A vida, o universo e tudo o mais

 “Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega do Braço Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.

Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos por cima, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.

E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.

E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo, e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.”

D.A.

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3 comments so far

  1. tina oiticica on

    Não sei o que pensar do final, da vinda do Cristo em diante. As elocubrações dos símios ou humanos apresentam uniformidade com o início do texto. Da vinda do Cristo à menininha parece que ou ia seguir e acabou bruscamente ou todo esse trecho caiu de pára-quedas.

    E quem é o autor?

    R.: Ora, Tina. Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams. Esse, claro, é só um trecho.

  2. Blog do Lino on

    O Mochileiro é grande. Trata dos assuntos mais sérios do modo mais irreverente. E a prova disso é a introdução do livro e os livros, em si – uma trilogia de quatro.
    Bela lembrança.

  3. Lia Winter on

    Vc e seus post que me deixam pensativa… ai, ai, Sr. Edd! 🙂

    Bjim


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