Archive for dezembro \29\UTC 2006|Monthly archive page

Books of year

Vou tentar listar os livros que lí em 2006. É bem provável que eu esqueça de citar alguns, mas vale a intenção – sem pieguice:

  • Salambô, Flaubert;
  • Leviatã, Hobbes;
  • A República, Platão;
  • A Ilha, Huxley;
  • O Documento R, Wallace;
  • Intenções, Wilde;
  • O que é Semiótica, Santaella;
  • O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão, Walter Benjamin;
  • Furacão Sobre Cuba, Sartre;
  • Tristessa, Kerouac;
  • Sidarta, Hesse;
  • Felicidade, Hesse;
  • O Elogio ao Ócio, Russel;
  • 1984, Orwell;
  • A Revolução dos Bichos, Orwell;
  • O Sol também se Levanta, Hemmingway;
  • Macbeth, Shakespeare;
  • O Óbvio Ululante, Nelson Rodrigues;
  • Cândido, Voltaire;
  • Sonhos de Bunker Hill, Fante;
  • Preacher, Ennis;
  • Reconhecimento de Padrões, Gibson;
  • Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams;
  • Prosa, Manuel Bandeira;
  • A Sangue Frio, Capote;
  • Um Amor de Swann, Proust (Ainda lendo).

Claro que aqui não entram aqueles que não terminei de ler. Os que lí para a faculdade, óbvios demais. E também não posto aqui aqueles que esqueci, claro. Quando lembrar d’outros, faço uma atualização. Todos os supracitados foram lidos, não necessariamente na ordem em que aparecem.

Desejo-lhes vinho, champanha e literatura. E um bom fim.

Quanta fealdade

Como tem gente que gosta de ditar o que os outros devem fazer. Nada mais deselegante. Eu nunca lí um livro de auto-ajuda em minha vida. Nunca. Sou o tipo de pessoa que julga, sim, o livro pela capa e, mais, pelo autor. Se percebo algo tentando conduzir minha vida de algum outro modo que não seja o meu, dou-lhe as costas. Há quem me chame chato. Não ligo. Acabo de ler sobre o lançamento de Nunca se Case Antes dos 30, de Heverton Anunciação:

“Herveton chegou a essa conclusão depois de analisar dados estatísticos e entrevistar diversas pessoas em 24 metrópoles mundiais. “Sempre quis entender o amor, a família e quero passar isso para as outras pessoas”(…)”

E me pergunto: as pessoas não deveriam viver a sua vida do modo como acham melhor? No entanto – reflito – talvez há quem ache agradável viver d’acordo com livros de auto-ajuda. E eu só posso dizer “que pena”. Não se pode fazer muito a respeito. Quanto a mim, declaro, resoluto, jamais escrever um livro desses.

Pesquisa Verbeat sobre a Blogosfera

“Se você chegou até aqui é porque, de alguma forma, blogs fazem parte do seu mundo. E por fazer também parte do nosso, é que esta pesquisa é uma realidade. Um dia acordamos de saco cheio de ouvir por aí que blogs são isso, ou são aquilo. A gente acredita que ninguém melhor para falar sobre blogs do que aqueles que estão dentro da blogosfera, e que já estava na hora de a gente conhecer um pouco mais sobre nós e essa tal blogosfera.”

I just don’t know what to do w/ myself

Edward Bloom me alertou. Comecei a ler Proust, mas há dois dias não pego no livro. Mas vá lá, é final de ano. A gente fica com essa sensação estranha de que tudo vai recomeçar a partir de 01 de janeiro. Nunca ví besteira maior.

Vou comprar um espelho

Que é para passar o final de ano refletindo.

Então

De volta ao mundo real.

‘Tá assim:

À minha direita, uns 20 livros sobre a mesa; os presentes dela; umas pastas; provas da faculdade; uma sacola da Rosa Chá que não é rosa chá, mas azul; um resto duma barra de chocolate já derretido porque aqui tá um calor lancinante; uma garrafa de vinho vazia; o Proust; umas canetas; o relógio de parede em forma de lua que, há mais ou menos um mês, marca dez para as onze; minha cama avacalhada; mais livros; um carregador de celular; almofadas e meus chinelos. À esquerda, o ventilador que já deve estar prestes a pegar fogo, ligado desde que acordei às dez da manhã – agora são 20h35 – , umas fitas de vídeo – inclusive a de The Dead, que citei nuns posts abaixo -, DVD’s, jornais, outros livros, perfumes, uns discos de vinil que não ouço mais mas que dos quais não abro mão, meus óculos de sol quebrados, umas latinhas de chá inglês, CD’s, uma caixa de panetone já aberta, mensagens em garrafas e todo o tipo de souvenirs. O calor começa a dar um tempo. Se continuar assim, eu me recuso a passar o natal lá fora. 

