Archive for the ‘Despolitização’ Category

escusa

Ah, sim. Fiquei muitíssimo feliz com a vitória da direita na França, senhores. E é só.

Vergonha da classe

Uma historinha verídica: amigo meu, bêbado, num bar, ao ver passar um cabeludo com uma camiseta com estampa do Che Guevara:

__Ô, esquerdinha! (gritando)

__Quando você deixar seu cabelo crescer, venha falar comigo!

__Pensei que estávamos falando de política…(sussurrando)

Eu também era de extrema esquerda até há uns anos, quando adolescente. Lia Marx e dava tudo por uma camiseta com estampa do Che – peça que, hoje, se vejo alguém usando, sorrio sarcástico. Não é que com o tempo nos tornamos direitistas; é que, com o tempo, vemos o quanto nossos professores falavam sério quando diziam ser o comunismo nada mais que utopia. E com extrema esquerda quero dizer que eu não comia na Mc Donald’s, lia Caros Amigos e colocava a culpa no sistema.

Francamente.

Wit

O restaurante no qual eu almoço é caro porque a proprietária é escocesa e dá aula de inglês para marmanjos. Eu com isso? Ora, eu pago por isso. E no Brasil as coisas são mesmo assim: a gente vive pagando por assuntos que não nos competem. Só para citar um assunto recente – e me desculpem por estar falando de política; sei da deselegância disso -, a exemplo, o governinho quer usar o fgts do povinho para a realização do Plano de Aceleração do vocês sabem o quê. E pergunto: o pt tem a idéia magnífica e nós é que pagamos por tal? Acho melhor então um governo sem idéias, no piloto-automático. É isso, coloquem esse governo no piloto-automático. E me dizem “mas esse já não é um governo sem idéias?” Não, o pior é que não. A esquerda é cheia de idéias. Os barbados e bigodudos Lêem Marx e ficam cheios de idéias, as mais variadas. E neste ponto ouço sussurros aos meus ouvidos a dizerem que toda idéia é mesmo arriscada, que há de ser assim. Tudo bem, vá lá, que se arrisquem, ora, eu não ligo. Mas, e eu com isso?

07.02.07

Clodovil chamou Chinaglia de mal-educado, como se todos no plenário fossem educadíssimos e letrados.

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Na China já estão à venda balões em formato de porcos rosas em homenagem ao ano do suíno, que começa no dia 18. Agora você entende porque no Brasil vendê-se balões de todos os formatos, de todos os bichos.

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E outro pacote-bomba explodiu na Grã-Betanha. Que medo do PAC.

Emagreça dormindo

“A maior parte das frases de efeito e de mentiras por vaidade que foram gastas desde que o mundo é mundo por pessoas a quem estas apenas diminuíam foram empregadas com inferiores.”

Proust é confuso. E o faz propositalmente, a fim de enganar o inimigo. Mas o que ele quer dizer é simples: quem usa frases de efeito só o faz perante pessoas que considera inferiores. Ou, ainda, que pessoas importantes só fazem questão de assim parecerem na presença de humildes. Imaginem só o embaraço de um burguês ao ser confundido com um prole por um prole. Já entre ilustres, tal preocupação é inexistente. Noutras palavras – como posso dizer? -, os Sus scrofa se reconhecem entre sí – pelo cheiro. 

O elogio ao ócio

             “Acho que as pessoas trabalham demais hoje em dia”, frase dita pela primeira vez em 1935 pelo filósofo Betrand Russel, traduz perfeitamente o meu sentimento em relação às sociedades contemporâneas, ditas civilizadas. À medida que o homem deixou de trabalhar para viver e passou a viver para trabalhar, houve uma queda exorbitanete da capacidade criativa do indivíduo, que, hoje, não é mais livre para fazer coisas de que realmente goste. Por que isso acontece? Imagino a obviedade desta resposta, nos dias de hoje. O modelo político regente é como uma bota sobre as nossas cabeças. Mas não é meu desígnio, aqui, fazer bravata contra um ou outro modelo de Estado, tampouco idealizar uma política libertária, que nos vá amparar.

            O ócio atualmente é visto com maus olhos, como vadiação, mediocridade e, principalmente, como sinal de miséria. Esquece-se, porém, da importância da despreocupação e da diversão na educação de um jovem, por exemplo, ou de como o ócio foi (e é ) essencial à literatura e à filosofia. Imagine-se Sócrates e Platão operários numa sociedade capitalista, com jornadas de 8 a 12 horas diárias, e dê adeus à filosofia de séculos. Aqui, gostaria de ressaltar um ponto crucial ao entendimento do meu texto. Quando os pensadores gregos, após anos de dedicação, finalmente conceberam suas obras, eles pensavam em angariar algum tipo de lucro? Não. Esse pensamento de que de que o trabalho lucrativo é o principal objetivo da vida é um erro, e Russel nos alerta sobre isso: 

A idéia de que as atividades desejáveis são aqueleas que dão lucro constitui uma completa inversão da ordem das coisas.           

