“Haro, Nabi” Uma Análise da Representação da Cibercultura em Serial Experiments Lain, por André Lemos

RESUMO
Este texto faz uma análise da série de animação japonesa Serial Experiments Lain, enfocando o imaginário da cibercultura em seu enredo, especialmente nos seguintes aspectos: o corpo em relação com as máquinas na atualidade, as relações sociais mediadas pelas redes telemáticas, as novas configurações da religião em função do conhecimento, e as tecnologias cognitivas. O trabalho traz ainda considerações sobre animê e também sobre a cibercultura, elemento fundamental nas comparações e análise.


1. O que é Animê?

Animê é uma adaptação japonesa da palavra em inglês animation e, no Japão, designa qualquer tipo de animação. No Ocidente, no entanto, a palavra se refere especificamente às animações japonesas. No Japão, as animações não são um produto limitado à apreciação das crianças, por isso, são grandes a variedade e a complexidade dos temas tratados nos animês, o que é uma das principais características deste tipo de arte.

Uma das principais características do animê é a complexidade das tramas, pois são elaboradas com uma mistura de símbolos e representações características da cultura japonesa, com temáticas como misticismo, ecologia, cotidiano, artes marciais, esportes, sexo, dramas existenciais, valores tradicionais, alta tecnologia… A coexistência do bem e do mal nas coisas é um traço de realismo que causa estranhamento num universo fantástico, o que acaba se constituindo como uma espécie de contraponto ao que acontece nas obras da animação ocidental, nas quais o maniqueísmo é um mecanismo para facilitar a compreensão do enredo.

Num animê, raramente são dadas explicações didáticas ou diretas para os pontos obscuros nas histórias. A sensação é de que nunca se “entende” totalmente a narrativa, o que não significa, porém, que há uma lacuna de entendimento. A cultura do Japão, essencialmente imagética (vide sua escrita ideográfica) implantou na tradição das artes visuais do país a exploração do imaginário do receptor. Tanto no animê quanto no mangá (quadrinhos), o artista deixa margem para que o leitor/espectador faça suas próprias adições e associações, complementando as imagens dadas, numa compreensão subjetiva, conceitual.

A abordagem dos temas é feita com sutileza e naturalidade. Tabus como sexo, morte e sofrimento, por exemplo, são tratados como parte intrínseca da esfera humana. Os valores familiares e fraternos, como lealdade, humildade, respeito, perseverança e coragem também são evidenciados, demonstrando como são arraigados à cultura japonesa enquanto grandes virtudes.

Num só animê é possível identificar diversas temáticas, tratadas em pequenos nichos que compõem a trama central. Um tema presente na maioria das vezes é o misticismo, uma vez que a religiosidade japonesa é repleta de divindades ligadas às forças da natureza. Os enfoques variam: pode ser magia, capacidades paranormais, o dualismo entre corpo e espírito, os deuses e sua atuação na terra, etc. Geralmente, não é o protagonista quem concentra poderes sobrenaturais, mas por causa de uma série de qualidades, ele tem de dons especiais para lidar, manipular ou neutralizar este tipo de força.

A pluralidade de informações e detalhes obscuros criou em torno dos animês uma cultura do desvendamento em níveis cada vez mais aprofundados das histórias. Neste ponto, a cultura do animê e a cibercultura também se cruzam, através do surgimento de um fenômeno dos otakus, no Japão[1]. Eles utilizam diversos meios de comunicação, principalmente a internet, para ter acesso aos mais detalhados dados sobre o tema de seu interesse. Também representam uma mudança nos hábitos sociais a partir da apropriação das novas tecnologias para comunicação interpessoal, uma vez que são pessoas com dificuldades de socialização no “mundo real”, mas que travam muitos contatos e têm até poder através das redes telemáticas[2], um universo onde a informação, mais do que um produto, é moeda. Assim, cada animê, com seus meandros misteriosos, é um terreno super-fértil para a cultura otaku.
2 – Serial Experiments Lain

Serial Experiments Lain (SEL) é uma minissérie de animação japonesa com treze episódios, chamados de Layers (Camadas), com os títulos individuais de Weird, Girls, Psyche, Religion, Distortion, Kids, Society, Rumors, Protocol, Love, Infornography, Landscape e Ego. A série foi exibida pela primeira vez na TV, em episódios semanais, que foram ao ar em 1998 pela TV Tokyo, emissora de televisão japonesa. Com roteiro de Chiaki J. Konaka e direção de Ryutaro Nakamura, SEL mostra uma sociedade integrada através das redes telemáticas, dividida entre as vivências no mundo real e no virtual. Neste contexto, um grupo de adolescentes comuns, que usa aparelhos eletro-eletrônicos para comunicação/interação, tem seu cotidiano repentinamente afetado pelo suicídio da colega Chisa Yomoda.

Depois de morta, a garota passa a enviar e-mails para suas colegas, afirmando que abandonou seu corpo físico para que sua alma trafegue livremente através da rede de computadores, chamada de Wired. Lain Iwakura recebe uma dessas mensagens. Até então, tímida e retraída, Lain não tinha interesse em computadores, no entanto, subitamente, se torna especialista no assunto, como se tivesse um dom especial para isto. A série mostra o processo de absorção de Lain pela Wired, buscando explicação para alguns dos fenômenos ligados à confusão entre realidade virtual e realidade física.

