Archive for the ‘citação’ Category

Um lema

“A realidade é chata, mas é ainda o único lugar onde se pode comer um bom bife.”

Woody Allen

Oh, os portugueses

Ainda que eu não acredite que eles tenham “descoberto” este país, há uns bons escritores portugueses que vêm chamando a atenção. O Cleber me apresentou na última semana o Pif-Paf, blog de Tiago Galvão, um gajo que tem muito a dizer – e o diz muito bem. Leiam por si mesmos, criaturinhas:

Sacaninha: J. D. Salinger é um sacaninha. Descobri The Catcher in the Rye, por mero acaso, enquanto procurava bom Jazz. Depois de uma dezena de páginas de uma biografia inútil de John Coltrane, seguido do morfanço glutão de dois hambúrgueres caseiros com meio quilo de queijo da serra cada, começo a leitura do Salinger. A verdade é que não sou um leitor muito sofisticado. Devoto da Experiência de Ler de C. S. Lewis, sou um excomungado. Ponho os senhores do Jazz como barulho de fundo, deito-me na cama, sobre uma almofada gigante comprada de propósito para o acto e, enquanto arroto batatas fritas, abato em pacotes aquilo que aumento em peso. No fundo, sou um porco, desde bolachas a tripas à moda do Minho ressequidas vai tudo para o bandulho. Digamos que a minha Experiência de Ler é todo um programa de engorda (Não contem: na adolescência, enquanto lia Eça, chegava a tocar uma nas descrições).

Mas vamos ao que interessa: Salinger é um filho da puta. A gente começa a ler, a gente começa a gostar, nos três primeiros capítulos, o gajo dá-nos uma boa piada por página como se de heroína se tratasse e, quando damos por nós, o livro acaba e estamos completamente viciados. Solução? Esquecer Salinger rapidamente, rezar para que os autores seguintes não saiam muito afectados e ler um livro de merda pelo meio para atenuar a comparação. Mas vamos ao fundo da questão, ao cerne da minha tese, ao busílis da minha dúvida metafísica (sempre desejei ter a eloquência de Cícero e dizer coisas à Prado Coelho), ou seja, a filha da putice de J. D. Salinger. Recuperado do choque e da falta de mais Salinger´s para digerir, contei sobre o senhor a amiga de confiança. A senhora, curiosa, faz pergunta central: «sobre que era o livro?». «O quê?», estranho eu. «A história, qual era a história?». Não há. A verdade é que não há história, não há enredo, não há nada. Só boa escrita. Só o bom do Salinger a passar duzentas páginas à frente da nossa cara a dizer: «olha como eu sou bom, olha como eu sou bom, olha como eu sou mesmo mesmo bom». E era. E é. Salinger limita-se a escrever bem. É preguiçoso e filho da puta, e escreve bem.

De resto, cada livro do senhor é um ponto a favor da saúde mental de qualquer indivíduo. Mark Chapman, inspirado por The Catcher in the Rye, esvaziou uma trinta e oito na peitaça de John Lennon. Eu mesmo, dotado de uma incomparável lucidez, a meio do livro, já engendrava planos deliciosamente maquiavélicos para dar um tiro nas nádegas do Al Gore, abrir a aorta da Hillary Clinton e mirar uma caçadeira na boca escancarada da Angelina Jolie. “

About me

“O SemiÓtica é um dos melhores blogs por conseguir se destacar nunca indo pelo caminho mais fácil da linkania desvairada e seguindo por um terreno perigoso e muito díficil: ele registra pensamentos próprios.

Pode ser radicalismo, mas tenho a impressão de que o mau gosto da sociedade é culpado pelas injustiças sociais, pelos políticos corruptos, pelo analfabetismo presidencial, por leis como a Rouanet e por best-sellers como Sabrina.

Postagens que eu destaco: Como fazer a diferença com blogs, eu acho que sempre suspeitei de que o amor é uma falácia mas este texto confirmou, uma crítica aos ateus dos dias de hoje e uma questão lógica para terminar.

SemiÓtica
De:Ed
Primeiro post: 09/07/2006
No Technorati

Daqui: 1001 Gatos.

Waits

“Her hair spilled like root bear.”

Tom Waits

Só por dizer

Manhã de quinta-feira e minhas olheiras chegam às minhas orelhas – sem trocadilho.