Eu não pratico fogos de artifício.

Não me levem a mal

Se bebo, é pela literatura que o faço. Nada mais.

Broken Vows

Essa época sempre me remete  ao último filme de John Huston, The Dead, adaptação de um conto homônimo de James Joyce, do livro Dubliners. O poema abaixo é lido por uma personagem (Mr. Grace) durante a ceia de fim de ano. É a beleza transfigurada em melancolia:

“Era tarde a noite passada
O cão falava de você
O pássaro cantava no pântano
Falava de você
Você é o pássaro solitário na floresta
Que você fique sem companhia até achar-me
Você prometeu e mentiu
Disse que estaria junto a mim
Quando os carneiros fossem arrebanhados
Eu assoviei e gritei cem vezes
E não achei nada lá
A não ser uma ovelha balindo
Prometeu-me algo difícil
Um navio de ouro sob um mastro prateado
Doze cidades e um mercado em todas elas
E uma branca e bela praça à beira mar
Você prometeu algo impossível
Que me daria luvas de pele de peixe
E sapatos de pele de ave
E roupa da melhor seda da Irlanda
Minha mãe disse para eu não falar com você
Nem hoje
Nem amanhã
Nem Domingo
Foi um mal momento para dizer-me isso
Como trancar a porta após a casa arrombada
Você tirou o Leste de mim
Tirou o Oeste de mim
Tirou o que existe à minha frente
Tirou o que há atrás
Tirou a Lua
Tirou o Sol de mim
E o meu medo é grande
Você tirou Deus de mim”

O filme é de 1987. Não deve ser fácil de encontrar, mas eu tenho uma cópia em VHS. Ganhei de um antigo professor de Literatura, há uns sete anos. É perfeito:

Ensina-me a sentir o sofrimento de outros,
A esconder os defeitos que eu perceber;

Que eu possa ter piedade por todos
Que por mim também demonstrem piedade.”

Bom, feliz Natal.

Passeio

Nada melhor que um pé depois do outro.

No Surprises

No Surprises (tradução)

Radiohead. Mogwai. Cat Power. Black Rebel Motorcycle Club. Pearl Jam. Belle & Sebastian. Elliot Smith. Bjork. My Bloody Valentine. Death Cab for Cutie (…). São algumas das minhas bandas de fim de ano. Música para abafar o barulho lá fora – que povo barulhento esse, não?

C’est la vie

Trabalhar com pessoas é treinar a arte de ser dissimulado todos os dias.

A decadência da mentira

“Por mais paradoxal que seja – e os paradoxos são sempre perigosos -, a verdade é que a vida imita muito mais a arte do que a arte imita a vida. Basta que um grande artista invente um tipo para que a vida tente copiá-lo e reproduzi-lo em sua forma popular, como faria um editor de iniciativa”. [Vivian, em “A Decadência da Mentira” (1891)]

 Da minha edição de 1911 de Intenções, livro de ensaios de Oscar Wilde,  herdado de um amigo.

Os ateus não têm mais classe

*trilha: Marylin Manson

 Essa gentinha me irrita. Não vou tratar aqui dos motivos todos que levam um homem (?) contemporâneo a dizer-se ateu, mas cito uma: a má educação religiosa. Em famílias católicas – não que em protestantes seja muito diferente – é hábito fazer com que os filhos participem do catecismo – aos 7, 8 anos –  na igreja mais próxima, façam a primeira comunhão e, fechando o cilco, crismem – geralmente aos 14, 15 anos. Ou seja, o ensino termina exatamente quando as dúvidas começam. A não ser que o indivíduo seja muito crente e queira se tornar vigário, após a crisma é só perdição. Exagero, mas é para melhor compreensão. Há aqueles cuja mente é ainda imatura para desenvolver quaisquer dúvidas e voltam para casa sentindo-se abençoados e salvos, no céu. E há os que perguntam – Por que Cain matou Abel? Adão tinha umbigo? – mas não têm quem lhes responda. Naturalmente, tais questionamentos são muitas vezes esquecidos. Ou, ainda, tornam-se impulsos positivos, permitindo às mentes inquietas buscar conhecimento e respostas – assim nascem os teólogos. E há a pior raça, que, hoje, vê-se em todo centro urbano, nas esquinas, de preto, com um cigarro barato entre os dedos imundos e um crucifixo de ponta a cabeça pendurado no pescoço: os (pseudo) ateus. Ateu é aquele que não crê em Deus. Que o renunciou assim que soube que ele poderia existir. Ou que não sabe nada mesmo, ignorante como uma porta.