A intricação da trama de SEL é reforçada pela maneira como é apresentada a narrativa, com inserções de imagens com texto, informações de caráter documental, os fluxos temporais e de consciência entre real e virtual, alteração de foco narrativo e de ambientação (hora mundo real, hora a Wired). O enredo faz uma ponte com o imaginário da cibercultura, pois aborda as relações sociais mediadas pelas redes telemáticas, a mudança da relação com o corpo físico em função da sinergia entre o ser humano e a máquina, a abordagem do misticismo baseado no saber e na noção de onipresença proporcionada pela televivência e também por dar evidência às tecnologias da inteligência e o modo com estas afetam a percepção da realidade.
3. Lain e Cibercultura

No atual estado da sociedade capitalista, quando termos como “globalização”, “tempo-real” e “on-line” estão em voga, é praticamente impossível uma vivência social plena sem as redes telemáticas. A interconexão possibilita trocas sociais, econômicas, comerciais e políticas, permitindo o andamento do modo de vida adotado globalmente.

Somente com a noção de ciberespaço, cunhada pelo escritor William Gibson no seu romance Neuromancer como sendo “uma alucinação consensual coletiva”, questões como onde acontece uma conversa telefônica ou uma transmissão de arquivos entre usuários da internet, ganham uma resposta. Tais questões são vitais quando pensamos que as pessoas envolvidas nestas situações podem estar física e culturalmente em locais imensamente diferentes no exato momento em que elas acontecem. Ainda que não seja somente isto, tal raciocínio ajuda a compreender um pouco a idéia de “desmaterialização”.

Para Pierre Lévy, a cibercultura nasceu a partir de um movimento dos jovens urbanos intelectualizados, ávidos por formas de comunicação diferentes das mídias clássicas.[3] O modelo um-todos das mídias de massa ou um-um dos meios de comunicação interpessoais existentes até então, não mais atendiam as necessidades de troca de informações da sociedade. Nesse sentido, a maior alteração inserida pela cibercultura é mudança no sentido de tornar a emissão do tipo todos-todos, em que qualquer pessoa pode emitir qualquer tipo de informação para uma quantidade ilimitada de pessoas.

Este modelo faz o mundo entrar na era das informações em fluxo constante, com adição instantânea de dados ao sistema, sejam novos ou reproduzidos, que são acessados pelas pessoas de acordo com sua necessidade e disponibilidade. Isto altera no pólo da recepção, pois torna ativo o receptor, que vai em direção aos dados.

O grande volume e o tráfego constante de dados entre grandes quantidades de pessoas, também muda a relação com o saber, porque nem tudo que está na rede é útil, o que demanda a seleção do que será acessado; e também porque, com tamanho trânsito de informação, será que ainda é possível apontar autores para as idéias? Para alguns estudiosos, já vivenciamos os processos da inteligência coletiva[4], pois, ao mesmo tempo em que buscamos conhecimento, contribuímos oferecendo o nosso próprio arsenal cognitivo para o manancial de dados.

Com o avanço das tecnologias, o mundo também chegou ao estágio da televivência. As pessoas interagem de maneira cada vez mais independente do tempo e do espaço físico em função da simultaneidade e da imediaticidade dos meios. A sociedade não se condicionou aos novos modos de se relacionar com a comunicação e a informação por causa da tecnologia. Havia necessidades sociais prévias que desencadearam os avanços. A cibercultura é, portanto, a cultura contemporânea que, apesar dos traços culturais peculiares e característicos de cada região, unifica diferentes povos através de um padrão global na multiplicidade das maneiras de se comunicar.

Neste contexto, a série animada Serial Experiments Lain traz para a ficção os elementos deste universo, que servem ao mesmo tempo como cenário e tema central de sua trama.
4. Crossover: A Cibercultura em SEL

O centro da trama de Serial Experiments Lain são as implicações da comunicação mediada pelo ciberespaço (no caso, a Wired) sobre a relações das pessoas com a realidade. Mesmo sendo uma obra ficcional, SEL trata com precisão conceitual o tema proposto, principalmente as relações entre o ser humano e as redes telemáticas. A abordagem da cibercultura, como acontece na série, implica a aplicação de teorias sociais e comunicacionais a um mundo imaginário, ao mesmo tempo em que retrata a sociedade atual.

Em cada episódio, as imagens apontam para o espaço urbano que poderia ser de qualquer grande cidade contemporânea, ou seja, configura-se de acordo com o conceito de não-lugar[5], cunhado por Marc Augé. Assim, é possível facilmente saber que a época da ambientação é o final do século XX, que é então chamado de presente (Present day… Present time…) na abertura da série.