Então, porque o coração gasta-se, é que escrevo. Poderia escrever a esmo, a qualquer outro, ou a outro qualquer, mas é essa magnetização – de imã – que me faz pender a este lado. E dizem que se morre aos poucos logo depois que se nasce.  Morro um pouquinho todos os dias, a cada momento mais, principalmente pela manhã, ao acordar. Aliás, esse acordar é quase um morrer, de tão doloroso, de tão triste, de tão mórbido, mesmo. Morro muito pela manhã. Aí vivo durante o dia. Só não espere que eu venha com papo de luz do sol e tal, eu é que não; não gosto da luz do sol. Nem é a luz. É a temperatura da luz que me incomoda. Então trabalho muito, à sombra. Aí vem faculdade, bate aquele cansaço e a vontade de apertar o fuck-you no teclado. Mas isso é charme que só, porque não se tem esse luxo. Isso é outra coisa. Aí morro mais um pouquinho à noite, tarde da noite, quando já não dá mais. E durmo e acordo pra morrer mais uma vez. E assim é que se vive a vida: morrendo aos pouquinhos para se viver um pouco melhor.

Quê dizer mais? Dormi com a Introdução à Economia ao meu lado e tive sonhos de grandeza.

Mnemósine

Voltaire escreveu isso há quanto tempo mesmo?

“Aquele que está disposto a matar pela sua fé é um crente falso. Persegue os outros porque não tem certeza em sua crença. Um cientista nunca se disporá a lutar pelos fatos que aponta. Nenhuma guerra foi originada pela solução de um teorema geométrico. Mas os padres têm a arrogância de assassinar seus semelhantes por um sistema de teologia que não passa de um mito  e por um conjunto de dogmas que não são mais que opiniões. Tais homens são lunáticos perigosos, e sua atividade perniciosa deve ser represada a todo custo.”

A reminder

Um belo texto aqui: 

“A Internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno, barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito. O sujeito do Baixo Leblon coloca logo abaixo do texto: “Adolpho Bloch nunca disse isso, e posso provar” – seguido de nove parágrafos com citações, inclusive, do próprio Adolpho Bloch dizendo que nunca disse isso. Logo abaixo, uma mensagem do molequinho de Mogi das Cruzes: “Hua hua hua hua! O cara mentiu malandro! Se liga mané!!!!!!! Valeeeeeeuuuuuuu!!!!” ” (Alexandre Soares Silva)

E uma bela resenha aqui:

“Como eu tenho o péssimo costume de não falar sobre sexo, vivo procurando outros meios para me destacar e claro que nunca consigo porque é realmente difícil competir a atenção com alguém que está sem as calças. Não é verdade? Todo mundo acha muito legal, muito descolado falar sobre sexo na frente dos outros, muito natural, porque, alôoo, estamos no século XXI e etc., mas eu acho tão inconveniente falar sobre pinto e bunda. Será que só eu acho isso? Será que só eu acho de mau gosto uma conversa sobre pinto e bunda? Pra mim é estranho entender como alguém, tendo todos os assuntos do mundo, resolve falar sobre pinto e sobre bunda. A esta altura, minhas leitoras moderninhas já estão pensando “vai ordenhar vaca, ô puritano filho-da-puta”, mas não é puritanismo, não recrimino o sexo. Só acho que as pessoas deveriam ter a tendência natural de evitar falar sobre isso, como deveriam ter a tendência natural de evitar comer com os pés. Só isso.” (Edward Bloom)

*

Eu vou levando. Ando com a leitura um bocado esburacada, tenho começado alguns livros mas não terminado. Bom, terminei O Caminho de Swann. Lí Biajoni e Galera. Reli uns trechos de Lolita. E falando em Nabokov, estou bastante ansioso para ler Ada ou Ardor. Semana que vem recomeçam as minhas aulas e terei que lidar com economia. Okay. Ótimo.

Minha noiva leu De Profundis, do Oscar, e ficou de me escrever suas impressões para que eu postasse, mas ainda não o fez. Acho que jamais conheci uma mulher que tivesse lido De Profundis, no duro mesmo.

Vou alí almoçar, sim?

Capitain Bauer (e outras considerações)

 

Acir Galvão, um amigo dos tempos em que atravessávamos noites desenhando ao som d’alguma banda grunge década de 90 – sim, tive essa fase -, tornou-se um grande artista. Enquanto o caminho que tomei foi o das letras e do jornalismo, ele tornou-se design e, hoje, estuda Belas Artes, fazendo cada vez melhor o que sempre soube fazer. O que eu queria dizer é o seguinte: ele tem uma teoria – posso dizer teoria? – de que o Capitão América contemporâneo é o Jack Bauer, o herói da cultuada série 24 Horas. Ele explica:

“O Capitão America de hoje não é o Steve Roger: É o Jack Bauer.O Capitão America foi criado não apenas para incentivar adolescentes a se alistarem, Mulher Maravilha não foi criada apenas para levar mulheres às industrias em tempos de guerra e incitar orgulho por parte de seus maridos e filhos que morreram lutando pelo estilo de vida americano. Eles existiram, ACIMA DE TUDO, para ensinar as CRIANÇAS e ADOLESCENTES os conceitos de uma AMÉRICA VITORIOSA contra a ameaça vermelha, mesmo que essa vitória sendo muito mais dos RUSSOS do que da própria América.