Tenho algumas, mas faço duas considerações a respeito: a) ateu não usa crucifixos no pescoço, nem de ponta a cabeça nem em posição alguma; b) ateu não clama o nome de Deus quando sob ameaça ou temor – aliás, deixem-me reiterar, que gentinha! Passam a vida afirmando, para quem não quer ouvir, que Deus não existe sem que tenha o menor argumento p’ra isso e, quando atacados na rua por um cão, saem a murmurar “ai, meus Deus!” Então vocês pensam: “Ed, quem usa crucifixo ao contrário não é ateu, é anticristo”, e vos digo: essa gente não sabe a diferença. Têm a imaginação mui subdesenvolvida, são quase bestas – não a do apocalipse, que eles já ouviram falar mas também não conhecem.

Os descrentes perderam a classe. Eram ateus respeitáveis: Nietzsche, Denis Diderot, Lord Byron, Voltaire, Jean-Paul Sartre, Schopenhauer, Bertrand Russel, Freud, entre outros. Bons tempos esses em que, até para duvidar, fazia-se necessária alguma inteligência:

“A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana.”              Sigmund Freud

“O Universo não apresenta qualquer evidência de uma mente dirigente (…) Todos os bons intelectos têm repetido, desde o tempo de Bacon, que não pode haver qualquer conhecimento real senão aquele baseado em fatos observáveis.”     Auguste Comte – Filósofo francês

“Mesmo hoje, eu acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Todo Poderoso Criador: me defendendo dos Judeus, estou lutando para o trabalho do Senhor.” Adolph Hitler – Mein Kampf

“Não somente há deus nenhum, mas tente achar um encanador em fins de semana.” Woody Allen – Diretor, ator e escritor americano

Hoje os idiotas dizem que não crêem em Deus porque querem impressionar, chamar a atenção, ser “diferentes”. E realmente o são: tão diferentes que mal têm consciência do próprio lugar no mundo – físico, digo; pois dizer intelectual seria querer demais.

O protesto dos protestantes

Depois falam que eu sou herege, francamente.

[Update] Carolaine, minha amiga dos trocadalhos do carilho, herr…“homenageou” nosso novo herói.

Ócio, man. Ócio

Estou oficialmente de férias (Segundo o Fernando, eu já estava de férias há muito; mas não é verdade). Não é nenhum tratado de Russel, mas vou tentar viver um ócio criativo até fevereiro. Comecei por Proust, e a leitura já está avançada.

Além disso, vou jogar vídeo-game e dormir até babar.

E hoje eu estou aqui, homenageado por um grande amigo. O sujeito cabisbaixo no canto inferior esquerdo sou eu.

Un amour de Swann

“E a doença que era o amor de Swann se havia multiplicado tanto, estava tão estreitamente emaranhada a todos os seus hábitos, a todos os seus atos, a seu pensamento, sua saúde, seu sono, sua vida, até mesmo àquilo que desejava para depois de sua morte, formava com ele então praticamente um todo, que não se poderia arrancá-la dele sem destruí-lo quase por inteiro: como se diz em cirurgia, seu amor não era mais operável.”

Um amor de Swann é a segunda parte de No Caminho de Swann, um dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, romance magno de Marcel Proust, o canceriano. Por não depender do restante da obra, ou seja, por ser autônomo, Um Amor de Swann tem sido editado em separado. E é o meu presente de natal: from me to myself.

Woody Allen tinha razão

Sabem, é engraçado. Quando chego em casa tarde da noite, fico pensando no que é a vida. E sei, ela não passa de uma historinha que o Wood contou em 1977:

“É uma antiga piada: duas velhinhas em um hotel fazenda. Uma diz: ‘a comida aqui é um horror’. A outra diz: ‘eu sei, porções minúsculas’. É assim que eu vejo a vida: cheia de solidão, miséria, sofrimento e tristeza, e acaba rápido demais”.

É, não passa disso.

