Archive for abril \30\UTC 2007|Monthly archive page

celeuma

Como se um diálogo fosse, um diálogo em que só eu fale. Mas isso é monólogo, dirão. Pois não, insisto que seja um diálogo para que não me chamem reacionário. Vejam bem, dou-lhes espaço; dou-lhes a vez; passo a chance. Ah, mas às vezes é mesmo preferível não dizer nada. Quem gere a conversa não é a voz, é o ouvido.

O berço familiar

Em casa, somos uns pulhas. Em minha casa não há diálogo, não há bom dia e boa noite. Somos uns frios. Uns deselegantes. Uns mal educados. Mas tenho lá os meus motivos. Filho de pais devidamente divorciados, sou o homem, o primogênito. Moro com minha mãe – a quem, claro, os adjetivos acima não cabem – e irmãs. Duas irmãs, mais novas, além de pulhas, ecléticas. Para a minha sorte, passo a maior parte do dia fora de casa; no trabalho e na universidade. Ao chegar, à noite, passo direto pela sala e dirijo-me ao quarto, onde tenho alguma paz. Digo alguma pois não posso dizer plena. Se estou tentando dormir, a tv exibe toda a sua potência na sala. Se estou a estudar, sou constantemente incomodado pelo ecletismo que vem dos cômodos contíguos; pelas risadas altas às altas horas, pela falta de bom senso. Chamam-me velho e levanto as mãos a agradecer. Eu não voltaria à minha adolescência por nada, nada. Se atendem a um telefonema a mim dirigido, dizem “telefone” e logo sei. Se me chamam ao portão de minha casa, dizem “Estão lhe chamando lá fora” e logo também sei. É uma comunicação objetiva, direta, seca, quase  jornalística. Sem emoção, paixão, ênfase, sentimentalidade ou empatia. Sou quase o Teddy do conto do Salinger, mas perco no quesito dramaturgia. Não queria ser como os Corleone, pois as consequências de minha aversão não se limitariam a caretas de desaprovação e a textos como este. Melhor ser eu. Eu que, outro dia, acordei sobressaltado com batidas desesperadas à porta do meu quarto, em plena madrugada. Eram minhas irmãzinhas. Estavam assustadas: havia um ladrão caminhando lá fora, em nossa residência.

*

Ah, um adendo:

Este que vos escreve irá gozar de férias do ofício a partir de hoje, por 30 dias. Sorriam felizes, acólitos; posto quando puder.

Na aula de jornalismo

“Ser idiota é a nossa especialidade.”

Corta o que é inútil

Passo os dias a evitar certos assuntos, muitos assuntos, pautas chatíssimas. Levo o Inutila Truncat a sério demais e, mais que cortar palavras, corto textos inteiros, raciocínios completos. O papa que vem, o sul-coreano que mata mais de 30, Baudrillard que passa definitivamente à matrix. Dou de ombros. Dificilmente escrevo sobre temas que leio em mídias comuns, ou que a maioria dos blogs explore à exaustão. Então vos digo: leiam jornais, leiam muito, todos os dias, todos os cadernos; percorram os classificados, leiam economia e saberão sobre o que não falar. Proponho contrariar a idéia de que os jornais são responsáveis pelos assuntos sobre os quais trataremos com o amigo durante o almoço, ou no metrô, de volta à casa. Isso pois, se dependermos do jornalismo para termos boas conversas durante o nosso dia, estaremos irremediavelmente fodidos.

Sétimo dia

Concordo que o sábado seja dia de descanso total. Às vezes até penso em entrar para uma igreja adventista, mas sou imediatamente desarmado por outros motivos. Enfim. Acordei cedo no sábado, cumpri minhas obrigações higiênicas, peguei o café e corri para a sala. No dvd, The Godfather I. Ainda que meio sonolento, assiti as três horas de filme sem nenhum labor. Após a sessão Coppola, voltei ao meu quarto – que estava uma bagunça infernal. Se minha noiva chegasse e encontrasse o quarto como estava, ai de mim. Organizei a papelada em pastas. Coisas de faculdade numa, blogs impressos noutra e documentos vários numa terceira. Tirei o pó, varri o taco, troquei o lençol da cama. Coloquei os livros em ordem de tamanho, com as lombadas alinhadas. Guardei as revistas. Tirei a poeira do computador e lhe passei na tela um pano úmido. Trabalho quase teminado, ela chegou: “Quê é isso?” Ora, amor, estou arrumando o quarto pra você. Sorriso. “Pega água pra mim?” Claro, amor. ( É dever de todo homem pegar água para uma mulher.) Cada coisa em seu lugar, fui ao banho. Uma hora depois eu estava lindo, you know. Minha independência como homem é vigente em dias úteis; aos fins de semana eu sirvo a ela e ela me serve. Uma relação de mútua servidão, como deve ser. Pois bem. Ela quis sorvete e dirigimo-nos à sorveteria. Chocolate suíço e quetais. Ósculos gelados. No caminho de volta à casa, ela deseja frutas. Vamos ao mercado. Pêras, ameixas e caquis (que ela passou mais ou menos meia hora tocando com a ponta dos dedos, com cuidado, para fazer uma boa escolha). Detesto caqui. Vamos ao caixa, pagamos. Ela me entrega a sacola e diz “toma”, com um sorrisinho sublimado. Casa; quarto; partida de xadrez. Dou-lhe xeque em poucas jogadas e ela deixa cair o corpo para trás, demonstrando desistência.

(parte censurada, este é um blog conservador)

Início de noite, deitamo-nos lado a lado a ler Calvin & Hobbes. “Que tal colocar no forno a lasanha?”, ela diz. Claro, amor. Vou à cozinha, parte da casa por mim muito pouco frequentada. Com um ruído irritante, ligo o fogão elétrico. Ajusto o timer para 45 minutos e volto ao quarto. Ligo o computador. Um amigo está on-line. Lasanha pronta, vamos os dois à cozinha. Ela prepara o suco enquanto eu queimo as mãos. Jantamos. Ela se deita e adormece. Deveria acordá-la para que pudéssemos cumprir uma vez mais a atividade conjugal, mas tenho dó. À meia-noite, falo baixinho aos ouvidos dela que ela deveria colocar uma roupa de dormir e ir ao banheiro. Ela o faz. Deitamo-nos e ela novamente adormece. Eu ainda passo algumas horas acordado, pensando em minhas posses e em nada – coisas que, aliás, se confundem.

Corleone

Don Michael Corleone

“Mantenha seus amigos próximos. Seus inimigos, mais próximos ainda.”

Ignorância é força

Acho literária a idéia evangelizada por aí de que o conhecimento corrompe. Acho até que este é um dos poucos pontos do cristianismo com o qual eu tenha alguma afinidade, ainda que por puro sadismo [apesar de Jó ter pedido sapiência a Deus quando lhe foi permitido um desejo]. Mas, vergonha a minha, nisso,  eu e PT concordamos concomitantemente.

Eu Lírico

Eu sofro de algum tipo de bloqueio intelectual quando em presença de amigos. Muito raramente falo de algo que escrevi aqui, e jamais, jamais digo “entre no meu blog” (e aconselho que façam o mesmo) , e nunca me referi a mim mesmo como blogueiro profissional, que é o que está na moda (E eu acho demodê). Não digo, porém, que amigos meus nunca entraram aqui e me leram. Já. E o resultado é sempre o mesmo: “nossa, você acha mesmo isso?”, “Você está sendo muito radical”, “As pessoas precisam ser mais flexíveis”. Razão? Os amigos não entendem nada de licença poética. Nada. Zero. That’s all. Então prefiro evitar que pessoas a quem conheço pessoalmente me leiam, porque eu morro, juro, morro de preguiça de me ficar explicando. Mas por que amigos não conseguem entender os excessos, as metáforas? Tenho um amigo, ainda jovem (19, creio), que insiste em me ler, ainda que raramente. Ele se encontra ainda naquela fase do Pseudo. Pseudo isso, Pseudo aquilo. E me chama de Comedor de Ovelhas, seja lá o que isso signifique na cabeça de uma pessoa de 19 anos. Então, ele lê alguns textos meus e discorda em tudo, uma beleza. Mas é claro que não contrapõe nenhum argumento, apenas não concorda. E vejam vocês que ele ainda não começou a ler Nietzsche (quando o fizer, será uma tragédia, porque pessoas que não entendem licença poética não podem, de jeito nenhum, ler Nietzsche; começam a levar tudo a sério demais, aliás um erro comum do século XXI).

Então, é isso o que eu queria dizer a vocês: não mostrem, em hipótese alguma, seus blogs a seus amigos (exceto às amigas pelas quais tenham alguma intenção não declarada; elas vão achar o máximo).

Ah, c’mon

Qual é o assunto em voga? A vinda do Papa? Não vou falar do papa. Seguinte: eu estou cansado. As provas e os trabalhos da faculdade estão me matando. Tenho dormido muito, muito mal. E isso não é uma reclamação, é o grito de uma ave de rapina [foi assim que aquela maluca escreveu?]. No próximo mês estarei de férias, o que significa que vou dormir muito e acordar com dor em todo o corpo todos os dias, assistir desenhos animados e a alguns filmes que estão na lista, como Scoop, Maria Antonieta e tais. Vou brincar com o cachorro e me deixar arranhar pelo safado daquele gato. Preciso também colocar algumas leituras em dia. Como o Irmãos Karamazóvi, que comecei mas não terminei. Nunca leia Dostoiévski no ônibus, eu digo. Vou alí, mas volto depois.

VI

O homem, chamá-lo mito, não passa de apelação.

V

Todo homem é uma pilha.

IV

Toda mulher fica nervosinha no pós-coito?

III

Minha vida segue. O quê, eu não sei.

II

Comprei uma bolsa da moda para não ter que carregar a moda nas mãos.

I

Este blog é um raso exercício de auto-adulação masturbatória.

Do que eu não gosto em um texto jornalístico

Não gosto de tanta objetividade, não gosto do lead clássico. Onde está o drama? E por que eu, achando um acontecimento terrível, não posso chamá-lo terrível? Vou dizer: até entendo a tentativa do jornalista de ser imparcial, passivo de opinião própria – que os leitores somente e tão somente possam achar o que quiserem da notícia. Mas nesse ponto sinto um certo conflito de ideologias: se o jornalista deve informar com fidelidade os fatos, e se tais fatos são sim terríveis, por que não dizê-los logo terríveis? Mas divago. O que eu quero dizer é que gosto do nariz de cera. Gosto das introduções literárias, tão comuns nos jornais de há alguns anos – era tão mais viva a coisa toda, mais humana e sincera e tal. Jornalistas que precisam se ater às suas regrinhas tão chatinhas (quase todos) são todos iguais. Apenas uma minoria consegue desenvolver algum estilo peculiar mesmo presa aos grilhões da profissão. E por isso os colunistas são tão lidos; a classificação de opinativa dada às colunas dos jornais quer dizer que elas não possuem classificação – a não ser os setoristas, que só sabem sobre o que sabem. Para ter uma idéia do tipo de jornalista a que me refiro, pensem em Nelson Rodrigues, Paulo Francis. Estes e alguns outros poucos são (ou eram) jornalistas que valem mesmo a pena serem lidos.

canalha II

Estou ficando velho. Sei disso por já perceber em mim o rabugento civilizado que serei aos 40 anos. Até lá, no que toca a caráter, não mudarei muito. Até os sapatos que uso hoje são os mesmos que usarei mais tarde. O homem  aos 25 anos prefere pensar e agir como se mais velho fosse, como se estivesse irremediavelmente cansado. Enquanto que a mulher aos 25 é uma mulher aos 25, e só. Sou além de cínico, rabugento. No entanto sou bem quisto, bem amado, e não me espanta. Mulheres inteligentes (pouquíssimas, you know) têm predileção pelo homem de gênio; preferem o chato ao rapaz razoável. Ademais, os canalhas as defendem melhor em situação que peça reações mais enérgicas.

Esta é uma lição, se é que não me fiz compreender suficientemente bem.

canalha

Andam por aí a reclamar do uso exacerbado de metáforas. A mim aborrece mais a exposição exacerbada da realidade.

“Caudfield”

Salinger não merece os fãs que tem. Isso explica o fato de tantas pessoas – uma boa parte dos que se entendem intelectuais – não gostarem d’O Apanhador. E juro que agorinha, pesquisando comunidades no orkut, num instante de iluminação,  eu me uni ideologicamente a essas pessoas. Ler algo como “para todos que se identificam com o Holden Caudfield (…)” mata qualquer um de vergonha.

Nigger again

O branco é canalha às escondidas, já o negro o prefere ser às claras mesmo – principalmente perante câmeras,  microfones e outros aparatos de gente moderninha. Racismo é um negócio fascinante. O que faz espantar é a aura mitológica que há em volta do preto, negro, moreno, whatever. Acho que o mais prudente seria mesmo fazer pose de normal, assim como fazem brancos e amarelos. São tantas quotas, programas especiais, auxílios, empurrãozinhos que me fazem pensar no Estado como um pai que, tendo o filho uns 2000 anos, ainda o ensina lições sobre como andar de bicicleta. Domingo último passava no Fantástico uma reportagem sobre um tal novo tipo de preconceito: a obrigatoriedade de o negro ter boa aparência para se conseguir um emprego. (Microfone ligado e o negro a falar, como um coitado, que o fizeram cortar o cabelo, retirar os dreadlocks, só por causa de um trabalho. Dizia que o estilo de se vestir, o cabelo e tal era para reforçar sua identidade cultural. Ora, essa premissa da boa aparência vale para todos, não é?) Imagino o negro a trocar o terno por um bermudão após um dia de trabalho, colocar no pescoço uma corrente, modificar o modo de andar e sair à rua dizendo coisas como Yo! e Mano e o vizinho a perguntar: “Aonde vai vestido assim?”

__Vou alí, reforçar a minha identidade cultural.

E por favor, eu suplico, não me venham falar que eu me esqueci da história, do quanto os negros foram açoitados no passado, do quanto sofreram. Não me venham falar da Ku Klux Klan. Ou direi que justamente por isso, exatamente por terem passado por tantos percalços, eles têm a obrigação de se igualar moralmente não por meio de programas de governo ou por cabelos impermeáveis, mas através do intelecto. Mais que isso não peço nem espero.

*

Ainda sobre isso, um ótimo texto aqui.

nota

Sei que devo estar me mostrando bastante desligado deste blog nos últimos dias – situação que decorre do fato de eu estar realmente atarefado; digo, muito atarefado. Mas eu volto. Deixo, por ora, uma boa nova: muito provavelmente o SemiÓtica será transferido para um coletivo. Sem mais detalhes, puxa; tenham paciência, curiosos.

Claro, nada mais que a verdade

O Diabo veste Prada e eu vou levando. Feriado prolongado sempre me deixa com a sensação de que quem se está prolongando demais sou eu. Durmo mal quando devo dormir bem e me fica essa dor de cabeça durante todo o dia. Meu conselho é nunca dormir fora de casa – a não ser que seja num canto muito confortável. Ela na cozinha arrumando sei-lá-o-quê. Pós-almoço e eu aqui: quarto em penumbra porque assim o prefiro. A luz me fere os olhos, se bem que faz tempo chuvoso – e isso já me conforta, um pouco. Atendo a algumas ligações de alguns “colegas”. Perguntam-me sobre o que farei nesses dias e me saio com uma resposta retórica, e isso quer dizer que não respondo. Reafirmo que o colega é o último refúgio das considerações. Evito pensar no trabalho, que me perdoe o Voltaire. Há uma reportagem que preciso editar e ela deve estar na minha caixa de e-mail. Evito acessar minha caixa de e-mail. Meu celular se encontra (?) quase sem bateria; tanto melhor. Minha postura frente a vida não é das mais exemplares, mas eu prefiro assim. Sou mesmo um cínico; ouço dizer que os efeitos do aquecimento, you know, estão acontecendo mais rapido que o previsto. Penso que talvez, talvez as previsões é que tenham sido tardias. Como ligar o timer do fogão após anos de forno aquecido. Não há pelo que se lamentar. Sorte de quem não é mundano.

Às vezes exigir de uma frase que ela seja um título é querer demais

 

Esses dias um amigo me disse que não era cult falar mal de ‘300’, só porque eu demonstrei a minha impaciência para com essa gente que não sabe falar d’outra coisa que não sobre mais uma adaptação dum quadrinho do Frank Miller para o cinema. O último, Sin City, eu vi e – com o perdão da palavra – achei uma droga. Eu não estava querendo parecer cult, que idéia! “Já é, né?”, disse a segunda pessoa do diálogo. “Você é quem diz”, eu disse para acabar com o papo. Por exemplo, estreou Scoop, do Woody Allen, e vocês não me viram aqui falando nem bem nem mal do filme, embora saibam que gosto de Woody Allen. Esse pessoal de blog gosta muito de opinar, e ainda que eu admire isso, há momentos em que é melhor ficar calado.

Sim, eu sou muito conservador. E disperso em relação a algumas coisas. Esqueci, por exemplo, que dia é a páscoa. Nunca me lembro desse negócio de segundo domingo de abril e toda essa lenga lenga. Perguntei para a menina do setor de frente e ela me disse “domingo”. E uau, porque eu não comprei lhufas para mon chou. Ainda.

Ontem saí aqui da OAB ao meio dia. Trabalho de radiojornalismo, entrevistas para serem feitas com algumas fontes na Polícia Federal e etc. Tema: crimes no orkut. E eu nunca falei de orkut aqui também, imagino. Mas, quê dizer? Sim, eu tenho, o link está aí ao lado e tudo, mas não sou nenhum orkutaholic. Tenho preguiça.

E essa semana dizem que é santa. Então ‘tá. Fato é que não trabalho amanhã, e isso sim é de uma santidade sem tamanho. Não gente, eu sou católico. Batizado e tudo. Com a água, é. Mas sou bastante avesso a religiões – inclusive com a minha -, mas ainda acho algumas igrejas bem bonitas, a arquitetura, o barroco, etc. E me lembrei de dizer uma coisa: quanto à notícia de que o papa vai impor que as igrejas católicas voltem a rezar as missas em latim, ela só vale para as igrejas de verdade. Pobres que mal entendem o português não têm que se preocupar, de jeito nenhum.

E eu não falei também do novo hábito que desenvolvi nos últimos meses: ler blogs impressos. Quer dizer, eu imprimo alguns textos de alguns blogs e levo para ler no ônibus ou durante uma aula chata na faculdade. Alguns blogs que recomendo a vocês, ótimos para serem lidos quando impressos: esse, esse outro, esse aqui, esse e esse. Não dá para comentar, é verdade, mas vá por mim, é legal.

That’s all, folks.

Animal Farm

Ah, sim, lendo Orwell. Veja bem.

 A cara de parvo do leitor é um momento iluminado.

Notas

Então passei todo o sábado com a minha pequena. Sorvete, partidas de xadrez e algo mais que não me é permitido aqui dizer, sob risco de retaliação.

Ontem, domingo, calor infernal à tardezinha, pus-me novamente a jogar xadrez com um amigo. No media player tocava Is This It?, Strokes, enquanto eu fumava o bispo tombado do adversário. Na Last Night dei-lhe xeque.

À noite, shopping para buscar minha pequena – ela trabalha aos domingos, para a minha estupefação. Passei na Leitura e fiquei na dúvida entre o novo do Paul Auster, Viagens do Scriptorium, e o Nine Stories, do Salinger. Comprei o Salinger e, terminando o primeiro conto – “Feito isso, foi sentar-se na cama desocupada, olhou para a moça, apontou a pistola e deu um tiro em sua própria têmpora direita” – juro que fiquei bastante chocado.

Enquanto corto as unhas

O problema da modernidade é assumir-se avant-guard demais.