in the Rye, esvaziou uma trinta e oito na peitaça de John Lennon. Eu mesmo, dotado de uma incomparável lucidez, a meio do livro, já engendrava planos deliciosamente maquiavélicos para dar um tiro nas nádegas do Al Gore, abrir a aorta da Hillary Clinton e mirar uma caçadeira na boca escancarada da Angelina Jolie. “

About me

“O SemiÓtica é um dos melhores blogs por conseguir se destacar nunca indo pelo caminho mais fácil da linkania desvairada e seguindo por um terreno perigoso e muito díficil: ele registra pensamentos próprios.

Pode ser radicalismo, mas tenho a impressão de que o mau gosto da sociedade é culpado pelas injustiças sociais, pelos políticos corruptos, pelo analfabetismo presidencial, por leis como a Rouanet e por best-sellers como Sabrina.

Postagens que eu destaco: Como fazer a diferença com blogs, eu acho que sempre suspeitei de que o amor é uma falácia mas este texto confirmou, uma crítica aos ateus dos dias de hoje e uma questão lógica para terminar.

SemiÓtica
De:Ed
Primeiro post: 09/07/2006
No Technorati

Daqui: 1001 Gatos.

Modos

Então que esse rapaz, o Noronha, passou-me mais uma daquelas coqueluches* blogosferianas. Devo revelar os meus modos pra com os leitores deste blog – que não são muitos, eu bem sei. (Tarde chuvosa, uma preguiça que impera, os pés apertados dentro dos sapatos pretos: acho mesmo que é uma bela ocasião para revelar os meus modos pra com meus parcos leitores.) Divago, mas pelo prazer de fazê-lo.

Eu sou uma boa pessoa, apesar de ser às vezes confundido como chato ou até mesmo elitista – vejam só. Mas é só uma confusão, não passa disso. (Veja como saio do assunto para, mais adiante, retomá-lo.) E me deu vontade de citar Mencken: “É pecado pensar mal dos outros, mas raramente é engano.” Não uma vontade à toa. Cito especificamente tal frase pois é comum que, ao conhecer um novo blog, eu logo pense “Oh, que chatice esse blog” e, tão logo penso isso, esses blogs que a priori imaginei tediosos e enfadonhos, se tornam os meus prediletos. Torno-me leitor fiel, comentador fiel, etc. Mas voltemos: eu devo falar dos meus leitores e não do Eu Leitor.

Eu os trato assim: Sabe quando você recebe em casa aquela visita que há muito não vê, de quem gosta muito e a quem quer agradar? Pois sou assim com a maiora dos meus leitores, mantendo-os na sala, confortáveis e tendo todas as respostas às suas, digamos, curiosidades. Dou atenção. Se algum dia a visita não vem, vou eu até lá, como quem diz “eu faço questão”. Não vou negar que há ocasiões – raríssimas, raríssimas – em que eu fico distante, como o anfitrião que fica na cozinha se ocupando de outras coisas enquanto a visita se deixa estar na sala, com sede, mexendo nos seus retratos de família.

Sem mais.

Carol, Edward e Jorge Nobre, façam a gentileza.

*Verbete aqui utilizado no sentido ridículo adquirido nos anos 70, se não me engano, que quer dizer mania, hábito, essas coisas.

Um lado, o outro lado

Agora a moda são blogs de direita, de esquerda e, se houvesse alguma outra definição porca, ela haveria de ser igualmente utilizada. Francamente, será que essa trupe não leu o que escreveu aquele dândi inglês que foi encarcerado por crime de homossexualismo? Como era mesmo? “Definir é limitar”. É, é isso.

