Epifania

É comum basear um texto numa só palavra, mas corre-se o risco de o post parecer poético e não há nada que eu deteste mais. Perdoe a digressão, mas deixe-me escrever sobre isso. Não sei, é bem provável que a psicologia tenha todas as explicações para o fato em seus livros de autores barbudos. Não sei. Estou pensando na tendência besta que todos temos, desde pequenos, emberbes: a propensão ao romantismo, à poesia. E é um assunto vasto. Budistas do Tibet escrevem poesias, ora. Mas, entenda, não estou escrevendo contra a poesia, não é o quero dizer. Quero dizer que, quando jovens, as pessoas, indivíduos, os serezinhos humanos, quando escrevem – e aqui acabo de excluir uma boa parcela da humanidade – desejam, mais que tudo, serem poéticos, românticos, tocantes. Eu mesmo já o fiz e sei que é uma coisa besta, bem besta mesmo. E só tem uma explicação: mulher. Quando o homem começa a escrever coisas como “me é um júbilo incomesurável ouvir a sua voz” ele só pode estar só, entregue aos próprios artifícios – se é que me entende. E quando a mulher é que escreve uma baboseira assim, ora, não é por nada. É permitido às mulheres escrever esse tipo de baboseira. Um dia passa; se não, torna-se depressão ou algo assim. Mas passa. O meu romantismo eu deixo nas minhas palavras, soltas ao vento, em uma só direção. E olhe só eu sendo romântico.

A Epifania? Deixe para uma outra hora, sim?

E amanhã responderei o Questionário de Proust.

7 comments so far

  1. Caio Marinho. on

    Esse negócio de epifania é perigoso: se for falar, tem que falar bem. De outro jeito, cai na barra da saia da Clarice. E aí, ó.

    E quanto ao romantismo, idem.

    E o Questionário de Proust, bem, não sei que djábé isso e tô sem saco de guglar.

    Um abraço.

  2. Roger on

    Proust certamente teria uma solução para o Brasil e para o romantismo, rsrs…

  3. elisabetecunha on

    Ed: Não seja tão radical, no fundo você é um romântico enrustido!

    Não é?

    Junim?🙂

  4. Hermenauta on

    hehe. Mutcho bom.

  5. Maria on

    Proust parece-me sempre uma boa escolha. Aguardarei. Poesia sem sentido existe. Mas final – deturpando um poeta homem, em Pessoa – “arre, que estamos fartos de semi-deuses, onde é que há gente no mundo”. Gostei do post.

  6. Raquel Moniz on

    Edd, não consegui perceber a sua opinião sobre homens românticos!?

  7. Gabs on

    Tenho um texto com o mesmo título. Rá!


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