Sobre editorias
Leio cultura, cidade e política, principalmente. Cultura porque – e isso deve ser óbvio – o assunto me atrai, geralmente. Também gosto da linguagem que, certamente, é direcionada ao leitor mais instruído. Contudo, acho que os cadernos de cultura deveriam ser maiores, digo, deveriam conter mais textos. E as fotos deveriam ser menores. Leio política por considerar um dever. Passei pela fase em que eu achava tedioso e leio sempre, se não em jornal impresso, em sites. E aqui muito me chama a atenção o cuidado que os jornalistas têm em relação à linguagem, à abordagem e tal. Incrível como independência é uma qualidade (e um requisito) cada vez mais escassa nos jornais do país, ainda que se afirme o contrário. Mas leio, é bom saber dos assuntos que envolvem os governantes, ainda que pela metade. Sun Tzu é que tinha razão: é preciso conhecer o inimigo.
Das editorias que leio, cidades é a que leio menos. Minha própria cidade não é um assunto que faça parte das minhas prioridades no que tange a informação, digo sinceramente. E sei, sei que essa não é uma conduta aconselhável para quem quer que queira se tornar um jornalista, mas eu não disse que não leio. Leio, mas não muito. Não leio esportes, automóveis e economia. Sobre esportes, francamente, eu nem tenho muito que dizer. Tenho uma só palavra para aquelas páginas preenchidas com fotos de jogadores que não conheço e aqueles textos cheios de jargões tão pobres: asco.
Olha, o caderno de automóveis eu nem abro. Acho bonito, acho bacana, mas há o que ler? Não são só fotos? Não sei. Já economia eu gostaria muito de ler. É como um dever que, ainda, não consigo cumprir. Mas esse é um caso temporário. Não leio porque não entendo bem os gráficos todos, os termos, essas coisas. Mas ler e entender o caderno de economia é uma meta.
Quanto ao fato de alguns cadernos como cultura e economia estarem perdendo espaço nos tablóides populares de Belo Horizonte: bom, acho mesmo que faz total sentido tal fenômeno. Um sentido péssimo, diga-se. Jornais como o “Aqui” e o “Super” são direcionados a classes menos privilegiadas e para pessoas – e aqui não importa a classe – que têm preguiça de ir a uma banca e comprar um jornal decente. Entendo que não haja caderno de cultura nos jornais populares, pois a maior parte dessa gente não se interessa por cultura, tampouco economia. Ainda que pobreza não justifique falta de intelecto. Uma amiga disse que as pessoas estão lendo mais; se isso é assim tão bom eu não sei. E creio ser desnecessário dizer que eu acho o fato um disparate. É sabido que as empresas que produzem tais tablóides lucram, e muito, com o número exorbitante de vendas, mas, ora, os jornais não deveriam estar a serviço do leitor? Não seria esse um jornalismo de desinformação?
8 comments so far
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Demorou hem?
Ótimo texto!
Beijos bug-bug
Edd; Belo texto, mas não seja tão radical e inflexível. A vida não é uma linha reta…
bom final de semana!!! ……
Casa nova? gostei!!
beijo Natt!
Gostei da versão final. Quem quer que o povo seja bem educado e bem informado? Panis et circensis já escreveram durante a Tropicália.
O ensaio ficou bem feito, com fluidez, bacaninha mesmo.
Muito bom o texto, e concordo com vc, cada vez mais temos mais cadernos “cidades” que exploram a violência e os jornais (pra não falar das revistas) só de fofocas…
Abs.
Obrigado, Ana, Beth, Tina.
Natália, meu amor, saudade de você;)
O meu Ninho Lindo
Eu também te amo e também estou com saudades de vc.
Beijo
Gostei muito desse post. Parabéns! Concordo com você em muitos aspectos.
abraços …