Com relação à interconexão, um elemento para reforça as noções de ligação, de eletricidade, de fluxo: as tomadas de postes com uma vastidão de fios, tendo como plano de fundo o céu, acompanhados por um zumbido característico de cabos de alta tensão. Os postes (que servem tanto para o suporte de energia elétrica, quanto de telefonia), elementos comuns à paisagem de qualquer cenário urbano demonstram, fisicamente, a extensão da Wired. Tais imagens remetem à idéia da existência da Noosfera, uma camada ampliadora da realidade, definida da seguinte forma por André Lemos:

No seu ‘fenômeno humano’, Theillard de Chardin considera a evolução humana em termos intelectuais e espirituais. Segundo o padre jesuíta, no mundo físico existem duas energias: uma energia radial (correspondente ao conceito de força newtoniana de causa e efeito) e uma energia tangencial (que vem de dentro, de onde o divino aparece). Essa energia tangencial seria de três níveis, que Chardin chama de pré vida (para os objetos inanimados), vida (para os seres vivos) e consciência(para os homens). A pré vida corresponde à formação de matéria inorgânicas, a vida corresponde ao aparecimento de matérias orgânicas e a consciência ao aparecimento do homem e, consequentemente, do pensamento reflexivo. Assim, camadas sucessivas vão se empilhando umas sobre as outras : o mundo mineral, o mundo animal e o mundo da consciência. Esse camada da consciência, Chardin chama de Noosfera.[6]

A Noosfera possibilita as relações cibernéticas, viabilizadas graças à energia elétrica e os meios de transmissão de linha dados, neste caso, representados pela rede de cabos aéreos presentes em quase todo cenário externo do desenho.

A aparelhagem utilizada pelos personagens, em geral, segue o modelo dos equipamentos usados e popularizados nos últimos anos. Computadores pessoais (chamados de Navis), pagers, telefones celulares, laptops, videogames, outdoors eletrônicos e a própria internet (que tem propriedades um pouco diferentes e chama-se Wired) fazem parte do cenário e da ação em SEL. A narrativa mostra uma sociedade familiarizada com o uso de computadores para as mais diversas necessidades. No terceiro episódio, a imersão tecnológica é evidenciada no diálogo de um grupo de jovens, quando um deles afirma que instruções sobre estrutura e montagem dos Navis são ensinadas nas escolas.

O Cyberia Café, ponto-de-encontro dos jovens, onde trocam idéias e se divertem com a reunião de pessoas diversas, tal como em qualquer boate de uma grande metrópole, também se insere neste contexto. A trilha sonora do lugar é música eletrônica, o que é definido pelo próprio Pierre Lévy como “o som da cibercultura”[7] e também é onde se consegue a “droga” inteligente, Accela, um nanomecanismo responsável pelo incremento das funções cerebrais.

A cibercultura também aparece no texto, através de conceitos elaborados por especialistas, que aparecem embutidos no discurso de alguns personagens, como é o caso de uma fala no episódio 3, que explicita a noções como ciberespaço e inteligência coletivas aplicadas à Wired:

A Wired não é uma camada superior do mundo real. A rede é um campo de transmissão de informações. A informação não fica parada ali, funciona por estar sempre em fluxo. A memória das pessoas não é apenas pessoal ou parte da história da humanidade. Nem mesmo o inconsciente coletivo.

Em SEL, a existência de dois universos ao mesmo tempo paralelos e complementares, o mundo real e a Wired, traz o dilema da necessidade de haver limites entre eles ou não, questão que preocupa os personagens. No episódio 7 (Society), por exemplo, a perspectiva segundo a qual os dois “mundos” pertencem a um só aparece quando Lain diz: “O mundo real não é completamente real” ou “A Wired e o mundo real são um só e o mesmo” . O assunto surge também na fala dos homens de preto, personagens que vigiam Lain a serviço da maior empresa de informática do universo da série, a Tachibana Labs. No episódio 10 (Love), um deles diz: “A Wired não pode ter permissão para ser um mundo especial. Só pode ser um campo que funciona como um subsistema reforçando o mundo real” .

O desaparecimento das fronteiras entre realidade física e a Wired cria uma sensação de desespero e insanidade em alguns personagens, sendo responsável pelos principais e mais complexos desdobramentos da trama de Serial Experiments Lain. Nos tópicos seguintes, será feita uma análise mais detalhada sobre estes pontos.

4.1 Incorporação Binária

Logo no início da série, a questão do corpo vs. informação vem à tona com o suicídio da personagem Chisa Yomoda. O que acontece na série é uma mistura de integração radical entre ser humano e maquinário, e a tendência à supressão da dimensão material, que passa a ser convertida num volume de dados.

A própria Lain ilustra isto, porque nos primeiros episódios ela utiliza seu Navi somente com os comandos de voz e teclado. Aos poucos, ela se cerca do maquinário, até chegar ao ponto de conectar fios ao seu corpo (rosto, lábio, braços, mãos, peito) para ampliar sua ligação/percepção/atuação na Wired. Logo, a interface desaparece entre Lain e seu Navi, cujo uso é cada vez mais naturalizado, não apenas pela ampliação do comando de voz – aos poucos Lain dispensa o uso de periféricos – mas também pela resposta imediata do mecanismo à usuária. Finalmente, o rompimento da barreira entre os mundos real e virtual, torna a rede de Navis uma extensão propriamente dita de suas capacidades cognitivas.

Outro personagem, que faz apenas uma breve aparição no episódio 7 (Society), também associa seu corpo a aparelhos, andando com mochilas onde leva seu equipamento, com um visor no rosto, acompanhando simultaneamente o que acontece diante de seus olhos e na Wired. Ele diz: “A Wired e o mundo real estão ligados por suas extremidades. Eu posso existir em qualquer lugar. Não importa onde meu corpo está, posso mandar minha consciência para onde quiser”.