A reminder

Um belo texto aqui: 

“A Internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno, barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito. O sujeito do Baixo Leblon coloca logo abaixo do texto: “Adolpho Bloch nunca disse isso, e posso provar” – seguido de nove parágrafos com citações, inclusive, do próprio Adolpho Bloch dizendo que nunca disse isso. Logo abaixo, uma mensagem do molequinho de Mogi das Cruzes: “Hua hua hua hua! O cara mentiu malandro! Se liga mané!!!!!!! Valeeeeeeuuuuuuu!!!!” ” (Alexandre Soares Silva)

E uma bela resenha aqui:

“Como eu tenho o péssimo costume de não falar sobre sexo, vivo procurando outros meios para me destacar e claro que nunca consigo porque é realmente difícil competir a atenção com alguém que está sem as calças. Não é verdade? Todo mundo acha muito legal, muito descolado falar sobre sexo na frente dos outros, muito natural, porque, alôoo, estamos no século XXI e etc., mas eu acho tão inconveniente falar sobre pinto e bunda. Será que só eu acho isso? Será que só eu acho de mau gosto uma conversa sobre pinto e bunda? Pra mim é estranho entender como alguém, tendo todos os assuntos do mundo, resolve falar sobre pinto e sobre bunda. A esta altura, minhas leitoras moderninhas já estão pensando “vai ordenhar vaca, ô puritano filho-da-puta”, mas não é puritanismo, não recrimino o sexo. Só acho que as pessoas deveriam ter a tendência natural de evitar falar sobre isso, como deveriam ter a tendência natural de evitar comer com os pés. Só isso.” (Edward Bloom)

*

Eu vou levando. Ando com a leitura um bocado esburacada, tenho começado alguns livros mas não terminado. Bom, terminei O Caminho de Swann. Lí Biajoni e Galera. Reli uns trechos de Lolita. E falando em Nabokov, estou bastante ansioso para ler Ada ou Ardor. Semana que vem recomeçam as minhas aulas e terei que lidar com economia. Okay. Ótimo.

Minha noiva leu De Profundis, do Oscar, e ficou de me escrever suas impressões para que eu postasse, mas ainda não o fez. Acho que jamais conheci uma mulher que tivesse lido De Profundis, no duro mesmo.

Vou alí almoçar, sim?

I hope that you choke

Amiga minha acaba de me contar que, não sei onde, meliantes abordaram uma mulher na rua e roubaram – pasmem – seu cabelo. É, cortaram o negócio. Aposto que eram cabelos dourados.

*

Ah, leiam isso aqui. Diz tudo.

Dos objetivos pessoais para 2007 e da importância dos blogs nesse mesmo ano

Eu já havia postado meus objetivos, a convite do Ibrahim, mas fui bem largado, verdade. Sou rapaz direito, então vou postar novamente a pedido do meu amigo do Espírito Santo, Lino Resende.

Falando sério:

  1. Vou noivar;
  2. Vou tirar habilitação de automóvel;
  3. Vou ler mais que ano passado;
  4. Escrever, idem;
  5. (o quinto ítem é o principal, pois dele dependem as resoluções acima) Vou ganhar algum dinheiro, juntar e tal. Preciso ter alguma garantia financeira fazendo o que sei fazer – e para o que estou estudando: escrever. Eu gosto, mas não dá para ser um jornalista trabalhando com administração, francamente.

*

Eu havia prometido à Fernanda que escreveria um post sobre o assunto, mas o tempo anda parco. Mas comento aqui. Lino, Inagaki e outros já postaram a respeito, e não tenho que falar muito, mas ressalto: os blogs estão se tornando deveras importantes. Além de formadores de opinião, eles estão sendo cada vez mais reconhecidos como ferramentas de mídia e criadores de conceitos. A exemplo, o blog Oficina de Estilo, das consultoras de imagem Cristina Zanetti e Fernanda Resende, foi oficialmente credenciado pelo SPFW para realizar a cobertura da próxima edição do evento. Mais no blog das moças.

Je suis Blasé

Permitam que eu não fale do caso YouTube/ Cicarelli. Já cansou e, no fim das contas, não deu muita coisa mesmo. Já desbloquearam a coisa toda.

***

Tempo tresloucado por aqui: sol do 5º inferno pela manhã e, agora, está para desabar o céu lá fora. Digo, muita chuva, no duro mesmo.

