Runners dial zero

Oi, olá. Já perguntaram “mas você não estava de férias?”, mas a verdade é que sinto falta daqui. O blog me dá essa impressão de que há algo que vale a pena, pessoas com as quais vale a pena dialogar. Quantos leitores de verdade eu tenho, uns dez? Esse sisteminha do wp me mostra uma média de 400 acessos por dia, o que quer dizer que a) há muito aspirante a semioticista por aí b) que gente à toa, puxa. Meus dias de ócio estão a correr tranquilos, Russel bem que sentiria uma invejinha. Tenho assistido a alguns filmes que estavam na lista, como Boa noite e Boa Sorte, dirigido pelo dude do Plantão Médico; The Prestige; Shopgirl. Assisti mais uma vez a Match Point, do velho Allen, para ver se me saia da cabeça a primeira e má impressão que tive, mas nesse sentido não obtive assaz êxito. Livros: há uma semana terminei o Franny & Zooey, do Salinger, e por esses dias estou lendo o Extremely Loud & Incredibly Close, do neófito Jonathan Safran Foer – um livro grandioso.

Poucos sabem, mas eu tenho um livro. Chama-se L’ange et la Bête, e não é nada religioso. Findei-o há uns dois anos, e o eu atual não o aprova. Eu melhorei, e é preciso melhorá-lo. Conversando com amigos, sugeriram-me deixá-lo como está, pois assim terei uma prova da minha evolução. Mas não sei. Se não o revisar, não há chances de que eu tente publicá-lo. Quem sabe fique guardado para uma edição póstuma? 

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Humanismo: interesse pelo homem, por tudo que ele pode realizar de elevado, profundo e glorioso. Com o humanismo vem também a tentativa de reformar, de “humanizar a prática religiosa, reduzindo a doutrina aos ensinamentos morais de Cristo e abolindo quanto possível as formas rituais exteriores” do culto. O humanista é aquele que, guiado por sua ânsia de absoluto, retorna à filosofia platônica (estou falando demais de Platão, desculpem) e cria romanticamente o seu mundo ideal, mundo que nasce de um processo de idealização. Eu já fui muito humanista, hoje sou um quase-humanista.

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Hoje meu humor não esteve dos melhores. E é por isso que aqui estou a escrever – não, não sou de acordo com o que disse o Vinícius. Escreve-se, sim, em momentos agradáveis; o que acontece é: o cenho franzido dá ao texto umas doses de sangue e vida necessárias.

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Ontem acordei com a notícia de que um familiar fora baleado. Um primo, não próximo o suficiente para me tirar o sono, não suficientemente distante para eu não me tocar. Falei com ele há pouco, e esperamos que tudo vá bem. 

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Há alguns anos eu me correspondia por carta com um ex-professor, escritor e amigo chamado Ezequias Eliud. Numa das correspondências ele escreveu “(…) penso no quanto estamos autômatos. Secaram nossas vidas em louvor ao labor dos dias. Não estamos em direção às luzes; elas nos devoram.” E lamentavelmente é preciso concordar.

12 comments so far

  1. tina oiticica harris on

    Edd:

    Não sei o quê aconteceu. Sua redação está espetacular, sem erros de grafia, clara, precisa. Leio jornais e blogs, sim. Você será jornalista, deve ficar contente.

    O Sarkô vai ser mais implacável que todos. A França é o país europeu onde mulheres têm menos oportunidades, etc. e tal. Fiz um Google alert-Sarkozy. Direto da França.

  2. elisabetecunha on

    Belo texto!
    Espero que tudo fique bem com seu primo!
    E publica esse livro,cara!🙂

  3. Ítalo de Paula Pinto on

    Amigo Edd,

    Será que poderíamos fazer um troca de links dos blogs?

    Aguardo resposta.

    Grande abraço…

  4. Jean Piter Inzaghi on

    Influência…
    Don Edd Wotton
    parabéns!

  5. manoela on

    hard day esse hein… quanto ao seu livro, bom, conselho de metida né, mas acho que ele representa apenas um estágio… a noção de “obra acabada” acaba emperrando nossa produção. Deixa ele pra lá sem deixar, sabe como? Bjinhooo

  6. Caio Marinho. on

    Cara, faz bem um ano que eu quero ler esse livro do JSF. Mothafuckin’ envy is eating ma heart.

    ***

    Fui-me roubado ontem, the mothafuckas.

    ***

    O que é uma ‘Bête’?

  7. ELEN on

    Conheço outro Ed, escritor, amigo meu. Cubano. mando para vc um fragmento traduzido por mim de um pedaço de memorias do subdesenvolvimento,seu livro. Aproveitando que a tradução é também uma crítica, como diria Haroldo de Campos… vamos ver o que vc opina.
    Seeya. ELEN

    …………………………………….
    Tinha a intenção de por a data e a hora cada vez que me sentasse para escrever algo. Acabo de descer para procurar na sala o jornal de hoje; não o encontrei, talvez a empregada o tenha jogado fora. Agora percebo: isso de colocar data é uma besteira, não faz sentido. Hoje para mim é igual a qualquer dia que passou ou a outro que virá Feeling tomorrow just like I feel today… I hate to see that evening sun go down.
    Retirei todas as datas. Se alguma coisa mudar será possível ver pelo que vou anotando. Não tenho que dormir à noite, nem pelas manhãs ir ao trabalho. O tempo agora é um capricho. Quantas convenções a gente aceita sem se perguntar se vale à pena respeitá-las!
    Ontem finalmente fiquei o dia todo em casa. Noemi não veio. Dá uma sensação estranha andar pelos quartos; a casa está se convertendo em uma caverna. Sinto-me ao mesmo tempo protegido e abandonado entre suas paredes. É uma caixa de ressonância quando passam os ônibus e os automóveis pela rua, especialmente o freio de ar dos ônibus, é como um gemido, o protesto do motor. Pensar isso é uma estupidez. As máquinas não se queixam de jeito nenhum.
    Embora eu esteja num quarto andar, sinto-me debaixo da terra. Às vezes penso que é devido à forma que construíram o apartamento; outras, que sou eu. Na sala, como é um apartamento duplex, sinto-me dentro de um poço.

  8. Carla on

    Hoje meu humor não esteve dos melhores. E é por isso que aqui estou a escrever – não, não sou de acordo com o que disse o Vinícius. Escreve-se, sim, em momentos agradáveis; o que acontece é: o cenho franzido dá ao texto umas doses de sangue e vida necessárias.

    Concordo mesmo. Mas sou suspeita, adoro escrever mal-humorada.😛

  9. elisabetecunha on

    Bela semana querido!🙂

  10. Gabriela on

    O livro do Foer é muito bom mesmo, do tipo que faz a gente perder o fôlego em determinadas passagens. Me pergunto se a obra em português não perderia metade da graça da linguagem do menino de 9 anos…
    Acho que nunca antes tinha comentado por aqui, então posso dizer que faço parte da massa de 400 visitantes diários, da categoria de aspirantes a semioticistas😛

  11. kkkarol on

    Você está mais presente no blog do que na realidade…. Te achei vago no telefone hoje?
    Escritor é assim mesmo é????
    Saudades do antigo Ed.😦

  12. João Paulo on

    Infelizmente, somos transgredidos por tantas injustiças, para não sermos coniventes acabamos por nos chatearmos.

    Esse texto é muito reflexivo.
    Parabéns!!!


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