Paradoxalmente, os artefatos que são ligados ou acrescidos ao corpo têm por objetivo fazê-lo desnecessário, porque a prioridade, no caso do universo em questão, é a expansão das possibilidades cognitivas. A ciborguização[8] que aparece em SEL, portanto, não amplia a autuação do corpo físico, mas visa sua supressão.

A questão do abandono do corpo físico e suas limitações para uma existência virtual, traça um paralelo entre alma e persona circulante no ciberespaço (Wired). Da mesma maneira que a alma (seguindo a idéia religiosa de imortalidade e imaterialidade), a circulação dos dados no ciberespaço não tem limites espaciais, temporais ou cognitivos. A morte de Chisa Yomoda ilustra esta noção.

Ela parte de uma premissa religiosa, uma vez que ela recebe do próprio “Deus da Wired” (o cientista Eiri Masami, que também abandonou seu corpo para se tornar uma entidade onipresente na Wired) o chamado para a morte física e sua importância para sua existência virtual: “A razão de você fazer isso, você mesma deve descobrir. Se você continuar num lugar assim (referindo-se ao mundo real), pode não ser capaz de se conectar”.

O “deus” Eiri Masami, inclusive, tem como objetivo “libertar” os seres humanos do seu corpo físico, para se incorporarem integralmente ao inconsciente coletivo trazido ao nível consciente. Ele afirma que o homem tornou-se incapaz de evoluir por causa de suas limitações corporais, mas sua capacidade mental poderia se expandir livremente através da Wired, numa realidade totalmente convertida em dados que estariam em fluxo constante através de uma interconexão global.

Neste ponto, fundem-se uma perspectiva religiosa/simbólica e outra, racional/ prática. Em comum, ambas têm a noção de desvinculação do corpo para evoluir, no entanto, por uma perspectiva, o enfoque está na alma, por outra, na mente. Eiri Masami tenta induzir a tradução do mundo real em dados para serem processados como uma realidade apenas virtual, não-física. Uma fala proferida por uma alucinação de Lain, reitera tal lógica:

“É razoável enxergar a Wired como uma camada superior do mundo. Em outras palavras, a realidade física não é nada além de um holograma da informação que circula através da Wired. Isso porque o corpo – a atividade do cérebro humano é apenas um fenômeno físico causado pelas distribuição de impulsos elétricos pelas sinapses. O corpo existe apenas para comprovar a própria existência do indivíduo” – Episódio 5 (Distortion).

Por outro lado, a radical desmaterialização proposta por Eiri Masami encontra como contraponto a dimensão afetiva da fisicalidade. Isto é posto em questão através do contato estabelecido entre Lain e Arisu ao longo dos episódios, quando aparecem cenas que enfocam suas mãos entrelaçadas (episódios 3 e 7). É no episódio 12 (Landscape), quando Lain diz: “Você é minha única amiga mesmo sem conectar comigo”, porém, que esta dimensão afetiva se torna evidente e acontece uma reviravolta no discurso que perpassa toda a série.

Lain, convencida pelo discurso de Masami, tenta explicar a Arisu que as pessoas não precisam de seus corpos. Arisu, no entanto, revela não compreender a existência como uma compilação de dados, e mostra a Lain o calor de sua pele e as batidas de seu coração e, demonstrando outra dimensão simbólica do corpo, faz esta compreender a necessidade emocional da existência corpórea. Portanto, em Lain se contrapõem duas perspectivas distintas: a radical desmaterialização em função da expansão cognitiva e a necessidade da existência física em virtude de sua função simbólica-afetiva.

4.2 Todos Estão Conectados

No primeiro episódio da série (Weird), o pai de Lain evidencia a comunicação como fundamento do funcionamento social: “No mundo real ou na Wired, as pessoas se conectam umas às outras e é assim que as sociedades funcionam”. Tais palavras são reforçadas através da progressão do comportamento da personagem principal, Lain Iwakura.

Num primeiro momento, Lain é uma menina tímida, que não faz parte dos acontecimentos sociais que a cercam. Quando ela começa a utilizar seu Navi (computador), se sociabiliza, pois o uso da ferramenta a insere no sistema de comunicação utilizado pelos jovens. Ela se integra ao grupo freqüentando o shopping, a danceteria, e a partir da troca de conhecimentos a respeito dos computadores.

Neste segundo momento, Lain estabelece conexões interpessoais no mundo real. A Wired amplia essas relações, já que os meios de comunicação servem para marcar encontros, estabelecer diálogos e até mesmo como pretexto para conversas. Lain então maximiza sua vivência no mundo real.

Já num terceiro momento, quando Lain desenvolve sua habilidade com o uso do Navi, ela volta a se afastar do convívio social no mundo real, passando a atuar cada vez mais na Wired. Lain passa a ser conhecida pela sua persona virtual, ao passo que sua atuação no mundo físico volta a minguar. No quarto episódio (Religion), seu interesse cada vez maior pela expansão das relações entre mundo real e a Wired aparece no seguinte diálogo:

Sr. Iwakura (Pai de Lain) – Parece que você e a Wired estão se dando bem agora. Quando tudo estiver dito e feito, a Wired é só um meio de comunicação e transferência de informação. Você não deve confundir com o mundo real.
Lain – Você está errado, a fronteira entre os dois não está assim tão clara. Logo poderei entrar nela, em total alcance e mobilidade, vou traduzir-me nela.

