O melhor dos mundos

Cândido, de Voltaire.

“Pangloss ensinava metafísico-teólogo-cosmolonigologia. Provava de modo admirável que não há efeito sem causa e que, neste mundo, o melhor dos mundos possíveis, o castelo de sua alteza o barão era o mais belo dos castelos e a senhora baroneza a melhor das baronezas possíveis. – Está demonstrado, dizia, que as coisas não podem ser de outra forma: pois, tudo sendo feito para um fim, tudo é necessariamente feito para o melhor dos fins. Reparem que o nariz foi feito para sustentar os óculos, por isso temos óculos. As pernas foram visivelmente instituídas para vestirem calças, por isso temos calças. As pedras foram formadas para serem talhadas e para construir castelos, por isso o senhor barão tem um castelo lindíssimo; o maior barão da província deve ter a melhor moradia; e os porcos sendo feitos para serem comidos, comemos porco o ano inteiro: por conseguinte, os que têm firmado que tudo está bem têm dito uma asneira, tinham que dizer que tudo está o melhor possível. “

Voltaire, num dos seus melhores livros, que lí há uns três anos, provando que nada melhor que uma mentira bem dita.

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