E ainda: 

O que essa gente esquece é que as pessoas geralmente gastam o que ganham e gastando geram empresgos. Quando uma pessoa gasta seu rendimento, está alimentando com este gasto tantas bocas quanto as que esvazia com seu ganho.O verdadeiro vilão, sob este ponto de vista, é o indivíduo que poupa. Uma das maneiras mais comuns de se aplicar a poupança é emprestando-a ao governo (…). Melhor seria, obviamente, que ela gastasse seu dinheiro, mesmo que fosse no jogo ou na bebida. 

            Esta visão não tem o objetivo utópico de eliminar o trabalho, mas fazer pensar uma reestruturação, baseada nas possibilidades abertas pelos modernos métodos de produção. O “conhecimento inútil” é o objetivo do ócio, e mais pessoas deveriam ter a chance de praticá-lo. Diz a história: o viajante que, ao ver doze mendigos deitados ao sol, em Nápoles, disse que queria dar uma lira ao mais preguiçoso. Onze se levantaram para disputá-la, e então o viajante a deu ao décimo segundo. Foi uma decisão acertada.

Muro de Berlim que nada


“Saddam Hussein achou genial a decisão de Bush de construir um muro para manter mexicanos longe dos EUA. Lamentou não ter tido a idéia antes no Iraque para impedir a invasão americana.” ( Tutty Vasques ) 

O Óbvio Ululante

Já disse que estou lendo o Óbvio Ululante, de Nelson Rodrigues. Estou me esbaldando. A crônica que lí ontem, indo pra casa tarde da noite, é uma que fala de como os idiotas estão dominando o mundo. Há um trecho em que ele cita Mao Tse – ” Se a bomba atômica matar 400 bilhões de chineses, ainda sobrarão outros 400 bilhões”, ou algo assim – e comenta: “Com um piparote, o idiota mata metade da sua nação e ninguém diz nada. Coisa normal matar 400 bilhões de pessoas. Estranho mundo idiota.” Que ele chamou Mao Tse de idiota, não é necessário ser dito. Mas e no Brasil? E quanto à idiotice dominante neste país? Quem é mais idiota? O Governo ou o povo que o elege?

Leroux Shakespereano

Estava no ônibus, tentando dormir. Atrás de mim, um rapaz e uma moça conversavam. Os assuntos mais diversos: trabalho, livros de Dan Brown, filhos, roupas, e filmes. Nesta parte acordei, definitivamente. A moça, que falava com a maior propriedade sobre todos os temas, começou a citar seus filmes diletos e os últimos que havia assistido. Num certo momento ela diz:

___ Nossa, assisti ao O Fantasma da Ópera, de Shakespeare (…)

Quase me virei para dar-lhe um soco, ou coisa que o valha.  Não preciso nem falar da honra dos escritores que ela envolveu, pois eu, eu, fiquei ofendido.

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Ainda hoje, no caminho para o trabalho, ví algumas daquelas placas de campanha do Geraldo Alckmin feitas de casa, lar, por moradores de rua. Votos ganhos.

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Ontem comecei a ler O Óbvio Ululante, de Nelson Rodrigues. Cinismo essencial.

Debate de Pilhérias

Debate entre candidatos a senadores do estado de Minas Gerais 

Foi realizado no dia 02 de setembro de 2006, na Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, campus Prado, o debate entre os canditados mineiros ao senado. Os convidados foram Newton Cardoso (PMDB), Eliseu Resende (PFL), Omar Peres (PDT) e Ronaldo Vasconcelos (PV), dos quais somente os dois últimos compareceram.  Além dos candidatos, compuseram a mesa de dabates o diretor geral da faculdade Estácio de Sá, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira; o professor, coordenador do curso de jornalismo e idealizador do debate, Carlos Alberto dos Santos; o coordenador do curso de direito, José Alfredo e os jornalistas Marcelo Freitas e Patrícia Aranha. 

Em sua apresentação,  Omar Peres, 49 anos, presidente das Organizações Panorama, em Juiz de Fora, usou uma pesquisa do Datafolha em que aparecia com 01% das intenções de voto, o que chamou de uma “inverdade”. Aproveitou para atacar o candidato ausente Newton Cardoso, que aparecia melhor colocado na pesquisa. A proposta que sustenta a campanha de Omar é a exigência da cobrança de royalties – direitos sobre produto –  pela extração dos minérios de Minas. Ronaldo Vasconcelos, 56 anos, engenheiro elétrico e professor na Universidade Ferderal de Minas Gerais (UFMG) não podia ser mais contraditório. Disse apoiar a reeleição de Aécio Neves para o governo do estado de Minas Gerais e a de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da república, e logo após ressaltou que é contra a reeleição em quaisquer cargos. Perguntado sobre o que pretende fazer em relação ao emprego, disse que irá “diminuir a carga tributária”, além de fomentar o turismo, outra de suas propostas. 

O debate, que deveria ter como foco a apresentação das propostas políticas de cada candidato, resumiu-se numa troca de alfinetadas sutis entre os presentes, e ataques – esses nada sutis – aos candidatos ausentes, principalmente a Newton Cardoso (PMDB), numa demonstração pública de ação anti-ética, uma vez que os atacados não tiveran o direito de resposta. Entre outras gafes cometidas, como brincadeiras indevidas, citação de apelidos de candidatos e falta de seriedade. No fim, o que se viu foi um debate de pilhérias.                                                                                                       

  Edson Junior