Hoje a América precisa justificar seus atos a partir  novos símbolos, novos heróis.Mostrando para os adolescentes e adultos de hoje as justificativas das medidas de retaliação extremas, invasões premeditadas, e outras medidas de precaução como a criação de armas letais em massa.Também estão preparando sua mente para aceitar mortes. Muitas mortes. Morte de pessoas aos montes, caindo como moscas, ainda que por um “bem maior”. Que é justamente o bem maior Deles.

Seria a ficção imitando a realidade?

Os Heróis são símbolos daquilo que é certo e direito. São ícones que, trabalhados de diversas formas, se utilizam de todos os arquétipos do consciente humano para se tornarem referência do conceito de certo e errado para nós mesmos.

Quando todo esse poder é utilizado de maneira irresponsável e egoísta, a crise se tornar algo incontrolável. É completamente possível e correto afirmar que o conceito de CERTO e ERRADO está muito distorcido hoje em dia. Também com heróis como os de hoje em dia, cada um defendendo um ponto de vista muito particular, simplesmente não dando a mínima para nada, não fico surpreso com esse tipo de resultado.Os heróis do novo século defendem a pena de morte. Defendem o roubo. Defendem o homossexualismo (nada contra, mas é um ponto de vista.) Os negros. Os brancos os asiáticos….

Eles deveriam defender o CERTO e o ERRADO:

MATAR é ERRADO, seja quem for. ROUBAR é ERRADO. PRECONCEITO é ERRADO. Ponto final.

Mas se o cara for um estuprador-assassino-ladrão-sonegador-de-imposto-filha-da-puta de marca maior? Se o ladrão estiver roubando para comer? E se o preconceito me defende das pessoas erradas?Os dias estão assim. Esses argumentos existem. E até mesmo os heróis da era de ouro mudaram seu ponto de vista em suas novas interpretações para o novo século. Até mesmo SUPERMAN matou dois caras no seu novo filme. E o pior:  a grande MAIORIA nem percebeu.

A colocação de Edsons Junior é muito correta e não vou me repetir aqui. A questão que fica no ar é:

Quem são os seus heróis? Quem são os heróis dos seus filhos?

É bom começarem a se perguntar isso, e a ver filmes e séries como algo que vai além do entretenimento. Porque é assim que se deve assistir.

E para finalizar sobre Jack BAUER:

Ele é um HERÓI que faz, sem hesitar, tudo aquilo que está ao SEU ALCANCE para salvar o dia, mas, diferente da AMÉRICA que ele tanto defende, ele não ganha ABSOLUTAMENTE NADA em troca… apenas se FODE e fica vivo para salvar mais um dia!”

Call the indians

Fausto Wolff no JB, ontem:

“(…) Países tecnicamente mais bem equipados do que nós estão sofrendo bem mais os estragos promovidos pelas súbitas mudanças atmosféricas. Entretanto, há muito estavam informados dessa possibilidade e montaram suas defesas. No Brasil, se os cientistas informaram ao governo, este não informou a imprensa, que não informou ao povo. Resultado: o Brasil enfrenta a maior catástrofe climática de sua história e nada foi feito para evitá-la. Sugiro que contratem índios – não os que têm muito contato com os urbanóides e correm o risco de serem incendiados – para vigiar à beira dos rios. Assim que a primeira cobra subir correndo numa árvore, é hora de remover as populações ribeirinhas para lugares mais seguros.”

*

Feriado hoje em São Paulo. Sortudos.

(SIC)

Janer Cristaldo:

“Leio que a Conferência Nacional dos Bispos no Brasil posicionou-se contra o uso da chamada “pílula do dia seguinte” por considerar que o médoto pode ser um abortivo. Para o secretário geral da CNBB, Dom Odilo Scherer, a pílula é um método contraceptivo emergencial, ou seja, é uma substância ingerida para impedir a ocorrência de uma gravidez, mesmo tendo havido uma concepção. Deixem de papas na língua, senhores bispos. Digam logo: “Nós, segundo milenar tradição da Igreja, somos contra todos os prazeres que o corpo possa usufruir. Se houver prazer, que haja punição. Sexo, só para procriar. Se alguém quiser ter onze filhos, só tem direito a onze relações durante toda sua vida”.

E todo demais prazer anátema seja!”

Daqui.

Ora!

ohh

 

“A monogamia é como estar obrigado a comer batatas fritas todos os dias.”

Não é verdade, Miller, não é verdade.