***

E deixem eu indicar o blog do “jovem economista kantiano observa o mundo, dois parágrafos de cada vez.”

Meus clichês

Então o Ibrahim mandou-me um e-mail convidando-me a escrever sobre os meus planos para este ano. Okay: (Não farei tópicos) Primeiro, ficarei rico. Bom, não tão rico. Mas ganharei algum dinheiro, isso sim. Afinal, tenho muito o que fazer – coisas relativas a meu noivado oficial, casa e carro (Deixem-me com minha utopia). Também vou ler muito. Pretendo ler mais que ano passado, que, diga-se, não foi um ano ruim. E escrever. Não só aqui no blog, mas noutros meios também. E vou continuar evitando os chatos e os funkeiros, assim como em 2006. Não converso com quem ouve funk. Não olho para quem ouve funk. Não tenho nenhum tipo de relação com quem ouve funk. E também tenho asco de quem mexe o pezinho ao som de…vocês sabem. Este ano vou ser também um aluno exemplar na faculdade. Em verdade, sempre o fui, mas no último semestre eu estive desmotivado com a coisa toda, o que resultou num trabalhinho especial. Vou continuar não participando de amigo-ocultos, vou continuar não tomando sol e continuar mantendo as cortinas do meu quarto fechadas – aliás, cortinas servem para ficar fechadas, do contrário elas tornar-se-iam obsoletas. Quanto à minha barba ruiva, não sei se a deixo crescer. Natália não gosta. Mas seria uma boa mudar esteticamente. Continuo cínico, irônico, sarcástico. Mas não sádico, eu não sou sádico.

Crise

Eu estava com crise de indentidade blogueira, não sabia que layout usar. Mas agora vai.

Books of year

Vou tentar listar os livros que lí em 2006. É bem provável que eu esqueça de citar alguns, mas vale a intenção – sem pieguice:

  • Salambô, Flaubert;
  • Leviatã, Hobbes;
  • A República, Platão;
  • A Ilha, Huxley;
  • O Documento R, Wallace;
  • Intenções, Wilde;
  • O que é Semiótica, Santaella;
  • O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão, Walter Benjamin;
  • Furacão Sobre Cuba, Sartre;
  • Tristessa, Kerouac;
  • Sidarta, Hesse;
  • Felicidade, Hesse;
  • O Elogio ao Ócio, Russel;
  • 1984, Orwell;
  • A Revolução dos Bichos, Orwell;
  • O Sol também se Levanta, Hemmingway;
  • Macbeth, Shakespeare;
  • O Óbvio Ululante, Nelson Rodrigues;
  • Cândido, Voltaire;
  • Sonhos de Bunker Hill, Fante;
  • Preacher, Ennis;
  • Reconhecimento de Padrões, Gibson;
  • Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams;
  • Prosa, Manuel Bandeira;
  • A Sangue Frio, Capote;
  • Um Amor de Swann, Proust (Ainda lendo).

Claro que aqui não entram aqueles que não terminei de ler. Os que lí para a faculdade, óbvios demais. E também não posto aqui aqueles que esqueci, claro. Quando lembrar d’outros, faço uma atualização. Todos os supracitados foram lidos, não necessariamente na ordem em que aparecem.

Desejo-lhes vinho, champanha e literatura. E um bom fim.

Pesquisa Verbeat sobre a Blogosfera

“Se você chegou até aqui é porque, de alguma forma, blogs fazem parte do seu mundo. E por fazer também parte do nosso, é que esta pesquisa é uma realidade. Um dia acordamos de saco cheio de ouvir por aí que blogs são isso, ou são aquilo. A gente acredita que ninguém melhor para falar sobre blogs do que aqueles que estão dentro da blogosfera, e que já estava na hora de a gente conhecer um pouco mais sobre nós e essa tal blogosfera.”

Peixe Grande

Фотограф Олег Трэшер

Férias. Eu quero férias.

***

Indico: O Hermenauta

Últimos Suspiros: “Deixem-me morrer em paz!”, disse Voltaire. E empacotou.