Por fim, no que pode ser tomado como um quarto momento na existência de Lain, ela se desmaterializa, tornando-se um ser virtual, pertencente e regulador do universo da Wired. Neste ponto, Lain está fisicamente alienada do mundo real e não utiliza mais ferramentas para conectar-se à Wired, porque está integralmente imersa nela.

A progressão do comportamento da personagem-título de acordo com o uso e domínio do Navi e da Wired permite traçar um paralelo com a chamada desmaterialização do mundo contemporâneo, com as alterações na percepção de tempo e espaço devido à sua aniquilação em virtude das relações traçadas através das redes telemáticas. As transformações de Lain se assemelham ao que muitas instituições – como as financeiras, por exemplo – estão sofrendo na atualidade.

No que diz respeito à maneira como é retratada a relação entre usuários e seus computadores, há um paralelo entre a evolução tecnológica do aparato físico (hardware) e a medida em que as pessoas se especializam em seu uso. Isso, inclusive, é previsto pelo pai de Lain no segundo episódio, quando ele lhe diz: “Para comunicação, você precisa de um sistema potente, que vai amadurecer junto com suas relações”.

As mudanças pelas quais Lain passa ao longo da série permitem uma análise de como os meios de comunicação afetam as relações sociais. Num espaço imaginário, as regras são diferentes, e a performance dos indivíduos também não corresponde à do mundo real, o que pode causar conflitos e interferências, como é o que acontece no episódio 8 (Rumors), quando uma informação de caráter estritamente pessoal vaza e passa por um julgamento público ao qual normalmente não seria submetida.

4.3 Tecnomisticismo

Depois de passar pelo período de “desencantamento” do mundo[9], quando a ciência substituiu a religião na palavra de ordem para explicar os fatos da realidade, a humanidade vem reformulando sua lógica, inserindo o misticismo também na relação com a tecnologia.

A tecnologia exerce uma mistura de medo e fascínio sobre as pessoas. Como muitas das possibilidades e realizações tecnológicas exigem um conhecimento técnico muito avançado e aprofundado para a compreensão dos mecanismos implicados, a maioria das pessoas têm acesso apenas ao nível superficial das linguagens do maquinário, suficiente para permitir o uso de suas funções básicas. O controle à distância, seja por ondas invisíveis ou por nanomecanismos cujo modo funcionamento é desconhecido da esmagadora maioria das pessoas, exerce um fascínio semelhante ao dos fenômenos que não podem ser explicados fora do domínio da magia e razões extramundanas.

Assim, indivíduos com habilidades em tecnologia figuram como “iniciados” em conhecimentos muito específicos, inalcançáveis para a maioria das pessoas, que os coloca numa posição semelhante a de líderes religiosos, conhecedores uma linguagem hermética. A especificidade do jargão do funcionamento das novas tecnologias cria um mito de superioridade gnóstica em torno daqueles que o dominam.[10]

Em SEL, isto é representado pelos Knights. O caráter secreto e místico do grupo fica evidenciado nas falas de alguns personagens: “O Knights são um grupo de super-hackers, mas não são exatamente um grupo. Dizem que eles têm muito poder na Wired, e que fazem muitas coisas em segredo” – Arisu, episódio 5 (Distortion). “Os Knights não são crackers comuns. Eles são usuários que estão lutando para tornar a única verdade que existe em realidade. A verdade tem poder porque é verdade e porque é verdade, é justa” – Taro, episódio 9 (Protocol).

Na série, o grupo de hackers[11] formado pelos Knights é cercado de simbologia, com rituais de iniciação e pertencimento parecidos com os das ordens místicas. Até o nome do grupo, que em inglês, significa “Cavaleiros”, faz uma referência à Ordem dos Cavaleiros Templários, os cruzados medievais responsáveis pela expansão e defesa do cristianismo na Europa da Idade Média. O status dos Knights se deve à capacidade de manipular informações, desenvolver mecanismos, diferenciando-os da maioria dos usuários.

Outra referência à mistura de tecnologia e misticismo diz respeito às figuras de Eiri Masami e da própria Lain, apontados como deuses. Os fundamentos principais da existência do Deus da Wired são sua onipresença e onisciência. A narrativa traz revelações sobre Lain e da relação entre o sobrenatural e a Wired. No episódio 5 (Distortion), Lain tem algumas alucinações. A primeira delas, uma boneca com quem ela conversa, lhe diz que a história é um conjunto de pontos feitos para se conectarem numa linha do tempo e que para cada evento há uma profecia. Na mesma cena, Lain ainda vê uma imagem flutuante de seu pai, que diz que pode ser que na Wired não circule apenas informação elétrica e que, se Deus existe no mundo real enquanto conceito, é possível que ele exista de fato num universo composto de dados.