(Sei que serei repreendido por ser pessimista. Mas, a essa hora, quem liga?)

Xmas time

Eu não sei mais o que é o natal. Quando criança, talvez soubesse. Lembro-me da minha época de neurônios atrofiados. Época feliz. Acho mesmo que a única felicidade consiste em ser ignorante. Além disso, o que há são momentos, hiatos de fugaz alegria. Lembro-me de seguir procissões católicas pelas ruas do meu bairro – uma fila de senhorinhas fiéis e netos curiosos, todos segurando uma vela acesa na mão queimada pela cera. Época em que eu levava para casa ramos abençoados pela santa água do padre da paróquia. Havia também um pão. Não sei se o chamavam d’outra coisa. Mas era um pão, duro, que devíamos colocar no armário da cozinha a fim de não faltar alimento. Esses e outros rituais. Época feliz. O natal tinha o maior significado. As mínimas coisas tinham valor. Volto, por exemplo, a um desses natais de minha infância. Recordo-me que minha mãe, não tendo suficientes condições para presentear-me com um vídeo-game de última geração ou coisa que o valha, deu-me um daqueles quebra-cabeças numéricos, de mão. Aqueles em que você deve mexer os números na vertical e na horizontal até que consiga colocá-los na ordem, de 1 a 9. lembro-me e quase escorre uma lágrima – sou muito sentimental por esses dias. Vocês não podem imaginar a felicidade que tal presente me deu. Vocês não fazem idéia de como tal acontecimento permanece em minha memória, fixo, como se houvesse ocorrido ontem. Isso faz uns 18 anos. Coisa que hoje já não existe mais. As crianças de hoje são umas esnobes. Os jovens, uns cretinos. Dá-me asco, só de imaginar. E eu tenho pena. Muita pena. Faz alguns anos que não piso numa igreja, mas o período em que o fiz foi importante para mim. Igualmente, há anos não celebro o natal como o fazia antes, mas minha infância ignóbil foi peça fundamental para o meu crescimento. O natal hoje é ainda mais piegas que no meu tempo. Mais feito de out-doors e garrafas pet recicladas que com o que chamam coração.

Happiness is a warm gun

So… meet me in Montauk.

Eu sou tão empertigado

Os vizinhos ouvem uma música ruim. E claro, óbvio, eu tenho um gosto excelente. Mal cheguei e já estou reclamando, é verdade. Um aniversário, me parece. Na casa dos vizinhos. Vocês já ouviram falar em boa vizinhança? Eu já, mas só em teoria. As pessoas das casas ao lado são sempre muito enjoadas. Suas músicas são sempre muito ruins. E altas, são sempre muito altas também. Okay, eu não tenho que fazer sentido. É madrugada agora. Arredo a cama para perto do computador para escrever deitado. Um luxo. Ao lado, um Aurélio e um exemplar de Lolita, edição de 1968 – estou dando mais uma chance. Numa xícara, coca. Ouço Is It Wicked Not To Care?, Belle & Sebastian. É uma boa música para se ouvir enquanto se escreve de madrugada. Sinto-me bem. Como têm mal-gosto os vizinhos. Olhos ardendo. Há pouco me olhei no espelho do banheiro. Olheiras. Acho que elas já não desaparecem mais, por mais que eu durma. Faz tempo desde que dormi bem pela última vez. Digo, muito bem. Tenho um probleminha. Quando trabalho e estudo a semana toda, tudo o que quero é chegar em casa para poder dormir. Deitar no travesseiro os problemas e as preocupações, desligar os holofotes que iluminam as desgraças do mundo. E, quando tenho tempo para tal, não o faço. Não há graça em dormir quando se pode dormir. Estou escrevendo pausadamente, vês? Sinto-me melancólico à essa hora. Além da música. Mas não, não. Ela é perfeita. Escrevo pausadamente pois é como me surgem os pensamentos, agora. Neste instante fugaz. Oscar in Reading. Mas o que estou dizendo? Que diabo, qüiproquó. Minha cabeça pende entre uma palavra e outra. Não consigo colocar uma idéia em cada frase. Idéias divididas em várias frases. Indo e voltando. Digressões saudéveis. A coca que já perdeu o gás. E escrever deitado dá torcicolo, acreditem-me. Mas querem saber? Vale a pena. Hoje eu já dancei (desengonçado) The Delgados até quase cair, morri algumas vezes ouvindo Mogwai – se é que me entendem – e dormi com a minha noiva ao som de The Smiths. Nada como uma boa trilha sonora. Nada como ter um tempinho para fazer o que eu quiser no próximo segundo. Mesmo que seja nada. Já não ouço os vizinhos. Mas, ora, o que eu estou dizendo?