Remexendo aqui nas minhas papeladas, encontrei um número da já extinta revista Bundas, mais especificamente a número 21, de novembro de 1999. Lembrei-me imediatamente de um ótimo texto de Sérgio Augusto sobre os últimos suspiros de gente famosa, nela publicado. Não sei se se o encontra por aí, então reproduzo-o aqui, digitado, letra por letra:

Pé na cova

Nunca fui de colecionar objetos de forma obsessiva e sistemática. Ao contrário da maioria dos meus colegas de infância e adolescência, não me rendi à tentação de juntar, com desvelo, flâmulas, postais, estampas Eucalol, selos, moedas e caixas de fósforo. Guardei, sim, um monte de gibis, revistas e recortes, preferindo investir meu tempo e minha energia em algo que, se bem praticado, pode ser, segundo Walter Benjamin, uma arte: fazer anotações. Escrever é fácil, difícil é fazer anotações. (Esta eu anotei de memória, saindo quentinha da boca do Ivan Lessa.) Se vício de jornalista, não sei, pode ser. O fato é que, desde a mais tenra idade, eu anoto. Não tudo, mas um bocado de um bocado de coisas, que mais cedo ou mais tarde eu acabo compartilhando com vocês. Hoje, por exemplo, vou compartilhar com vocês a minha coletânea de últimos suspiros. Sim, eu poderia ter escolhido outro tema – as grandes gafes da história, as mais hilariantes mancadas do cinema, da ciência e da locução esportiva, as mais ridículas rimas da poesia, os mais fulminates passa-foras de todos os tempos, as primeiras e últimas frases  mais brilhantes da literatura, os trechos mais pernósticos e obscuros da sociologia e da teoria literária, as mais estapafúrdias desculpas de gente famosa para não tomar banho todo dia, etc. – mas, em homenagem a finados, optei pelas derradeiras palavras comprovadamente pronunciadas por figuras famosas em seu leito de morte.

Por ordem de entrada em cena, ou melhor, de saída de cena, Sócrates é o primeiro da lista. Ao abrochar a clâmide (naquele tempo, 399 a.c., não se abotoava o paletó ainda), ele disse a Crito: “Eu devo um galo e Esclépio; você vai se lembrar da dívida?”. Tamanha insipidez só ganhou posteridade por ser antiquíssima e socrática. Sabe-se que Platão morreu (em 347, a.C.) agradecendo ter nascido homem, grego e no século de Péricles, mas ninguém anotou sua lapidar despedida, se é que de fato foi lapidar. Tão lapidar quanto a de Nero (68 d.C.): “Que grande artista morre dentro de mim!”. Também há controvérsias sobre as últimas palavras de Rabelais (1553). Uns dizem que foi “Estou indo para o grande talvez”. Prefiro a outra: “Desçam as cortinas, a farsa acabou.”

Rosseau e Voltaire morreram n0 mesmo ano (1778). O primeiro despediu-se mais, digamos, pomposamete (“Vou ver o por do sol pela última vez”) do que o segundo (“Me deixem morrer em paz”). Mas não tanto quanto Diderot, que ao bater as botas, seis anos depois, parecia estar no meio de uma conferência e não com o pé na cova. “O primeiro passo rumo à filosofia é a incredulidade”, pontificou o enciclopedista, e em seguida apagou. Dos poetas ingleses do século XIX, nenhum, nem mesmo o exuberante Byron, esticou as canelas tão teatralmente quanto o tuberculoso John Keats (1821). Nos braços do pintor Joseph Severn, ouvindo uma sonata de Brahms, balbuciou: “Graças a Deus ela chegou. Já sinto as flores crescendo em cima de mim.” Byron apenas anunciou, em 1824, que ia ou tinha de dormir – e nunca mais acordou.