O próprio Masami, que se auto-institui deus, afirma o caráter divino de Lain: “Você nasceu originalmente na Wired. A lenda da Wired. A heroína dos contos de fadas da Wired. A Lain do mundo real é apenas um holograma dela, um homúnculo de ribossomos artificiais. Para começar, você nunca teve um corpo.” – Eiri Masami (“Deus”), episódio 10 (Love).

Outro dado que comprova a divindade de Lain é a referência ao ritual do urso do povo Ainu, uma minoria étnica japonesa estabelecida no norte da ilha de Hokkaido. Segundo a tradição deste povo:

Um dos cultos religiosos mais conhecidos é o festival anual cujo clímax é o sacrifício de um urso. Os ainus capturam o urso ainda filhote, alimentam-no e, quando o animal atinge 2 ou 3 anos, é sacrificado em um ritual. Para os ainus, o urso é um visitante do outro mundo que aparece para oferecer sua carne como uma dádiva para os seres humanos. Assim, eles sacrificam o urso, comem sua carne e devolvem seu espírito ao outro mundo.[12]

Lain, aparece não apenas vestida de urso, mas alguns de seus objetos pessoais carregam o mesmo símbolo, como o chaveiro preso em sua mochila e o estojo que ela leva para a escola. Finalmente, no episódio 13 (Ego), quando ela já foi “sacrificada” em sua existência no mundo real, Lain aparece diante de seu pai com a roupa de urso e ele lhe diz “Você não precisa mais usar isto”, indicando o cumprimento da profecia/ritual, que a levou de volta a seu mundo, ou seja, a Wired.

A “divindade” de Eiri Masami, assim como a de Lain, se estabelece em função de seu domínio sobre os mecanismos cognitivos, sendo capazes de trafegar e manipular os dados, alterando a realidade através de remanejamentos nas memórias. Tais personagens representam aspectos extremados dos conceitos de desmaterialização do mundo, ubiqüidade e televivência.

4.4 Consciente Coletivo

Em SEL, a partir do rompimento da barreira entre a Wired e o mundo real, seria formada uma rede cognitiva a nível global, onde as potencialidades (intelectuais) do ser humano seriam maximizadas, rompendo por completo com as limitações espaço-temporais. A série mostra diversas tecnologias da inteligência, criadas antes mesmo do computador, a fim de expandir a capacidade cognitiva dos seres humanos.

São trechos contendo dados documentais, que falam a respeito de cientistas como Vannevar Bush (inventor do hipertexto com seu artigo As We May Think), John C. Lilly (que realizou experiências com estados de consciência), Ted Nelson (inventor do termo hipertexto) e Douglas Rushkoff (autor de Cyberia, onde discute a noção de “Cérebro Global”). Tais explicações aparecem concentrados no episódio 9 (Protocol), no qual são descritos os estudos e seus autores, estabelecendo uma ponte com a tecnologia do Protocolo 7, que no universo ficcional é o maior expoente da radical expansão cognitiva do ser humano. Os trechos são dispostos intercalados com partes regulares do episódio, dando uma noção de evolução científica realista, até que eles se voltam novamente ao universo ficcional, inserindo personagens e acontecimentos da série no mesmo contexto.

Em alguns momentos, há uma tendência utópica sobre os benefícios da interconexão global, segundo a qual a tomada de uma consciência coletiva ampliaria o alcance da existência das pessoas. Tal idéia aparece na fala de abertura do episódio 6 (Kids): “Se todos se conectarem, até a menor das vozes se tornará alta. Se todas as pessoas puderem se conectar umas as outras, até suas vidas ficarão mais longas”.

Num ponto de vista pessimista, uma rede deste tipo causaria confusão na mente das pessoas, cujas percepção e memória estariam misturadas entre si e com os dados de outras pessoas (inclusive pessoas mortas, como Chisa e Eiri), aniquilando a individualidade e noções espaço-temporais. Isto é ilustrado pelas perturbações mentais sofridas por diversos personagens secundários, ou quando a voz de Eiri Masami conversa com Lain a respeito das informações espalhadas indevidamente, no episódio 8 (Rumors): “Onde quer que as pessoas estejam, onde quer que elas vão, você sempre esteve ali. Você assistiu ao que elas não gostariam que ninguém assistisse. E você contou a todo mundo. Esta era a coisa certa a fazer. A informação da Wired deve ser compartilhada, não?”.

Em Serial Experiments Lain entra em jogo também a forma como os seres humanos percebem e convencionam o que é realidade. De acordo com o personagem Eiri Masami, tudo e todas as funções do corpo podem ser traduzidos em informação. A forma como estes dados são interpretados pelo cérebro determina aquilo que existe, portanto, tudo depende da memória. Por esta razão, a realidade é algo ambíguo, impreciso (“Não, nada é tão ambíguo quanto a memória…”, Wired, episódio 11), e fundado nas inter-relações cognitivas (“As pessoas só têm substância com as memórias de outras.” – Lain, episódio 12).

