A que ponto
Durante toda a semana tenho participado de palestras e debates sobre literatura na universidade Estácio de Sá, aqui em Belo Horizonte. O tema de ontem foi blogs e literatura on line; em virtude disso as autoras do Mothern estiveram lá, dando umas aulinhas sobre blogs e falando do trabalho que realizam. Mas o que me espantou mesmo, no fim das contas, foi a quantidade de estudante de comunicação que não sabe o que é um blog. As perguntas idiotas iam surgindo e eu ia diminuindo na minha cadeira. Que vergonha, que vergonha. Foram assuntos: blogs que viram livros, livros que viram blogs, o caso Meg, etc.
Dou palestras sobre cinismo, canalhice e dissimulação. Convidem-me.
20 comments so far
Leave a reply


O mal de alguns brasileiros é achar que existe um certo charme na burrice.
Abraços Ed!
Mas o que SABE um estudante de comunicação?
não reclama do povo de jornalismo que se eu te contar como é que o assunto é tratado no meio do povo da moda vc fica feliz. (tava bem com saudade de passar aqui e comentar – que eu continuo te lendo via rss!)
Preciso de uma palestra sobre CANALHICE!
brincadeirinha!!
Saudade!
Ed,
para mim, uma exposição triplamente imerecida.
beijos, querido
Ed, vc subestima a imbecilidade da juventude brasileira. Está precisando ver uma missa do Darth Papa. Esse é pop.
T§
“Dou palestras sobre cinismo, canalhice e dissimulação. Convidem-me.” OK, JOE! Ando lecionando de graça. Tôporfora do preço de mercado.
Edson,
Quando falo que vc é uma exceção não estou brincando. Por que os resultados sobre a educação brasileira tem índice tão baixo??? Leitura não faz parte do contexto dessas pessoas, ainda mais o blogosfera, eles preferem sites pôrnos etc.
A internet é um suporte textual, que pouquíssimos descobrem qual sua verdadeira função.
Parabéns por escrever post que nos faz pensar!!!
Abraços!!!!
E pensar que estes serão os futuros “formadores de opinão” de nosso país!
É por isso que Big Brother, Jô e Altas Horas tem tanta audiência.
“Se um dia você for ministro das comunicações, dê um jeito de agradar à esquerda e à globo ao mesmo tempo”, disse o professor de comunicação ao aluno de comunicação.
E é só isso que o estudante de comunicação precisa saber, se não aprendeu como conseguir um visto para um país sério…
Quanto aos blogs – bem, quem faz perguntas idiotas é o blogueiro ideal, na minha opinião. Seus alunos levam jeito, Ed.
eu concordo com o João Paulo aqui em cima e ponto
Acho que, quanto ao cinismo e à canalhice, suas palestras não surtirão grande efeito. Todos sabem, intuitivamente, ser cínicos e canalhas. Claro que é possível dar alguma sofisticação e graça a essa habilidade inata, mas não creio que todos estejam dispostos a ser sutilmente filhos-da-puta. O que tem vigência mesmo é a desfaçatez grosseira.
Ah, e você gosta daquele católico histérico, daquele monstro de conservadorismo que foi Barbey d’Aurevilly, não é? Ponto para você. Já leu “As Diabólicas”? Como me diverti com aquele livro! Especialmente naquela história em que o marido e a mulher, ao brigar, ficavam atirando o feto embalsamado um na cara do outro. Hahahaha, que puta horror! Está aí um bom tema para palestra: a crueldade na literatura.
Abraços. Voltarei aqui mais vezes.
Fico triste em ler tal constação. Infelizmente acredito não ser um problema localizado, no caso daqui, Belo Horizonte, pois seria de mais fácil solução, apesar de não deixar de ser embaraçoso.
Atualmente, faço dois cursos superiores, um deles de comunicação na UFMG e, apesar de inúmeras dificuldades que temos no ensino público, existe uma galera muito boa fazendo acontecer.
O mesmo não posso dizer de todas as faculdades e muitos menos de todos os alunos,percebo uma facilidade muito grande no ingresso em uma graduação, mas uma dificuldade enorme em formar-se profissionais diferenciados.
Acredito que mesmo com os problemas já conhecidos no sistema de ensino brasileiro, exista uma conscientização por parte dos próprios estudantes para se gabaritar e se tornar um bom profissional e não apenas a “brincadeira de estudar” que é provalvelmente a linha dos estudantes citados neste post.
E estudantes de Matemática que não sabem Matemática? Putz, tem vários.
Ed, muito Boris Vian essa tirada…
Não sem razão. A blogosfera não é ultrapassável como forma de comunicação livre e dissociada de ideias e estados de espírito que não sejam os pessoais. Teses portanto – sim, li a tua teoria sobre isso, eu estou desgraçadamente a acabar a minha… -, imagens, memes, intervenções, gritos pessoais, quanto mais subtis melhor, o que um lê não lê o outro, tantas leituras num post quanto a proximidade do autor e o conhecimento virtual ou directo do mesmo e da sua circunstância.
Podemos ser certeiros, podemos ser cínicos – realmente -, podemos ser inconsistentes, imprecisos, subtis, inteligentes ou mesmo muito tolos só porque.
Mas é um movimento de massificação de escrita livre muito poderoso. E não faço análise aqui dos blogs de conjunto ou listas de discussão (as primas).
Nunca se substime o poder de um adulto em forma de criança com uma caneta na mão…
Um beijo.
Bom final de semana!
[...] lendo o SemiÓtica, pra ser mais exato esse post (que fala inclusive da MEG(que sempre ajuda quando eu aciono o bat-sinal e parou de mentir sobre a [...]
Tenho alguns amigos que estudam comunicação, e tenho a impressão que blog é uma palavra alienígena pra eles.
Nunca tinha coragem pra comentar aqui! Dá medo de falar besteira. Mas como leitora assídua, estudante de comunicação, aspirante a semioticista não podia deixar esse post passar batido.
Realizo uma pesquisa sobre blog, na minha universidade. Faço parte de um grupo de estudo, em semiótica. Nas primeiras reuniões, todos que possuíam um fotolog, ou flog, se consideravam blogueiros! Legal, né?