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Os ateus não têm mais classe

*trilha: Marylin Manson

 Essa gentinha me irrita. Não vou tratar aqui dos motivos todos que levam um homem (?) contemporâneo a dizer-se ateu, mas cito uma: a má educação religiosa. Em famílias católicas – não que em protestantes seja muito diferente – é hábito fazer com que os filhos participem do catecismo – aos 7, 8 anos –  na igreja mais próxima, façam a primeira comunhão e, fechando o cilco, crismem – geralmente aos 14, 15 anos. Ou seja, o ensino termina exatamente quando as dúvidas começam. A não ser que o indivíduo seja muito crente e queira se tornar vigário, após a crisma é só perdição. Exagero, mas é para melhor compreensão. Há aqueles cuja mente é ainda imatura para desenvolver quaisquer dúvidas e voltam para casa sentindo-se abençoados e salvos, no céu. E há os que perguntam – Por que Cain matou Abel? Adão tinha umbigo? – mas não têm quem lhes responda. Naturalmente, tais questionamentos são muitas vezes esquecidos. Ou, ainda, tornam-se impulsos positivos, permitindo às mentes inquietas buscar conhecimento e respostas – assim nascem os teólogos. E há a pior raça, que, hoje, vê-se em todo centro urbano, nas esquinas, de preto, com um cigarro barato entre os dedos imundos e um crucifixo de ponta a cabeça pendurado no pescoço: os (pseudo) ateus. Ateu é aquele que não crê em Deus. Que o renunciou assim que soube que ele poderia existir. Ou que não sabe nada mesmo, ignorante como uma porta.

Tenho algumas, mas faço duas considerações a respeito: a) ateu não usa crucifixos no pescoço, nem de ponta a cabeça nem em posição alguma; b) ateu não clama o nome de Deus quando sob ameaça ou temor – aliás, deixem-me reiterar, que gentinha! Passam a vida afirmando, para quem não quer ouvir, que Deus não existe sem que tenha o menor argumento p’ra isso e, quando atacados na rua por um cão, saem a murmurar “ai, meus Deus!” Então vocês pensam: “Ed, quem usa crucifixo ao contrário não é ateu, é anticristo”, e vos digo: essa gente não sabe a diferença. Têm a imaginação mui subdesenvolvida, são quase bestas – não a do apocalipse, que eles já ouviram falar mas também não conhecem.

Os descrentes perderam a classe. Eram ateus respeitáveis: Nietzsche, Denis Diderot, Lord Byron, Voltaire, Jean-Paul Sartre, Schopenhauer, Bertrand Russel, Freud, entre outros. Bons tempos esses em que, até para duvidar, fazia-se necessária alguma inteligência:

“A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana.”              Sigmund Freud

“O Universo não apresenta qualquer evidência de uma mente dirigente (…) Todos os bons intelectos têm repetido, desde o tempo de Bacon, que não pode haver qualquer conhecimento real senão aquele baseado em fatos observáveis.”     Auguste Comte – Filósofo francês

“Mesmo hoje, eu acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Todo Poderoso Criador: me defendendo dos Judeus, estou lutando para o trabalho do Senhor.” Adolph Hitler – Mein Kampf

“Não somente há deus nenhum, mas tente achar um encanador em fins de semana.” Woody Allen – Diretor, ator e escritor americano

Hoje os idiotas dizem que não crêem em Deus porque querem impressionar, chamar a atenção, ser “diferentes”. E realmente o são: tão diferentes que mal têm consciência do próprio lugar no mundo – físico, digo; pois dizer intelectual seria querer demais.