Eu Lírico

Eu sofro de algum tipo de bloqueio intelectual quando em presença de amigos. Muito raramente falo de algo que escrevi aqui, e jamais, jamais digo “entre no meu blog” (e aconselho que façam o mesmo) , e nunca me referi a mim mesmo como blogueiro profissional, que é o que está na moda (E eu acho demodê). Não digo, porém, que amigos meus nunca entraram aqui e me leram. Já. E o resultado é sempre o mesmo: “nossa, você acha mesmo isso?”, “Você está sendo muito radical”, “As pessoas precisam ser mais flexíveis”. Razão? Os amigos não entendem nada de licença poética. Nada. Zero. That’s all. Então prefiro evitar que pessoas a quem conheço pessoalmente me leiam, porque eu morro, juro, morro de preguiça de me ficar explicando. Mas por que amigos não conseguem entender os excessos, as metáforas? Tenho um amigo, ainda jovem (19, creio), que insiste em me ler, ainda que raramente. Ele se encontra ainda naquela fase do Pseudo. Pseudo isso, Pseudo aquilo. E me chama de Comedor de Ovelhas, seja lá o que isso signifique na cabeça de uma pessoa de 19 anos. Então, ele lê alguns textos meus e discorda em tudo, uma beleza. Mas é claro que não contrapõe nenhum argumento, apenas não concorda. E vejam vocês que ele ainda não começou a ler Nietzsche (quando o fizer, será uma tragédia, porque pessoas que não entendem licença poética não podem, de jeito nenhum, ler Nietzsche; começam a levar tudo a sério demais, aliás um erro comum do século XXI).

Então, é isso o que eu queria dizer a vocês: não mostrem, em hipótese alguma, seus blogs a seus amigos (exceto às amigas pelas quais tenham alguma intenção não declarada; elas vão achar o máximo).

24 comments so far

  1. Ingrid Steinstrasser on

    É uma verdade. Tenho poucos amigos que me entendem. E nunca completamente. Entendem somente partes de mim.

    Agora, já pensou se tua mãe lesse teu blog? Acho que a minha ficaria muito chocada se lesse o meu. É até engraçado ficar imaginando as possíveis reações que ela teria.

    Se algum dia tua mãe ler algum texto teu escrito aqui, seja online ou impresso, me conta como foi, ok? Hehehe.

    (Minha mãe não me reconheceria, não acreditaria. Diria “Não é possível!”)

  2. elisabetecunha on

    È UMA PENA!

    (É disso que eu estou falando)

  3. Ibrahim Cesar on

    Não mostro para nenhum amigo e tenho até mesmo medo de que me leiam. Meus amigos sempre servem de partida para alguns artigos e tenho medo de que me desmintam e revelem que tudo o que escrevo é fictício.

    (amigos meus também servem como motivo para textos, sempre, sempre)

  4. elisabetecunha on

    Tá nervosinho é?
    calma, calma,calma……………………….🙂

  5. Renata Miloni on

    Ahá, finalmente alguém conseguiu explicar o fenômeno. Tenho de roubar teu post, uns trechos só.😀

    (Okay)

  6. Natália on

    Bom dia!

    Eu leio seus textos, e te entendo. Mas acredite, não indico seu blog para qualquer pessoa, pois tenho medo de que elas fiquem assustadas.

    Até,

    Beijos

    (Ah, amor, você me entende. Mas há pessoas tão sensíveis, né?)

  7. cleber on

    Concordo com tudo que você disse. Acrescento que fico completamente besta quando as pessoas que eu conheço levam ao pé da letra as coisas que dizemos em blogs, as opiniões que ostentamos etc. Eu fico absolutamente horrorizado que as pessoas não sejam capazes de intuir que podemos estar falando artificialmente, como um personagem. Sério, tenho medo de escrever às vezes por causa disso.

    (Olá, Cleber. Eu também fico horrorizado com isso. Prefiro que não me leiam para que eu não seja obrigado a pensar mal dessas pessoas.)

  8. juliana on

    ah meu cristo, e eu até linkei o teu blog no meu.
    [crise de risos]

  9. Edward Bloom on

    Sério que ela vai achar o máximo? Algo no meu coração diz que ela nunca mais vai olhar pra minha cara haha.

    (Ah, Bloom, suas leitoras são sua fãs! hahaha!)

  10. Tatit on

    blogueiro profissional. – na moda, mesmo? eu fui até o topo do texto pra ver de que data que é o post.

    eu morro, juro, morro de preguiça de me ficar explicando. – eu também. o texto, o livro, uma frase, que seja, tem que se bastar por si só.

