“ O casamento nos dá ensejo a grandes excitações coletivas: se conseguíssemos suprimir o complexo de Édipo e o casamento, o que nos restaria para contar?” (Barthes)

Vidas Paralelas – Cinco Casamentos Vitorianos, livro de Phyllis Rose, professora de literatura inglesa da Wesleyan University, vale não pela autora, mas pelos autores nele retratados. Em seu livro, ela busca retirar lições sobre casamento (ou relações de união, etc) analisando as relações de cinco escritores ingleses da era Vitoriana: John Stuart Mill, John Ruskin, Thomas Carlyle, Charles Dickens e George Eliot. Quando lí esse livro, algo, no começo, me cansou:  a linguagem e o modo como Phyllis quis contar as histórias. Como posso explicar? Ela pretendia contar sobre a vida de cada escritor e, ao mesmo tempo, escrever uma novela. Quis biografá-los sem fazer biografia. E isso, em literatura, não funciona. Um livro é o que é. E Vidas Paralelas é um livro de biografias – gênero que particularmente detesto – que vale por passagens como essa, em que Stuart Mill renuncia aos direitos que lhe caberiam após o casamento: 

Estando a ponto, se tiver a felicidade de obter sua concordância, de ingressar na relação matrimonial com a única mulher que jamais conheci com quem aceitaria entrar nesse estado; e uma vez que o caráter do casamento tal como constutuído pela lei é tal que tanto eu como ela o rejeitamos, total e conscientemente, pela razão, entre outras, de conferir a uma das partes do contrato, poder e controle legal sobre a pessoa, a propriedade e a liberdade de ação da outra parte, independentemente de seus desejos e de sua vontade; eu, não dispondo de meios de despojar-me legalmente desses poderes odiosos…creio ser minha obrigação lavrar registro de um protesto formal contra a lei existente do casamento, na medida em que ela confere tais poderes; e de uma promessa solene de nunca, em caso algum ou em quaisquer cinrcunstâncias, deles lançar mão. E, na eventualidade do casamento entre a Sra. Taylor e eu, declaro ser m,inha vontade e intenção, e a condição do compromisso entre nós, que ela conserve em todos os aspectos a mesma absoluta liberdade para dispor de si mesma e de tudo que lhe pertença ou possa vir a pertencer-lhe em qualquer tempo, que teria se esse casamento não tivesse ocorrido; e renuncio terminantemente a qualquer pretensão, além de repudiá-la, a ter adquirido quaisquer direitos em virtude de tal casamento.

Suponhamos que eu acredite que os homens do século XIX – escritores ou não – fossem realmente assim. (Cá entre nós: uma carta como a supracitada tem mais efeito que “você é a minha princesa reluzente” ou “lhe amarei eternamente”.) Psicologia reversa, amigo.

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11 comments so far

  1. Tai on

    Putz, se ele realmente escreveu (ou disse, sei lá…) a tal renunciam, cara, eles devem ter sido muito felizes, pois só o respeito que ele demonstrou já vale…!!!
    Té +…!

  2. Alessandra Carvalho on

    Ei, voltei da minha fuga de fim de semana, agora totalmente tonificada..rs. A viagem pra casa da mamãe é só dia 24/12. Você tb é fã de FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO?

  3. Guilherme Roesler on

    Edd, gostei muito de seu blog.
    Sem duvida, voltarei mais vezes neste espaço tão agradavel.
    Abraços, GR

  4. Lia on

    Me interessei demais por essas coisas.

    Adoro o seu blog!

    beijo

  5. elisabetecunha on

    Sem comentários. sou fã da sua ironia boazinha!
    aparece! bjs na Nat e em vc!!!!
    E O AMIGO OCULTO????????

  6. Edward Bloom on

    Bom, devo ser o representante aqui do conservadorismo e dos ideais burgueses e tal, e acho a instituição do casamento uma coisa muito bacana, incluindo o lance de propriedade, essas coisas. Não sei, não. Sou meio inseguro e quando uma garota vem com esse papo de liberdade, meus ouvidos interpretam como “dar pra todo mundo é ok, meu, nada a vê você, mó ranzinza, jogador de bocha, fala séeeerio!”. Sim, é isso.

  7. kkkarol on

    Concordo…. Tchau, tchau, tchau….

  8. elisabetecunha on

    Aparece com a Natália no “encanto” têm dicas de sexo……………..!!!!!!!!

  9. elisabetecunha on

    Edson: Bom dia!! CONCORDO COM VOCÊ, também não é minha leitura habitual, jamais compraria esse tipo de revista. Apesar disso, folheando no consultório. Achei a matéria muito legal e resolvi escrever as partes que achei mais interessante. Confesso que me surpreendi, pois a matéria é leve e bem humorada. Acho que valeu a pena. Garimpei na lama um brilhante!!

  10. eu on

    uhum

  11. Vives on

    O Barthes não era de fazer muito sexo, né?


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