A despedida de Goethe (1832), citada a torto e a direito, talvez seja a mais célebre de todas: “Mais luz!”, pediu ele, súplica que o escritor americano O. Henry repetiria 78 anos depois: “Ascendam as luzes! Eu não quero ir pra casa no escuro.” Outro alemão, Hegel, que desencarnou um ano antes de Goethe, também deu um show, sobretudo de niilismo: “Só um homem conseguiu me entender… e ele não me entendeu direito”. Não foi menos incrédulo que o farewell, de James Joyce (1941): “Será que ninguém me entende?” – se é que eu entendi o sentido da frase original: “Does nobody understand?”

Em matéria de desespero, raros defuntaram como Edgar Allan poe (1849), segundo alguns, implorando que Deus tivese pena de sua “pobre alma”, e, segundo outros, rogando a um amiogo que lhe estourasse os miolos com uma pistola. O escritor Hector Hugh Munro, vulgo Saki, nem precisou implorar por um tiro, já que morreu do balaço de um franco-atirador durante a Segunda Guerra Mundial. Suas últimas palavras? “Apague a porcaria desse cigarro”. O franco-atitador estava fumando, na escuridão da noite.

O historiador e filósofo escocês Thomas Carlyle (1881) desdenhou a morte: “Então morrer é assim? Ora…” – e mais não disse. Algo parecido murmurou Henry James antes de bafuntar, em 1916: “Então é isso, enfim, as coisas distintas…”. T.T. Barnum, o mais célebre dono de circos e mafuás do mundo, nem se deu conta de que estava prestes a bater o prego. Numa noite de 1891, perguntou: “Como foia a venda de ingressos hoje no Madison square Garden?”, e entregou sua alma a Deus. Oscar Wilde provou até o fim (1900) que era um frasista de gênio: pediu champanhe, disse que estava morrendo como sempre vivera, além de suas posses, e empacotou. Tolstoi (1910) expirou perguntando sobre como morriam os camponeses e D.H. Lawrence (1930) dizendo para a enfermeira que estava se sentindo melhor. Bernard Shaw (1950) não se deixou enganar e sobre a enfermeira que dele cuidava despejou a seguinte imprecação: “Você está tentando me manter vivo como uma curiosidade, mas eu acabei, estou no fim, estou morrendo”. Estava mesmo.

José Veríssimo, um dos seis amigos que acompanharam os últimos minutos de Machado de Assis (1908), jura que o bruxo do cosme velho comentou que “a vida é boa” antes de dar seu último suspiro. Por muito tempo pensei que Graciliano Ramos (1953) tivesse ido desta pra melhor passando a mão no rosto de sua mulher, Heloísa, e murmurando “Mamãezinha”, mas um recém biógrafo assegura que suas derradeiras palavras foram “Estou acabado”. Sérgio Porto (1968) apagou pedindo à empregada de sua mãe que não olhasse pra ele, prova de que nem todo humorista morre fazendo piada. José do Patrocínio Filho era um tremendo gozador e nem quando esticou o pernil, em 1929, franziu o cenho. Condenado pelos médicos a tomar leite humano, pois mais nada o apetecia, à primeira demonstração de dificuldade da enfermeira para por numa colherzinha o leite extraído dos alvos e belos seios de uma ama-seca, Zeca abriu um olho e sugeriu: “Doutor, não é melhor eu mamar?” – e nem sequer para mamar abriu mais a boca.

Blasfêmias Oficiais

Não sei bem onde começou, mas lembro-me de ter lido algo do tipo num blog americano, que também não sei qual. Mas isso não interessa. O negócio é que o assunto chegou por aqui. Lí primeiro no blog no Cleber, e agora o meme me foi passado pela Evelyn, de cujos textos gosto muito. É simples: devo escolher três escritores que, por uma razão ou outra, desisti de ler. É blasfêmia na certa, mas é aí que reside o quê da coisa toda. À questão:

