Blasfêmias Oficiais
Não sei bem onde começou, mas lembro-me de ter lido algo do tipo num blog americano, que também não sei qual. Mas isso não interessa. O negócio é que o assunto chegou por aqui. Lí primeiro no blog no Cleber, e agora o meme me foi passado pela Evelyn, de cujos textos gosto muito. É simples: devo escolher três escritores que, por uma razão ou outra, desisti de ler. É blasfêmia na certa, mas é aí que reside o quê da coisa toda. À questão:
- Graciliano Ramos: Por Deus, eu não consigo ler o alagoano por nada neste mundo. Meus ex-professores me excomungariam, eu sei. Assim como há muitos aí fascinados por Vidas Secas e Angústia – duas de suas principais obras – que, se pudessem, armariam-me um cerco numa esquina escura. Tentei ler quando cursava o Ensino Médio, tentei ler para a ocasião em que prestei vestibular, e nada. Meus motivos para não conseguir lê-lo não são nada especiais. Em verdade, digo que acho um porre, digo, uma chatice seus livros, sua linguagem, seu estilo. Ah, também detesto seus neologismos. Já cansou.
- D. H. Lawrence: Eu sei, sei que esta é uma blasfêmia das grandes, uma heresia, quase. Mas o que vale é a veracidade dos depoimentos preconceituosos. Sempre lí literatura inglesa; gosto da pompa, dos trejeitos, da língua. Mas Lawrence eu não consegui. Tenho em minha estante um exemplar de Women in Love – que é considerado seu romance mais importante – que já tentei ler umas duzentas vezes. Não dá. Este romance despertou em mim o preconceito por toda a sua respeitadíssima obra, de modo que nem perdi meu tempo tentando ler Lady Chatterley’s Lover.
- Vladimir Nabokov: Okay, confesso que amo Lolita. Sou homem e, no fundo, tenho algum instinto primitivo que não me permite qualquer aversão ao tema que Vladimir abordou. Ví os filmes, reagi às imagens e comprei o livro. Tentei, tentei, tentei. Mas não passei da metade. Não tenho certeza se foi culpa da linguagem ou da tradução. Não gostei do rítimo. Não gostei da estrutura. E também não me agradam livros estilo diário, e Lolita tem um pouco disso. Gosto de Lolita (s), mas desisti do autor.
É isso. Repasso o meme à amiga Mariana, à Fernanda, à Tina, à Alessandra, ao Lino e à Caroline.
34 comentários até agora
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Edsos: Confesso , admiro sua forma de abordar algum tema, é irônica e ao mesmo tempo bem- humorada. Parabéns , se o seu caminho é o das letras , vc está no caminho certo!
APARECE! bjs na Natália e em vc!!!
Cara, sabia que uma hora ia ser pego por algo semelhante. Ainda bem que é um assunto bom, que gosto. Difícil vai ser achar três autores que tenha abandonado.
Ô meu fio…. coméquiéquieu vou passar meme-de-não-sei-que-lá-das-quantas se eu nem tenho amigos blogueiros ainda.
Faz favor de tirar meu nome aê ow doido.
uahaha… Eu, assim como o Lino, terei alguma dificuldade para escolher quem abandonei… mas já achei um (esse eu abandonei faz tempo!). Assim que chegar em casa e tiver todos na mente, postarei! Valeu!
Geralmente reconheço minhas limitações. Vou fazer uma triagem, porque leio um monte de livros ao mesmo tempo e os deixo pela casa meo lidos. Vou escolher os que abandonei por não conseguir ler de chatura:
–Grande Sertão Veredas do Rosa. É até sacanagem pois conheci o diplomata, que era amigo da chefe da minha mãe. Achei muito chato.
–José Lins do Rego, não me lembro o quê. Chato também.
–Sei que meu inglês da Inglaterra é limitado. Li Shakespeare. Mas nunca passei de duas páginas de Milton, Paradise Lost. Não dá. Beowolf tem que ser o traduzido pra gringolês contemporâneo.
