Archive for setembro \28\UTC 2006|Monthly archive page

O Renascentismo na Contemporaneidade

pop art

O que era protegido por paredes de vidro agora está nas tampinhas de garrafa e nas telas de cinema. A arte Renascentista, que durante os séc. XV e XVI, pregava a importância máxima da inteligência, do conhecimento e da arte, atualmente, está estampada em capas de caderno, livros, filmes, anúncios publicitários, quadrinhos e pôsteres. Tornou-se quebra-cabeça e máscaras de fantasia. A arte renascentista, principalmente a já desgastada Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, hoje é apenas mais um produto na Indústria Cultural. Vale ressaltar que esta banalização não é inerente à arte em si, mas ao homem. Note-se que a época Renascentista foi marcada pela valorização do homem, ao contrário da Idade Média, cuja vida devia ser centrada em Deus. Hoje, não se sabe ao certo no que o homem se concentra. O indivíduo parece perder cada vez mais o seu foco, quanto mais a humanidade avança. Não se sabe que tipo de arte teremos no futuro, mas há um certo temor quando analisadas as possibilidades. O que se pode ter certeza é que o homem se distancia cada vez mais de si mesmo, tornando-se um corpo sujeito a experimentações de todos os tipos, como um falso modelo que posa para um falso artista. Da Vinci não sabe, mas o homem hoje é uma Mona Lisa transfigurada.

Aquilo que me obriga não faz parte de mim.

Que semana mais filha da puta. Esse tempo disforme que ora passa rápido demais ora estagna. Bastardo. Ódio. Incômodo. Essas campanhas políticas idiotas que subestimam o intelecto de todo mundo. O cheiro. Às vezes o cheiro de tudo é insuportável. A textura, até a textura da cidade imunda é uma porfia. O som das vozes juntas, a celeuma, é uma nota desafinada. 

 “Existem momentos na vida em que é necessário economizar seu desprezo devido ao grande número de necessitados.” (Chateaubriand) 

Ed.

Espirituoso

Ah, mas a cidade é toda muito dissimulada. São todos, na cidade, uns dissimulados, olhos de ressaca, oblíquos (…). Chega um tempo em nossa vida em que ficamos cansados. Cansados de tudo um pouco.

O melhor dos mundos

Cândido, de Voltaire.

“Pangloss ensinava metafísico-teólogo-cosmolonigologia. Provava de modo admirável que não há efeito sem causa e que, neste mundo, o melhor dos mundos possíveis, o castelo de sua alteza o barão era o mais belo dos castelos e a senhora baroneza a melhor das baronezas possíveis. – Está demonstrado, dizia, que as coisas não podem ser de outra forma: pois, tudo sendo feito para um fim, tudo é necessariamente feito para o melhor dos fins. Reparem que o nariz foi feito para sustentar os óculos, por isso temos óculos. As pernas foram visivelmente instituídas para vestirem calças, por isso temos calças. As pedras foram formadas para serem talhadas e para construir castelos, por isso o senhor barão tem um castelo lindíssimo; o maior barão da província deve ter a melhor moradia; e os porcos sendo feitos para serem comidos, comemos porco o ano inteiro: por conseguinte, os que têm firmado que tudo está bem têm dito uma asneira, tinham que dizer que tudo está o melhor possível. “

Voltaire, num dos seus melhores livros, que lí há uns três anos, provando que nada melhor que uma mentira bem dita.

Post Scriptum

Hoje não tive lá muito tempo. Queria falar de Camus, de Hemmingway, de Orwell, de Proust, de Salinger, de Wilde… mas é parco o meu tempo, hoje.

(*Continua)

SemiÓtica no Digestivo

E um post meu foi linkado no Digestivo Cultural. O que me levou à conclusão do que já tem sido constatado: as pessoas não querem saber de matéria quente, elas gostam mesmo é de matéria fria, que seja auto-biográfca e que fale de modo despojado, puro, sincero e sem filtro. Meu post que foi parar no D.C. é bem assim; escrevi-o após uma noite curta de sono, quando o cansaço já me derrubava. Fui apenas sincero. Como um impulso, um reflexo. Por isso, quando o Spider Jerusalém (do segundo post abaixo, “Transmetropolitan”) diz que quando estamos “estressados, mortos, famintos e cheios de ódio” é que estamos perfeitos para fazer jornalismo, eu creio.

Minhas Olheiras

Hoje é sexta. Olho-me no espelho, a visão turva,  e vejo. Minhas olheiras contam uma história. Uma história de sono parco, de demasiada fadiga, de quem já se encheu com  a semana e só quer nada, fazer nada, deitar numa rede a mente e balançar, a esmo, mesmo. Essa história, que não é nem bonita nem é feia, não é para ninguém em especial, não é para os pósteros nem nada, não é para os Direitos Humanos; essa história – historinha -, eu conto é pra mim mesmo. 

Blasè Vintage

so pure such a impression...

Frio. Céu avermelhado. Cabelos atrapalhados. B.R.M.C.. Mãos geladas. Iogurte. Sonic Youth. Vogue Homem. L’acqua di Fiori. Sartre. Sono. Folha de São Paulo. QL. PEPN. Pão de Forma. Toddy. Beleza Americana. Dogville. Fotografia. Almoço em casa. Cortinas. All Star branco. Informalidade. Paixão. Trivialidade. LPC.

Hoje não dá.

Debate de Pilhérias

Debate entre candidatos a senadores do estado de Minas Gerais 

Foi realizado no dia 02 de setembro de 2006, na Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, campus Prado, o debate entre os canditados mineiros ao senado. Os convidados foram Newton Cardoso (PMDB), Eliseu Resende (PFL), Omar Peres (PDT) e Ronaldo Vasconcelos (PV), dos quais somente os dois últimos compareceram.  Além dos candidatos, compuseram a mesa de dabates o diretor geral da faculdade Estácio de Sá, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira; o professor, coordenador do curso de jornalismo e idealizador do debate, Carlos Alberto dos Santos; o coordenador do curso de direito, José Alfredo e os jornalistas Marcelo Freitas e Patrícia Aranha. 

Em sua apresentação,  Omar Peres, 49 anos, presidente das Organizações Panorama, em Juiz de Fora, usou uma pesquisa do Datafolha em que aparecia com 01% das intenções de voto, o que chamou de uma “inverdade”. Aproveitou para atacar o candidato ausente Newton Cardoso, que aparecia melhor colocado na pesquisa. A proposta que sustenta a campanha de Omar é a exigência da cobrança de royalties – direitos sobre produto –  pela extração dos minérios de Minas. Ronaldo Vasconcelos, 56 anos, engenheiro elétrico e professor na Universidade Ferderal de Minas Gerais (UFMG) não podia ser mais contraditório. Disse apoiar a reeleição de Aécio Neves para o governo do estado de Minas Gerais e a de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da república, e logo após ressaltou que é contra a reeleição em quaisquer cargos. Perguntado sobre o que pretende fazer em relação ao emprego, disse que irá “diminuir a carga tributária”, além de fomentar o turismo, outra de suas propostas. 

O debate, que deveria ter como foco a apresentação das propostas políticas de cada candidato, resumiu-se numa troca de alfinetadas sutis entre os presentes, e ataques – esses nada sutis – aos candidatos ausentes, principalmente a Newton Cardoso (PMDB), numa demonstração pública de ação anti-ética, uma vez que os atacados não tiveran o direito de resposta. Entre outras gafes cometidas, como brincadeiras indevidas, citação de apelidos de candidatos e falta de seriedade. No fim, o que se viu foi um debate de pilhérias.                                                                                                       

  Edson Junior