Em SEL, a manipulação da memória determina a realidade, pois dela dependem a compreensão do tempo, do espaço e da existência, como diz Lain na seguinte fala do episódio 13 (Ego): “Então, as memórias não são apenas do passado, não é? Podem ser de exatamente agora e até de amanhã…”. No universo da série, Lain, que assume o posto de entidade responsável pelo fluxo de informações, é capaz de manipular os acontecimentos e a existência de qualquer ser.
5. Conclusão

Através destas comparações, pode-se afirmar que Serial Experiments Lain não é apenas um produto ficcional que trabalha com elementos tirados do imaginário da cibercultura, mas também que leva ao extremo algumas idéias e conceitos trabalhados pelas teorias sócio-comunicacionais da atualidade, como a inteligência coletiva, a ubiqüidade, a desmaterialização e o reencantamento do mundo a partir das novas tecnologias.

SEL não se trata apenas de um produto de ficção científica, mais do que isso, é uma representação de uma série de fenômenos vivenciados pela sociedade atual. Em especial, a abordagem das questões religiosa, da relação entre corpo e máquina, colocando a cognição acima da existência física, e das mudanças nas relações sociais com a existência do ciberespaço. A manipulação destes elementos serve para construir um retrato ao mesmo tempo fiel e fantástico da cibercultura.

O embasamento (teórico, inclusive) nos fenômenos sócio-comunicacionais contemporâneos para a construção do enredo é o que resulta na coerência e complexidade da temática abordada e da trama elaborada a partir dela. SEL é uma obra cuja análise à luz dos estudos em cibercultura serve, ao mesmo tempo, para compreendê-la em suas minúcias, e também, a partir de uma série de abstrações permitidas pela invenção fantasiosa do roteiro, proporcionar reflexões acerca dos fenômenos sociais contemporâneos.

O principal enfoque de SEL acaba sendo sobre as relações entre existência real e virtual, a partir das tecnologias cognitivas, sejam elas intelectuais ou materiais, centrando no debate da necessidade ou não do corpo físico, aventando a possibilidade de sua supressão em benefício da ampliação cognitiva a partir de processos de inteligência coletiva. A questão religiosa aparece, então, para demonstrar que o ciberespaço é mais uma das esferas de atuação do ser humano e, portanto, está também sujeito ao engendramento de uma ótica mística para compreender e explicar suas regras e seu funcionamento.

Por fim, em SEL é questionada a necessidade da existência corpórea num universo cada vez mais traduzido em dados e informação. Mesmo que maior parte do discurso empregado pelos personagens aponte para a desmaterialização – assim como já vem ocorrendo com diversas instituições e serviços contemporâneos – a dimensão simbólica afetiva do corpo é colocada como razão maior de sua existência. Nesse sentido, o próprio enredo da série situa o abandono da fisicalidade numa perspectiva utópica indesejável.
6.1 Referências Bibliográficas
COSTA, Leonardo. O imaginário tecnológico presente na série Serial Experiments Lain, Trabalho de Conclusão da Disciplina Comunicação Multimídia, FACOM, 2002.
LEMOS, André. “A Cultura ´Cyberpunk´”. In Textos nº29, 1993, p. 25-39
_____, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea, Porto Alegre: Ed. Sulina, 2002.
_____, André e PALACIOS, Marcos (orgs.). Janelas do ciberespaço. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2001.
LÉVY, Pierre. Cibercultura, São Paulo Ed. 34, 1999.
_____, Pierre. As Tecnologias da Inteligência , Sao Paulo : Ed. 34, , 1993.
LUYTEN, Sonia Bibe. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses. São Paulo: Hedra, 2000.
SANTOS, Hermílio. “Interação social e novas mídias: elementos para uma análise da interação mediada”. In Revista FAMECOS, 18 (2002): 99-105. Porto Alegre

6.2 Textos On-line:
Curiosidades Japonesas – Artigos – São Paulo Shimbun – Ano 1999/2000 <http://www.iej.uem.br/shimbun.html> (15/02/2003)
IZAWA, Eri. What are Manga and Animê? <http://www.mit.edu:8001/afs/athena.mit.edu/user/r/e/rei/WWW/Expl.html> (24/01/2003)
COULBORNE, Gary e POLLARD, Phil. Bear Information and Resources. <http://www.bears.org/spirit/&gt; (15/02/2003)
FREITAS, Álisson de. Animê. <http://www.japaoonline.com.br/pt/animê.htm> (22/09/2002)
GREENFELD, Taro. Otaku to You. <http://www.eff.org/Net_culture/Cyberpunk/otaku.article> (03/02/2003)
_____, André. A Página dos Ciborgues. <http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/cibersoc.html> (22/01/2003)
_____, André. Ciber-Socialidade – Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea <http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/cibersoc.html> (01/02/2003)
SATO, Cristiane A. “A cultura do animê” <http://www.japao-rio.org.br/eventos/palestras/palestranimê.htm> (19/09/2002)

6.3 Sites
Digital Angel – Serial Experiments Lain
<http://www.princeton.edu/~ykoh/lain/> (28/08/2002)
Lain – Alive in Cyberspace
<http://misslain.homestead.com/> (28/08/2002)
Serial Experiments Lain
<http://www.crosswinds.net/~beyondanimê/Series/Lain.htm> (28/08/2002)
Cyberia-Anime.com <http://www.cyberia-anime.com/> (28/08/2002)

