Há coisas que não se faz

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Estava outro dia na Avenida do Contorno quando pararam ao meu lado dois sujeitos que supus serem pai e filho. O menor em prantos, com umas figurinhas d’algum time de futebol nas mãos, e o não tão maior porém mais velho todo alterado, o cenho franzido, a barba por fazer, só fazia xingar o guri: “cumé qui cê teve coragem de dá sete real nessa porcaria?!” O outro chorava, vermelho e sem resposta para as difíceis questões do pai tão mais experiente. Um público se formava em torno do show. De repente o pai, num salto, tomou das mãos da chorosa criança o pacote de figurinhas e lançou-o com força na sarjeta próxima. Chovia. Adeus figurinhas e não preciso escrever mais nada, exceto que há coisas que simplesmente não se faz. Não se deve gritar nem para uma criança nem para ninguém coisas tipo “cumé qui cê teve coragem de dá sete real nessa porcaria?!”, porque, além da óbvia deselegância do ato, é um mau exemplo linguístico. Imagine se a criança, além de crescer revoltada e começar a ouvir Charlie Brown Jr., aprender a falar como o pai? Há coisas que não se faz, como, por exemplo, ficar assistindo a uma cena dessas.

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18 comments so far

  1. elisabetecunha on

    OBRIGADA meu chatinho!!! [ na realidade de Natt, coitadinha!].
    1- AMINHAMÚSICANÃOÉBREGA!!!!!!!!!!!!!!
    2- Seguirei seu conselho, vou tentar fazer um texto só meu!!!
    3- Seu texto está muito bonito,[dentro de vc mora um anjo],eu sei que vc não é tão ácido e venenoso!!!!
    por isso eu e Natt te lovamos[amamos]

  2. Caroline on

    Imagina qual será o próximo público (alvo) da Carla Perez…. coitados
    Sobre o post… faltaram umas palmadas no cabloquim…
    Brincadeira….
    Vai crescer traumatizado… 😦

  3. Natália on

    Essa situação é complicada. Queria eu poder mudar o pensamento ignorante de um pai como este. Esse tipo de pessoa não poderia nem ser chamada de “gente”, muito menos “animal”, pois os animais são irracionais.
    Ainda bem que o futuro pai, dos meus futuros filhos, é um homem inteligênte, amável e muito carinhoso.
    Por isso eu o amo tanto.

    Beijos

  4. Raquel Moniz on

    Isso de ser pai é complicado. Eu não sei, mas imagino!

  5. Alessandro Martins on

    Eu fico imaginando no que ele julga correto gastar R$ 7. Para mim, R$ 7 em figurinhas parece muito justo. Bem, com um pouco de sorte, podemos aguardar mais um sociopata circulando por aí.

  6. Edward Bloom on

    Cara, vou dizer com muita tristeza que vi ontem no supermercado uma garota linda, linda, linda, falando [bem] de Charlie Brown Jr. Não que meus sensíveis ouvidos saibam o que venha a ser Charlie Brown Jr., mas suponho, e eu sou bom em supor, que seja ruim, e que Deus deve estar de muita sacanagem quando me pôs diante de uma criatura tão pura, tão límpida, dizendo coisas como “Fala séeeerio véi, muito loco o show do Charlie Brown Jr, vários rolê, pá e tal, u-hu!!!”.

  7. Edward Bloom on

    E acho que eu fui o único que concordei com o pai aqui. =D

  8. Edward Bloom on

    Que concordou…que concordou…droga.

  9. Edward Bloom on

    Ah sim, claro, as pessoas têm o direito de gastar seu dinheiro com o que quiserem, mas criança, teoricamente, não tem seu próprio dinheiro e além do mais, criança precisa de uns tabefes de vez em quando, não? I think so.

  10. Ed on

    hahahaah.

  11. elisabetecunha on

    crazy!!!!……….

  12. tina oiticica on

    Tenho a impressão de que ninguém tem filho aqui até agora. Se o cara é pobrão, sete reais é muito dinheiro. Além disso, criança deve consultar seus pais aintes de sair gastando o dinheiro que é dos pais.

    Tem vezes que criança precisa levar palmada; quando está histérica e não pára de gritar e chorar, uma palmadinha dá um sustinho e a criança vai dormir.

    Será que foram as palmadas que me fizeram ir pro divã do psiquiatra? Acho que não. E mais, acho que tem muita gente entregando as rédeas às crianças, que não fazem nada, nem estudar. E fico por aqui porque estou resfriada e volto pra cama.

  13. elisabetecunha on

    Tina é retada!

  14. Fran on

    que engraçado. meu pai coleciona figurinhas…rs

  15. Lia on

    Oi, Edd!

  16. Ed on

    Ahh, Tina, acho que alguém aqui deve ter filho sim, mas não eu. Quanto às palmadas, concordo. Crianças são mesmo chatas. Mas eu ví a cena, não foi nada educativa, tenha certeza.

    Oi, Lia.

  17. Cecília on

    Pobre criança. O que será pior para seu futuro? O trauma de crescer sem as figurinhas? (porque as coisas mais bobas possíveis podem virar traumas de infância) Ou a terrível idéia de usar o vocabulário paterno? Difícil…

  18. Armando Moreno on

    A quanto alarde para uma coisa tão corriqueira. Só quem tem filho sabe que as vezes o caldo entorna mesmo. Claro que este “pobre” garoto não terá traumas e nem por isso vai virar um psicopata. Portanto, quando vocês tiverem os seus filhos lembrem dessa cena, pois ela vai ser mais comum do que vocês possam imaginar. E não me venham com pieguices por aqui. Está compreendido?


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