Já o Monteiro Lobato infantil, li inúmeras vezes. E esse é o meu meme porque nunca mais trago pra casa um lance desses.
Beijos, Edd,
–tina
lawrence é difícil mesmo; gostei de lady chatterley’s lover, e mesmo assim quase larguei duas vezes.
lawrence é difícil mesmo; gostei de Lady Chatterley’s Lover, e mesmo assim quase larguei duas vezes.
Elizabete,
obrigada pelo carinho.
Um grande abraço para você.
Natália
É meu amor, não deve ter sido fácil escrever sobre livros que vc abandonou, mas parabéns pelo desafio.
Beijos
Err, eu também tenho Women in love na estante, mas ainda nem abri. Não sei, mas tenho a impressão de que vou gostar. =]
Cara, Nabokov é um daqueles autores sobre os quais eu não tenho coragem de falar mal. Muita erudição em um escritor só. Não reclamaria de uma vírgula dele. Respeito muito.
Eu ia falar de Nabokov, mas o Cleber roubou minha fala. Nabokov é um primor sem igual, e vale até mesmo o catatau de Ada, ou do ardor, a obra prima entre todas as suas obras primas.
Beijos
ai, ai, ai…………. eu não tenho fluência em literatura intelectual, e agora??? (esse povo da moda…. ai, ai, ai.)
o gosto pessoal mtas vezes fica acima do que conhecemos como “leituras obrigatórias”. É assim mesmo…
Eu tô com bloqueio de Clarice Lispector. Ainda não entendi por que…rsrs
[...] Eles estão em toda parte e sempre tem alguém “inventando” uma coisa nova, principalmente na blogosfera. E se você está nela, uma hora é pego. E foi o que me aconteceu. O responsável é o Ed, do Semiótica. Ele, por sua vez, foi pego pela Evelyn, que foi pega pelo Cleber. [...]
Não sei quantos anos demorei a ler Lolita de Vladimir Nabokov. Não conseguia ler continuamente, tive de parar várias vezes e por vários meses. O filme… recusei-me a ver.
Edson: como vc está? O livro é uma porta para o universo,porém essa porta acessa uma paisagem tão chata e feia que é melhor fechar e jogar a chave fora………….
beijocas em Natália e em vc!!!
Adoro quando me visita!
Para vc ver como funciona a Blogosfera. Você passou para a Alê, que passou para mim, que vim te visitar porque você passou lá
)
Terminei, mas não gostei de Lolita – o livro nem Lolita – o filme. Mas a idéia é boa. Graciliano me deixou Angustiada e com muita sede. Não faz parte dos meus preferidos, mas ainda encaro e do autor inglês, acho que só li a Lady Chaterley. Gostei.
Natália:
Sinto uma energia verdadeira e positiva em relação a vc e Edson. Espero que a Net nos proporcione uma verdadeira e linda amizade.
Se depender de mim. A amizade já começou!
Um beijo minha linda flor!!
E quem não decora nomes de escritores? Na verdade, eu leio os que estão em promoção no Sebo.
Não decorando, uai? Pego, leio o livro, troco por outro no sebo e aí esqueço o nome do autor. Mas às vezes, quando o livro é bom, eu anoto alguma coisa e aí faço a referência porque isso eu aprendi direitinho na faculdade.
E eu, comprei Lolita achando que nunca conseguiria ler e adorei. É tão angustiante! Adorei!
ED E NAT: aparecem lá no “ENCANTO” tem um post falando sobre a Bahia. A cho que irão gostar!
TENHAM UM ÓTIMO FINAL DE SEMANA!!
E segue o seco!
Pois… este é um post a revelar a intenção do título para o blog. Diz-me muito, particularmente porque ando às voltas com o Saussure, o Jakobson, Chandler, Peirce… “you know”…
Aparte o objectivo do post, que creio ter sido esse mesmo, estou maravilhado com a simplicidade da apresentação do assunto… que daria pano para mangas.
