carta à minha intelectual favorita

Vou me despir de qualquer pompa lingüística, verborragia ou lugares-comuns para escrever este texto, que não só se faz necessário devido ao dia de hoje, mas, principalmente, em razão dos dias e anos que se passaram, durante os quais nos tornamos mais íntimos, cúmplices; mais visceralmente ligados e dependentes um do outro. Por mais cético que eu aparente ser quanto à maioria das coisas, incluindo relacionamentos, com você eu vivo uma outra realidade, na qual minhas concepções adquiridas ao longo do tempo são postas a um nível quase imperceptível. Ao seu lado, minhas certezas niilistas e minha visão apocalíptica do mundo entram em estado de suspensão. Você que suporta as minhas músicas muitas vezes estranhas, undergrounds demais para uma mulher; você que ouve sem reclamar os meus discursos mais inflamados quando estou no meio de uma argumentação, você que ri dos meus gritos roucos ao cantar uma música velha no seu videokê. Qualquer definição de amor que me apresentem eu a refuto, pois eu não preciso de definições, nós não precisamos de definições; somos o nosso próprio conceito, alheios – e eu agradeço – às opiniões de outrem. Chegamos a um ponto em que estamos acima; olhamos à frente e podemos ver mais que o horizonte: avistamos um futuro que se nos apresenta breve, iminente. E como você é a praticidade que em mim falta, você dirá “eu te amo, meu amor”, enquanto que eu me demoro, me alongo, tergiverso. Você é o meu fator de equilíbrio; você é o meu bom-senso. Em você eu encontro os motivos mais inescrutáveis para viver, pois, e você me conhece, eu não levo a vida a sério – ou pelo menos não levava antes de você surgir. Repito que estamos acima de qualquer definição – e essa é a minha opinião irredutível, não sujeita a questionamentos ou argumentos contrários. Você me fez melhor há tempos, e eu lhe sou grato de uma forma que talvez você não possa imaginar, mas sei que você pode sentir quando me olha com esses olhos claros e luminosos, e sorri, simples, de uma maneira que, em silêncio, é capaz de expressar tudo. Nosso amor não cabe no espaço de um beijo [data vênia, Drummond], mas está presente em cada pequena coisa que fazemos juntos. E eu amo você por motivos demais, tantos e incontáveis que nem contrariando a primeira linha deste texto eu me poderia fazer entender totalmente. Nosso amor é uno. Eu diria que você me é tão necessária quanto o ar, o sol, a lua; mas faço melhor: não digo. Vejamos até onde vai a imaginação da minha intelectual favorita, minha querida e amada, minha estrela.Amo você, até o fim do mundo. 

15 comments so far

  1. Natália on

    Ô meu amor!
    Como é bom ler essas palavras! Sentir que realmente tudo valeu a pena.
    Como é bom me sentir amada, correspondida em um sentimento tão profundo.
    Sinto que nos melhoramos a cada dia. Vamos nos modelando, e estamos em tamanhos perfeitos.

    Agradeço a Deus pela oportunidade de ter você ao meu lado. Você também mudou minha vida.

    Amo-te com todo o meu coração e alma.

    Beijos

    Natália

  2. Raquel Moniz on

    “Nosso amor é uno” – lindo!

    Edd, adorei o texto. Devorei cada uma das tuas palavras.

    Desejo o que o mundo tem de melhor para ti e Natália.

  3. Edson Junior Lain on

    Ok., ok., eu fui romântico e etc., mas são motivos excepcionais, vocês entendem.

  4. kkkarol on

    🙂 Ô amor gente…
    Ainda arrumo um assim…. rs

  5. Natália on

    “…eu fui romântico e etc., mas são motivos excepcionais, vocês entendem.”

    Meu amor, creio que você cometeu um erro ao escrever essa frase. Você não é romântico somente nos motivos excepcionais, você é romântico todos os dias.
    É romântico, é carinhoso, é manhoso, é dengoso e é o homem mais doce do mundo.

    Eu te amo.

  6. Caio Marinho. on

    “Todas as cartas de amor…”

    A gente entende, meu caro.

  7. Edson Junior Lain on

    Ou: eu queria me despir da linguagem e meu bem, mon chou, vem aqui e me desnuda na frente de todos!, que embaraço!

  8. Mme. R. on

    Amor assim bem-escrito é uma delícia.🙂

  9. Leo Bueno on

    Conseguiu juntar a beleza do sentimento com a qualidade e a correção na escrita.
    Toda vez que passo aqui há uma surpresa. É por isso que sempre volto, com o auxílio da minha barra de atalhos do meu buraco no WP.
    Abraço!

  10. Caio Marinho. on

    “Until the end of the world.”

    Não tinha visto isso.

  11. diego on

    Eu não sei até quando acredito mais no amor o.O

    Talvez eu ame, mas não é amor

  12. Maria on

    Que amor fantástico vocês encontraram e cultivam, com toda a força das palavras do Ed, com toda a suavidade da resposta da Natália. O amor é criativo, não se amam corpos sem almas, é bom ter o privilégio de ser um e não perder a identidade, antes reencontrá-la. Crescer e viver num abraço. Estou a sorrir e a pensar nos meus pais que sempre se amaram assim. Há pessoas que merecem tudo. Um beijo para os dois.

  13. Edson Junior Lain on

    Diego: Dá-se o nome que bem de entende, não?

    Maria: Obrigado.

  14. Cris Torchia on

    Entre o sagrado e o pecado
    Pessoas caminham solitárias
    Buscam aflitas um caminho
    Precisam de um mastro para a bandeira hastear
    Ao longe se faz avistar terra firme
    Chão para trabalhar, de fácil cultivo
    Qualquer um pode colher ester frutos
    Mas, saboreá-los, poucos terão este prazer

    Cris Torchia

  15. edkallenn on

    Bonito, muito bonito


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