    As pessoas precisam ser mais flexíveis. – com quê? com quem? …

    no mais, gostei daqui.
    beijo.

  11. Caio Marinho. on

    o.o

    Vinil de Bowie? Oh, my fuckin gawd!

    Too… much… power…!

    ***

    Me ligo: a versão do álbum mesmo e a versão do single, né? Porque era grande demais e cortaram e tudo, que nem ‘Hey Jude’.

  12. Antonio Fabiano on

    Eu resolvi isso colocando o blog na assinatura do e-mail, mas não tenho controle sobre quem tem isso ou não:/

    (Resolveu?)

  13. jorge nobre on

    Nossa senhora! Eu escrevia um monte de piada contra esquerdistas e comunistas, as pessoas ficavam com medo de mim, achando que aquilo era sério.

    E é um fenômeno isso das pessoas concordarem ou discordarem sem saber porque. É coisa de brasileiro ou simplesmente moderno? Eu acho que é mais coisa de brasileiro, se bem que, pelo que leio nos sites americanos, algo semelhante acontece lá.

    Mas porque achar que tem que concordar ou discordar? Não tem que fazer nenhuma das duas coisas, ora. Se não sabe se concorda ou discorda, é porque não se interessa. As pessoas podem muito não se interessar.

    (Também acho que elas podem muito não se interessar =] )

  14. Biajoni on

    d´accords
    :>)

  15. Dr. K on

    Mas você não pode sustentar que X está na moda e em seguida dizer que é demodé.

    Talvez você tenha pensado em declassé.

  16. Ítalo de Paula Pinto on

    Rapaz, não é que sinto-me da mesma maneira que você quando um amigo lê meus artigos? Puta raiva mesmo!

    até mais …

    abraços …

  17. Carolzinha Acefala! on

    Então te pedem para explicar o que você escreve e ainda és chamado de radical? vishi!!!

    um forte abraço!

  18. maria on

    Adorei, Ed, com mil perdões, mas adorei este post e sim, está linkado por mim… Já tenho idade para me perder por Nietzsche, afinal.

    Concordo que é difícil explicar a gregos e troianos porque não queremos nem pretendemos agradar a gregos e troianos.

    Mas será que é preciso? Continue a escrever, please… Um abraço.

  19. Raquel Moniz on

    2intenções não declaradas”?! Que é isso?

  20. douglas waechter santos on

    Oi. Seu texto tá ótimo, é isso mesmo que acontece. Às vezes eu tenho vontade de torná-los mais públicos, mas acho que essa é a essência dos blogs: enquanto “secretos” são perfeitos. Depois de famosos, vira modinha, clichê, melhor fechar, haha =P (sem muitos radicalismos)

    Adorei tanto sua explanação que vou publicá-la em meu blog subjetivo de poesias e afins, com o devido link como fonte. Caso não concorde, envia-me um email que eu desfaço isto.
    😉

  21. ezequias on

    bravo! como “cartao de visitas”, entro agora no teu blog p “copiar/colar” a citação que você fez dada época, e que muito me satisfaz/ez. Espero que me seja concedida essa licença.
    pois não é que meu voyeurismo nao me deixou de atacar e acabei lendo um pouco de tantas coisas? quer dizer… leitura que nao sei se chega ao limiar de leitura… mas de todos os modos, leitura agradável (nao sei a quantas de profundidade).
    Eu poderia comentar qualquer ponto do blog e estou comentando este somente, e talvez porque, é um que é um que provoca aquele que nao distingue a AUTORIA das OUTRAS ENTIDADES TEXTUAIS. Isso, de fato, a mim também, muito incomoda.

    abração.

  22. ezequias on

    desculpe-me pela gagueira no trecho “é um que”… escapou a esse ciborgue desprogramado. rs

  23. ezequias on

    desculpe-me pela gagueira no trecho “é um que”… escapou a esse ciborgue desprogramado. rs

    se essa msn ficar repetindo muitas vezes, será porque nao estou conseguindo enviar… acho q o PC descobriu minha condição de ciborgue e nao me atende… acha-se muito superior a mim.

  24. ezequias1 on

    desculpe-me pela gagueira no trecho “é um que”… escapou a esse ciborgue desprogramado. rs

    se essa msn ficar repetindo muitas vezes, será porque nao estou conseguindo enviar… acho q o PC descobriu minha condição de ciborgue e nao me atende… acha-se muito superior a mim. ele nao aprendeu ainda que somos parceiros.


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