*

Aqui, minha homenagem ao tão querido natal.

Eu sou Sexta

Tenho em meu quarto um pôster colado na parede que diz “Eu Sou londres”. O negócio não faz o mínimo sentido p’ra mim, é verdade, mas lá está, há tempos, e não pretendo tirá-lo. Mas, hoje, eu sou Sexta. Tipo, sou a sexta na quinta. Não o Sexta-feira, amigo do Robinson Crusoé – não conheci o Robinson nem nada. Sou sexta porque amanhã é feriado e este é o país do futuro – é o que dizem.

Mr. Mahaffy

Foi ele quem nos ensinou que, em sociedade, cada homem e mulher civilizados devem encarar como um dever a tarefa de dizer alguma coisa, mesmo nos momentos em que pronunciar qualquer palavra pareça ser uma missão das mais difíceis. Noutras palavras, nem sempre é melhor ficar calado.

Minhas  sinceras condolências à família e amigos do Gabriel, que tão cedo deixou este mundo. Não o conhecia, mas isso não importa agora.

Peixe Grande

Фотограф Олег Трэшер

Férias. Eu quero férias.

***

Indico: O Hermenauta

“ O casamento nos dá ensejo a grandes excitações coletivas: se conseguíssemos suprimir o complexo de Édipo e o casamento, o que nos restaria para contar?” (Barthes)

Vidas Paralelas – Cinco Casamentos Vitorianos, livro de Phyllis Rose, professora de literatura inglesa da Wesleyan University, vale não pela autora, mas pelos autores nele retratados. Em seu livro, ela busca retirar lições sobre casamento (ou relações de união, etc) analisando as relações de cinco escritores ingleses da era Vitoriana: John Stuart Mill, John Ruskin, Thomas Carlyle, Charles Dickens e George Eliot. Quando lí esse livro, algo, no começo, me cansou:  a linguagem e o modo como Phyllis quis contar as histórias. Como posso explicar? Ela pretendia contar sobre a vida de cada escritor e, ao mesmo tempo, escrever uma novela. Quis biografá-los sem fazer biografia. E isso, em literatura, não funciona. Um livro é o que é. E Vidas Paralelas é um livro de biografias – gênero que particularmente detesto – que vale por passagens como essa, em que Stuart Mill renuncia aos direitos que lhe caberiam após o casamento: 

Estando a ponto, se tiver a felicidade de obter sua concordância, de ingressar na relação matrimonial com a única mulher que jamais conheci com quem aceitaria entrar nesse estado; e uma vez que o caráter do casamento tal como constutuído pela lei é tal que tanto eu como ela o rejeitamos, total e conscientemente, pela razão, entre outras, de conferir a uma das partes do contrato, poder e controle legal sobre a pessoa, a propriedade e a liberdade de ação da outra parte, independentemente de seus desejos e de sua vontade; eu, não dispondo de meios de despojar-me legalmente desses poderes odiosos…creio ser minha obrigação lavrar registro de um protesto formal contra a lei existente do casamento, na medida em que ela confere tais poderes; e de uma promessa solene de nunca, em caso algum ou em quaisquer cinrcunstâncias, deles lançar mão. E, na eventualidade do casamento entre a Sra. Taylor e eu, declaro ser m,inha vontade e intenção, e a condição do compromisso entre nós, que ela conserve em todos os aspectos a mesma absoluta liberdade para dispor de si mesma e de tudo que lhe pertença ou possa vir a pertencer-lhe em qualquer tempo, que teria se esse casamento não tivesse ocorrido; e renuncio terminantemente a qualquer pretensão, além de repudiá-la, a ter adquirido quaisquer direitos em virtude de tal casamento.

Suponhamos que eu acredite que os homens do século XIX – escritores ou não – fossem realmente assim. (Cá entre nós: uma carta como a supracitada tem mais efeito que “você é a minha princesa reluzente” ou “lhe amarei eternamente”.) Psicologia reversa, amigo.

Pela sexta: porque me falta tempo para escrever e para pensar.

Slava Filippov - смачные гламурные фотографии

E, claro, porque minha noiva me deve. Ah, se deve.

–God bless the weekend–