  • Graciliano Ramos: Por Deus, eu não consigo ler o alagoano por nada neste mundo. Meus ex-professores me excomungariam, eu sei. Assim como há muitos aí fascinados por Vidas Secas e Angústia – duas de suas principais obras – que, se pudessem, armariam-me um cerco numa esquina escura. Tentei ler quando cursava o Ensino Médio, tentei ler para a ocasião em que prestei vestibular, e nada. Meus motivos para não conseguir lê-lo não são nada especiais. Em verdade, digo que acho um porre, digo, uma chatice seus livros, sua linguagem, seu estilo. Ah, também detesto seus neologismos. Já cansou.
  • D. H. Lawrence: Eu sei, sei que esta é uma blasfêmia das grandes, uma heresia, quase. Mas o que vale é a veracidade dos depoimentos preconceituosos. Sempre lí literatura inglesa; gosto da pompa, dos trejeitos, da língua. Mas Lawrence eu não consegui. Tenho em minha estante um exemplar de Women in Love – que é considerado seu romance mais importante – que já tentei ler umas duzentas vezes. Não dá. Este romance despertou em mim o preconceito por toda a sua respeitadíssima obra, de modo que nem perdi meu tempo tentando ler Lady Chatterley’s Lover.
  • Vladimir Nabokov: Okay, confesso que amo Lolita. Sou homem e, no fundo, tenho algum instinto primitivo que não me permite qualquer aversão ao tema que Vladimir abordou. Ví os filmes, reagi às imagens e comprei o livro. Tentei, tentei, tentei. Mas não passei da metade. Não tenho certeza se foi culpa da linguagem ou da tradução. Não gostei do rítimo. Não gostei da estrutura. E também não me agradam livros estilo diário, e Lolita tem um pouco disso. Gosto de Lolita (s), mas desisti do autor.

É isso. Repasso o meme à amiga Mariana, à Fernanda,  à Tina, à Alessandra, ao Lino e à Caroline.

O presente não existe

O presente é uma falácia. O que chamamos de tempo presente é tão relativo, tão fugaz. Esse condicionamento barato. Essa psique alterada. Eu digo que só existem dois tempos: o passado e o futuro. Vamos, faça o teste. Diga “agora”, e quando terminar a palavra, ela já será pretérito. Pense em fazer algo. Planeje o futuro. E, ação realizada, ela deixa de existir no futuro e passa a fazer parte do passado. Mas e o exato momento em que se realiza a ação?, você se pergunta. Eu digo que tal momento é um fenômeno. É a exata transição temporal, extremamente sutil. Penso em escrever essa frase e, a cada palavra, cada letra digitada, vejo o passado tomando aquilo que era futuro. Vêem? A concepção de “presente” nos vale para alimentar filosofias clichês como “viva intensamente”, “viva o presente” e “consuma hoje, você pode não estar vivo amanhã”. O presente consola pois “o hoje nos pertence” e, além dele, não possuímos mais nada. Uma ova! Se há alguém aí com provas de que esse tal “presente” existe, por gentileza, reportem-me.

Post Scriptum

Hoje não tive lá muito tempo. Queria falar de Camus, de Hemmingway, de Orwell, de Proust, de Salinger, de Wilde… mas é parco o meu tempo, hoje.

(*Continua)

Minhas Olheiras

Hoje é sexta. Olho-me no espelho, a visão turva,  e vejo. Minhas olheiras contam uma história. Uma história de sono parco, de demasiada fadiga, de quem já se encheu com  a semana e só quer nada, fazer nada, deitar numa rede a mente e balançar, a esmo, mesmo. Essa história, que não é nem bonita nem é feia, não é para ninguém em especial, não é para os pósteros nem nada, não é para os Direitos Humanos; essa história – historinha -, eu conto é pra mim mesmo. 

Blasè Vintage

so pure such a impression...

Frio. Céu avermelhado. Cabelos atrapalhados. B.R.M.C.. Mãos geladas. Iogurte. Sonic Youth. Vogue Homem. L’acqua di Fiori. Sartre. Sono. Folha de São Paulo. QL. PEPN. Pão de Forma. Toddy. Beleza Americana. Dogville. Fotografia. Almoço em casa. Cortinas. All Star branco. Informalidade. Paixão. Trivialidade. LPC.

Hoje não dá.