6. 4 Videográficas:
Matrix. Roteiro e Direção de The Wachowski Brothers. EUA: Silver Pictures, 2001. Duração: 136 min,color. Legendado.
Serial Experiments Lain. Direção de Ryutaro Nakamura. Japão: Pioneer LDC, 1998. Duração: 13 episódios/25min. Animação, color., Legendado em Inglês.
7. Ficha Técnica:

(Fonte: http://www.cyberia-anime.com/)

Direção:

Ryutaro Nakamura

——————————————————————————–

[1] SATO, Cristiane A. – A cultura do Animê. <http://www.japao-rio.org.br/eventos/palestras/palestranimê.htm> (19/09/2002)
[2] GREENFELD, Karl Taro – Otaku to you. <http://www.eff.org/Net_culture/Cyberpunk/otaku.article> (03/02/2003)
[3] LÉVY, Pierre. Cibercultura, São Paulo Ed. 34, 1999.
[4] LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência, São Paulo Ed. 34, 1993.
[5]Não-lugares são ambientes privados de uma identidade local, que lhes confere características genéricas e funcionamento semelhante nas mais diversas partes do mundo, são um reflexo da homogeneização globalizada
[6] LEMOS, André. As Estruturas Antropológicas do Ciberespaço”, <http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/estrcy1.html> (20/09/2002)
[7] LÉVY, Pierre. Cibercultura, São Paulo Ed. 34, 1999
[8] Definida por André Lemos como sendo o processo simbiótico entre seres humanos e máquinas, fundado na integração entre artificial e orgânico, uma característica fundamental da cultura contemporânea, in Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea, Porto Alegre: Ed. Sulina, 2002.
[9] WEBER, Max, apud. LEMOS, André.: Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea, Porto Alegre: Ed. Sulina, 2002.
[10] LEMOS, André – As estruturas antropológicas do ciberespaço. <http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/estrcy1.html> (20/09/2002)
[11] Pessoas com conhecimento muito avançado, muitas vezes autodidata, em programação para computadores, que trabalham por conta própria na implementação e melhoria de sistemas e programas ou, para desespero das grandes empresas de informática, descobrindo falhas em seus produtos.
[12] “Curiosidades Japonesas” in: Artigos São Paulo Shimbun – Ano 1999/2000 <http://www.iej.uem.br/shimbun.html#ainu> (15/02/2003)

Anúncios

11 comments so far

  1. Rafael Pizzo on

    Gostei muito da análise da série.
    Material de maturidade difícil de encontrar na net.
    Parabéns!

  2. Victor on

    Muito boa análise mesmo.
    Me fez entender um pouco melhor o conceito de SEL.
    Abraço!

  3. Rodrigo Ramirez on

    Uma análise séria, abrangente e bem competente. Um dos poucos estudos de Serial Experiments em portugûes e um dos melhores que tive a oportunidade de ler. Muito bom!

  4. Mi-chan on

    Analise perfeita! \(^o^)/

    Antes de ler o que voce escreveu, eu nao havia entendido quase nada do anime, que por sinal possui uma historia singular e de interpretaçao muito complexa.
    Bom… parabens por conseguir produzir um texto como esses, com certeza deu trabalho!(O.O)’

    perdoe-me pela falta de acentuaçao, meu pc esta com problemas, rs (->.<-)

    Beijos, sayonnara. o/

  5. ianmatos@hortamail on

    io

  6. ianmatos@hortamail on

    ouifgf

  7. Esse artigo foi escrito pela jornalista Juliana Protásio, orientanda de André Lemos (e que o cita em seu artigo).
    http://julianaprotasio.wordpress.com/2003/05/07/serial-experiments-lain-anime-e-cultura-digital/

  8. Guilhjerme on

    Incrivel, INCRIVEL!

  9. Marina Sardá Gomes on

    Ótima análise, sinto come se tivesse compreendido um pouco melhor essa obra-prima e os conceitos inseridos nela.

  10. Maurício on

    Eu ainda não entendi algumas coisas da série. A família dela era falsa, certo? A impressão que tive é que Eiri Masami deu um corpo físico pra Lain e a deixou com a família do Iwakura (que é provavelmente amigo do Eiri, pois aparece em uma foto junto com ele). Tem até uma conversa entre Lain e o Pai dela, quando a casa está vazia e ele aparece e diz que chegou a hora e que não precisa mais fingir que são uma família, mas apesar disso é difícil dizer “adeus” já que ele aprendeu a amá-la.
    No final do anime também fiquei confuso. Há duas Lain conversando. A mais tímida escuta enquanto a outra diz que seria mais fácil ela aceitar sua divindade. Então ela se vê num local escuro, e depois está sentada em uma mesa conversando com o Pai dela (a parte que ele diz que não precisa mais usar a roupa de ursinho). Depois disso vemos um “futuro”, com Arisu mais velha já com seu marido (acho que é o antigo professor dela), e a Lain aparece, as duas conversam (a Arisu não tem memória sobre a Lain) e termina nisso. Afinal, o que aconteceu com a Lain no final da série?

  11. Maurício on

    Ah, esqueci de mencionar no meu comentário acima que eu também não entendi o que aconteceu com a irmã da Lain. Depois do episódio onde ela fica confusa por aparecer em vários lugares e depois chega em casa e ela mesma se ve, a menina pirou. Só fica falando algo incompreensível, fazendo barulhinho de telefone, etc.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: