Fitter, Happier more productive. Comfortable. Not drinking too much.

Eu não me dou bem com gente feliz demais, fico sem graça. Geralmente não sei o que dizer quando me perguntam se sou feliz. Que pergunta mais cretina. Respondo que vou bem, obrigado; mas assumir-me feliz, assim, uma pessoa feliz, eu não consigo. E quem convive comigo bem o sabe. Levo uma vida regrada, sem muitas aventuras: trabalho durante o dia, estudo à noite e leio no pouco tempo que me sobra entre uma atividade e outra. Não bebo, não fumo. Não tenho nenhum vício censurável – a não ser que os senhores leitores sejam por demais castos e me repreendam por libido exacerbada. Mas sou fiel, não me entendam mal. Namoro aos fins de semana e não devo me demorar muito mais para contrair casamento. Contrair, sim, mas não deixem que essas suas mentes espirituosas lhes remetam a algum tipo de enfermidade, que não é disso que trato. Voltando. Moro em casa, com família; tenho gato, cão e conforto. Apesar de estar sempre muito cansado, minha vida não é ruim. Ainda sim, me recuso a dizer que sou feliz. Acho que a felicidade está mais para uma paisagem mutável que para uma construção sólida. Tenho momentos muito bons, mas não os assumo. Gente feliz demais me irrita. Quem vive se dizendo feliz o tempo todo só pode estar praticando psicologia reversa.

11 comments so far

  1. Caio Marinho. on

    Felicidade e amor estão nos momentos.

    Gente que sorri demais também é um porre.

  2. Leo Bueno on

    “Acho que a felicidade está mais para uma paisagem mutável que para uma construção sólida”.

    Depois que disseste isso, percebi como pensamos de forma parecida. Afinal, a vida passa de forma muito rápida e nós, ao tentarmos laçá-la, construímos momentos um por vez. Podemos estar alegres num primeiro minuto, partindo para a melancolia no segundo passo e assim vai. Mas, ainda assim, temos nossos caminhos dentro da nossa média, e não insistimos em manter essa média – ou será ‘comídia’, como diria o Supla? – forçada que vendem nos anúncios de refrigerante.

    Até porque, como dizem, a dor é a única certeza. Cabe a nós driblá-la e, se não for possível, que possamos conviver melhor com ela.

    Abraço!

  3. Paulo on

    A felicidade é uma melancolia constante. Tenho ojeriza a quem acha que felicidade é uma música da Ivete Sangalo.

  4. Biajoni on

    a pior coisa que pode haver é um atendente de supermercado feliz da vida. uma dessas garotas que ficam no açougue e te recebem com um sorriso, como se a vida fosse realmente linda.

  5. cris on

    “Acho que a felicidade está mais para uma paisagem mutável que para uma construção sólida”

    Concordo contigo. Acredito mais facilmente em momentos felizes do que na felicidade, como uma satisfação plena e permanente.

    E também não preciso estar com o sorriso nas orelhas pra estar feliz. Basta um dia chuvoso, um pouco de introspecção às vezes, e isso é o suficiente pra que eu me sinta bem. 🙂

    Beijo!

  6. Natália on

    A felicidade é um sentimento passageiro. Ninguém pode se considerar “feliz” todos os momento.
    Eu sou uma pessoa conformada, e em alguns momentos da vida, sou feliz.

    Com você, meu amor, eu sou feliz!

    Beijos!

    Natália

  7. Fran on

    Tem uma frase mais ou menos assim “felicidade é para ignorantes”. Deve ser isso mesmo.

    Um beijo

  8. Jacqueline Lafloufa on

    “Quem vive se dizendo feliz o tempo todo só pode estar praticando psicologia reversa.”

    Lindo, lindo, lindo. Vai pra minha coleção de frases!
    vai ver é do tipo tentar dizer uma mentira trocentas vezes pra ver se ela se torna verdade ne?
    otima, essa.

    Bjo!

  9. […] “Quem vive se dizendo feliz o tempo todo só pode estar praticando psicologia reversa.” Posted Março 21, 2007 Edson Junior, em SemiÓtica […]

  10. Rafael Rodrigues on

    belo post, Edd. vivemos quase a mesma situação. mas eu trabalho até à noite e estudava pela manhã, mas troquei os estudos, esse semestre, por um outro trabalho. semestre que vem desfaço a troca. só não assino embaixo do que o Biajoni disse. porque alguns tipos de emprego obrigam o funcionário a ser feliz o tempo inteiro. isso me lembra de um conto do Menalton Braff, “O rico sorriso de Rita”, sobre uma mulher que perde o filho e não pode deixar de sorrir no trabalho. a pior felicidade é aquela superficial, aparente. porque por trás dela pode haver uma tristeza sem fim. nossa, soou muito pessimista isso. abraço!

  11. Rafael Rodrigues on

    ah, eu digo isso porque meu antigo trabalho e o trabalho atual exigem isso.


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