Parabéns, bom blog!
Abraço,
CT
Ola Ed, perco muito não vindo sempre aqui. Como dizia Severiano Ribeiro: “Cinema é a Maior Diversão”. O primeiro Lolita é muito bom filme, a moça lá de cima que me perdoe. Vidas Secas é tão chato quanto o livro. Ken Russell, dirigindo Alan Bates, Oliver Reed e Glenda Jackson, torna excepcional Mulheres Apaixonadas.
Abraços!
PP
A maioria desses livros de vestibular tinha em versão quadrinhos…
Mas eu não consegui encarar nem o HQ do Vidas Secas…
Tive que apresentar um seminário no colegial e acabei apelando para o filme, pq até o resumo me dava sono! Enfim, me mobilezei qdo a baleia morreu, foi a melhor atução…
[abraços]
EDSONTÔCOMSODADEAPARECELOGO!!
BEIJONANATALIAEEMVOCÊ!!!!!
(Brincadeirinha!!!!)
*Quem disse que tenho que ser politicamente correta 24 h0ras??///????
concordo com vc sobre graciliano ramos. AFF.
só o vestibular pra me fazer ler isso x_x
Caro Edson, eu já havia deixado um longo comentário aqui, que foi comido pelos caprichos da Internet…
Em resumo, só me desculpava pelo mau humor no comentário lá no Hermê, e me explicava: descobri aos poucos as qualidades do Graciliano, virei fã incondicional do cara; e o nojo que v. e uma parte da turma aqui pegaram do pobre coitado é, certamente, culpa de maus professores, que não souberam mostrar aos alunos as pérolas escondidas no texto do sujeito (às vezes muito duro, mesmo).
Mas dê uma chance ao velho Graça, Edson. Experimente, por exemplo, o Memórias do Cárcere. Alguns livros que a gente lê cedo demais ficam marcados de mau jeito na memória afetiva da gente _ se voltamos a eles, mais tarde, a coisa toda pode mudar radicalmente. Me lembro que, como estudei no ceará tinha (confesso, vai, tenho) aversão profunda ao José de Alencar.
Mas 0 velho GRaça é boa gente, não merece isso, mesmo com todo o pessimismo dele. Pegue o Angústia de novo, Preste atenção como ele vai construindo o personagem principal. Ou pegue, vá lá, Vidas secas, e siga o enredo com atenção para as reações possíveis e as efetivas dos personagens. Como, sem descrições verborrágicas, ele traça uns perfis tão ricos, pessoas descritas em poucas frases (e até a cachorra) que parecem reais.
É um cointraste danado com esse mundo multimidia em que vivemos; mas, no estado de espírito certo, garanto, é uma descoberta. Uma aventura linguística, que os resumos para vestibular detonam desajeitadamente.
Dê mais uma chance ao Graça, vai!
Okay, S. Léo, okay. Chance dada. E você tem razão numa coisa: lí esses livros jovem demais, e me ficou essa má impressão, impregnada. Mas você sabe do que fala, né? Abraço.
[...] E aí que o Edd do semiótica me mandou um tempão atrás uma corrente que pedia pra eu listar 3 livros (ou eram autores??) que eu não consegui terminar de ler. Eu resolvi manipular a corrente e listar os livros que eu não consegui nem começar a ler ainda, ou os que só folheei pra saber conversar sobre, mas não li LI de verdade. Todos esses são boas aquisições pra quem quer pensar sobre o assunto ou saber como outras pessoas estão pensando. E tem coisas específicas do trabalho também (tipo os de guarda-roupa), que sempre me acrescentam. [...]
[...] com conteúdo [não necessariamente] tem gerado alguns textos e opiniões interessantes como a Semiótica do Edd ou o Inactivism do [...]